"O carácter é como uma árvore e a reputação como a sua sombra. A sombra é aquilo que nós pensamos do carácter de alguém e a árvore é a coisa mesmo, the real thing".
28/11/05
27/11/05
26/11/05
Frieza

Com a vitória de hoje são 11 os pontos que separam o Chelsea do segundo classificado, agora o Arsenal. Apesar das críticas de não praticar um futebol bonito, como se este desporto fosse uma passagem de modelos, a equipa britânica continua a fazer o mais importante: ganhar. É isso que interessa para a história: os números e não a beleza do futebol praticado. E Mourinho sabe isso.
Era uma vez Chávez Ravine

Até agora só conhecia Ry Cooder pelo nome. Foi com Chávez Ravine (2005) que materializei a descoberta do músico. A ignorância do restante património do artista não permite comparações. Apenas posso falar de Chávez Ravine isoladamente. E devo dizer que o índice de satisfação é muito elevado. A pequena comunidade de Chávez Ravine constituida por emigrantes provenientes da América do Sul que foram expropriados em nome de interesses imobiliários, funciona como pano de fundo. O álbum gira todo em volta deste tema. Temos assim 70 minutos de música tradicional com sonoridades sul - americanas e em duas linguas, inglês e espanhol. A história de uma comunidade desaparecida com momentos musicais simplesmente indescritíveis.
Aprendiz - Parte I
Adquirir um treinador estrangeiro pode ter como base dois critérios: vontade explícita em trazer alguém com outra cultura futebolística, introduzindo assim métodos diferentes que permitam resultados práticos no plano interno e externo; dificuldade em não encontrar um nome no mercado nacional, por ausência de alguém com o perfil desejado ou por indisponibilidade do foro contratual. Poderia fazer referência a interesses ocultos, como por exemplo, fazer a vontade a um empresário amigo que por coincidência tem um treinador que serve. Mas isso é algo sempre escamoteado.
Penso que o Benfica agiu na linha da primeira base. Dando continuidade a uma política iniciada com Trappatoni, com bons frutos, diga - se. O treinador italiano conseguiu conquistar um campeonato e levar o Benfica à final da Taça de Portugal. Muitos deverão ter feito uma analogia com Eriksson que nas duas vezes que trabalhou no clube da luz conseguiu a glória. Mas tanto um como o outro são treinadores profissionais. Nesta perspectiva é difícil compreender como foi possível contratar Ronald Koeman. O semi - sucesso que teve no Ajax não justificava nem de longe a sua contratação. Porquê? O holandês ainda é um aprendiz do futebol. A metamorfose para treinador ainda se encontra numa fase embrionária.
Penso que o Benfica agiu na linha da primeira base. Dando continuidade a uma política iniciada com Trappatoni, com bons frutos, diga - se. O treinador italiano conseguiu conquistar um campeonato e levar o Benfica à final da Taça de Portugal. Muitos deverão ter feito uma analogia com Eriksson que nas duas vezes que trabalhou no clube da luz conseguiu a glória. Mas tanto um como o outro são treinadores profissionais. Nesta perspectiva é difícil compreender como foi possível contratar Ronald Koeman. O semi - sucesso que teve no Ajax não justificava nem de longe a sua contratação. Porquê? O holandês ainda é um aprendiz do futebol. A metamorfose para treinador ainda se encontra numa fase embrionária.
24/11/05
Irrelevâncias
A descoberta para a cura da malária foi alcançada. Vi recentemente um documentário/filme que denunciava as práticas menos consensuais das farmacêuticas em solo africano. Por vezes é necessário sacrificar algumas dezenas de vidas para conseguir a cura de milhares de outras. É a lei da sobrevivência. Um processo de carácter irreversível.
23/11/05
Dúvidas desfeitas

Com o concerto de ontem no CCB, os Mercury Rev provaram que são uma banda de primeira linha. O facto de não terem sido apadrinhados pela MTV no início da carreira, nem de fazerem parte das habituais playlist promovidas insistentemente pelas rádios, coloca esta banda norte - americana com o estatuto de independente. Algo de discutível evidentemente. Na performance de ontem destaque para o facto dos temas não perderem qualquer das suas propriedades quando transitam do estúdio para o palco. Embora tenham arrancado com Empire State de See You On The Other Side (1995), a maior fatia do alinhamento coube aos três álbuns mais recentes. O facto de já andarem em digressão há largos meses incutiu uma dinâmica que enriqueceu ainda mais o concerto. À saída do CCB a palavra memorável definiu o sentimento geral.
21/11/05
Em espiral

A figura de Vanderlei Luxemburgo com o rótulo de acusado serve hoje de manchete ao jornal deportivo espanhol A Marca. É a velha história, num momento menos bom de uma equipa de futebol aponta - se o dedo ao treinador. Deixando os jogadores isentos de qualquer responsabilidade. Não é difícil perceber a orientação deste jornal. A Marca está para o Real Madrid tal como o nosso Record está para o Benfica. A questão é que o problema do Real Madrid não se esgota no treinador. Mas sim nos designados "galácticos" que já entraram há muito numa fase de decadência. O que justifica a sua continuidade no clube é apenas e só a sua performance comercial, leia - se venda de camisolas. Treinar hoje esta equipa é entrar num terreno pantanoso minado de interesses extra - desportivos. A imagem de Raúl lesionado é enganadora, pois, essa lesão abrange todo o clube e não apenas o jogador em causa.
Sem chama

A música dos Sigur Rós tem algo que a diferencia da restante. Talvez a voz, as sonoridades... Porém, o concerto de ontem no coliseu provou que essa diferença também pode saturar um pouco. Se nos álbuns existe por vezes uma certa repetição, ao vivo somos presenciados por uma pujança sonora que disfarça de certa forma esse handicap. Julgo que o espectáculo de ontem apenas deve ter agradado aos estreantes. Aos repetentes, aqueles que já tinham estado no coliseu de Lisboa em 2003 para assistir à promoção do designado ( ), não cativou. Foi morno. Uma chama aqui outra acolá. O resto foi a repetição da matéria dada.
19/11/05
Irrelevâncias
Hoje ao ver a apresentação do novo "livro" de António Lobo Antunes percebi mais uma vez a minha admiração por este escritor. A sua simplicidade rarea num meio que tende para a superioridade. A sua postura sincera e directa esconde certamente a forma brilhante como escreve. É alérgico ao holofotes e às perguntas dos media. O seu mundo é outro.
Idílica

Disse mais do que uma vez que o termo fadista não encaixa totalmente no seu estilo musical. Com "Ulisses" provou a sua convicção. Cristina Branco regressa a 2005 com um trabalho que apesar de manter fortes afinidades com o fado consegue ultrapassar a sua fronteira. Criando assim um álbum com sonoridades que encerram em si a ideia de universal. Não fugindo, porém, às suas raízes. É esta talvez a mais - valia de "Ulisses". Conseguir ir mais além, não perdendo a sua identidade. Numa das faixas Cristina Branco canta "Eu sei, eu sou assim...". O termo pérola poderia completar a frase.
Recomeçar
18/11/05
Cartas
Por vezes surgem notícias maravilhosas. Não aquecem o organismo. Servem acima de tudo para contornar o núcleo de certas animosidades cuja resolução vamos adiando. Quer por vontade própria, quer por forças exteriores incontroláveis. O lançamento de um livro que reúne cartas escritas por António Lobo Antunes à sua mulher durante a guerra colonial é objecto de interesse total.
- Ouviste o que disse o aquecedor?
- Como?
- Repara na luz. Repara como muda de intensidade... Está a dizer qualquer coisa!
- Mas isso é um aquecedor, não fala!
- Shut!... Não ouves o murmúrio?... Está a dizer qualquer coisa!
- Mas isso é o barulho da electricidade a passar...
- Shut!... Escuta!...
- Deixa - te de tretas. Vamos embora!
- Não posso
- Não podes?!?...
-Tenho de ficar ao pé da luz. Está a querer dizer - me qualquer coisa! É importante!...
- Importante?!? Ainda acabas na casa amarela a apanhar choques eléctricos...
- Pois, eu acho que que há aqui uma entidade qualquer, um ser de outra dimensão, uma energia cósmica, a tentar estabelecer contacto comigo... Repara no cintilar, nas pequeninas explosões de luz.. Isto não é electricidade!
- Não! Isso não é electricidade... São miolos a fritar!
- O quê?
- Disse que tens os miolos a fritar. Deve ser do calor...
- Por acaso estou cheio de frio!... Não queres ligar o aquecedor?
- Mas tens o aquecedor no máximo! Nem sei como não te queimas, aí tão perto...
- Shut!... Escuta!...
- Bom, vou - me embora! Depois conta - me o que te disse o ET...
Mão Morta in gumes (Nus - 2004)
- Como?
- Repara na luz. Repara como muda de intensidade... Está a dizer qualquer coisa!
- Mas isso é um aquecedor, não fala!
- Shut!... Não ouves o murmúrio?... Está a dizer qualquer coisa!
- Mas isso é o barulho da electricidade a passar...
- Shut!... Escuta!...
- Deixa - te de tretas. Vamos embora!
- Não posso
- Não podes?!?...
-Tenho de ficar ao pé da luz. Está a querer dizer - me qualquer coisa! É importante!...
- Importante?!? Ainda acabas na casa amarela a apanhar choques eléctricos...
- Pois, eu acho que que há aqui uma entidade qualquer, um ser de outra dimensão, uma energia cósmica, a tentar estabelecer contacto comigo... Repara no cintilar, nas pequeninas explosões de luz.. Isto não é electricidade!
- Não! Isso não é electricidade... São miolos a fritar!
- O quê?
- Disse que tens os miolos a fritar. Deve ser do calor...
- Por acaso estou cheio de frio!... Não queres ligar o aquecedor?
- Mas tens o aquecedor no máximo! Nem sei como não te queimas, aí tão perto...
- Shut!... Escuta!...
- Bom, vou - me embora! Depois conta - me o que te disse o ET...
Mão Morta in gumes (Nus - 2004)
Irrelevâncias
Alguém de seu nome Francisco Louçã esperava ansiosamente pelo derramamento de sangue nacional algures num país distante. É agora. A oportunidade de sublinhar que estava contra as orientações militares portuguesas. Ele e o seu rebanho têm um momento único de brilhar. Uma morte que poderá significar votos para a candidatura presidencial do partido em causa.
A preocupação, creio, não passa pelos 0,3%. Esta situação poderia ser solucionável. Mas não. Portugal tem um conjunto de cartas onde os trunfos já há muito foram deitados para cima da mesa. Se Portugal fosse uma empresa já teria sido alvo de uma OPA.
Julgo que as greves num país funcionam como um barómetro de popularidade para um governo. Por outras palavras, os resultados práticos são inexistentes. Ainda por cima num governo de maioria absoluta. No fundo os trabalhadores fazem um regresso ao passado quando as escolas organizavam passeios para quebrar a rotina. A diferença é que agora aparecem na televisão.
A preocupação, creio, não passa pelos 0,3%. Esta situação poderia ser solucionável. Mas não. Portugal tem um conjunto de cartas onde os trunfos já há muito foram deitados para cima da mesa. Se Portugal fosse uma empresa já teria sido alvo de uma OPA.
Julgo que as greves num país funcionam como um barómetro de popularidade para um governo. Por outras palavras, os resultados práticos são inexistentes. Ainda por cima num governo de maioria absoluta. No fundo os trabalhadores fazem um regresso ao passado quando as escolas organizavam passeios para quebrar a rotina. A diferença é que agora aparecem na televisão.
Século XXI?
Para quem tem saudades dos tempos em que as ideias contrárias ao pensamento dominante eram alvo de represálias então acedam a esta notícia. A mim soa a anedota.
http://www.uai.com.br/uai/noticias/agora/internacional/201027.html
http://www.uai.com.br/uai/noticias/agora/internacional/201027.html
17/11/05
Porque viver é responder às excitações exteriores de uma maneira apropriada e esta correspondência harmónica só pode estabelecer - se com a ajuda do tempo e do hábito. É um produto de tentativas, repetidas por vezes ao longo de gerações, cujos resultados se tornam em parte hereditários, e que não podem ser recomeçados a partir do zero todas as vezes que é preciso agir. Pelo contrário, se no momento de agir tudo estiver por começar, é impossível que a acção seja o que deveria ser. Esta estabilidade não nos é necessária para as nossas relações com o meio físico, mas também para as nossas relações com o meio social. Numa sociedade cuja organização seja definida, o indivíduo só pode manter - se na condição de ter uma constituição mental e moral igualmente definida.
Émile Durkheim
Émile Durkheim
Na teoria
Sempre ouvi dizer que o jornalismo deve ser praticado visando a isenção. Difícil, naturalmente. Pois, a subjectividade e a objectividade caminham muitas vezes de mão dada. Mas é possível minimizar o cruzamento constante destes dois polos. Como tal, tenho dificuldades em compreender como é que um jornalista em pleno horário nobre é capaz de dizer, a propósito de Cavaco Silva, "é difícil votar em alguém sempre calado". É assumir descaradamente uma côr política. Aproveitando para isso o meio poderoso que constitui o factor televisão. Isenção? Só no papel obviamente.
Reflexos
O que sucedeu ontem no jogo entre a Turquia e a Suiça demonstra em parte o temperamento de um povo. Não querendo criar estereótipos, evidentemente. Mas dá que pensar a violência aplicada por uma simples derrota. Revela fanatismo. Um comportamento perigoso que deve ser intolerado sem a miníma excepção.
Tudo pormenorizado
No outro dia reparei no placar do Bloco de Esquerda. A caneca do Louça é tudo menos discreta. Mas o que me chamou a atenção foi para o facto de não fazer referência ao site da sua presidência. Algo que está bem presente nos placares dos restantes candidatos. Bem pensado: as minorias não têm acesso à internet. Aliás, a internet é um intrumento da globalização. Muito bem. O cliente em primeiro lugar.
Ser Deus
Há quem defenda que um pontificado nunca deve exceder o limite temporal de 20/25 anos. Existe o risco da pessoa que interpreta o papel de Papa perder a noção da realidade e encarnar assim a figura de Deus. Este argumento poderia ser extensível às personalidades que participam activamente na vida política. Se por acaso não conseguirmos aceder ao site de Mário Soares estou convencido que basta ir ao google e procurar a palavra Deus.
Um só culpado
Existe uma tendência algo irritante de apontar o governo como único responsável pelo crescimento medíocre da economia portuguesa em 2005. Julgo que é uma forma eficiente de lavar as mãos do assunto. Podemos então concluir que aqueles que preferem ficar em casa a receber do desemprego em vez de trabalharem são isentos de culpa nos 0,3% de crescimento. Só a título de exemplo, existe muito mais. Um país funciona como um todo. Quando o pensamento é no sentido que apenas uma parte deve cumprir com as suas obrigações nada pode ser feito para alterar seja aquilo que for.
16/11/05
Irrelevâncias
Foi uma até já com um sabor definitivo. Penso em continuar por algum tempo. Sem preocupações com as audiências. Apesar do inesperado percalço de perder o meu 1º blog. Enfim...
Esclarecimento
Não sei como mas o meu anterior blog (Subjectividades) morreu. Paciência. Não deixa saudades.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



