29/12/13

Personalidade do ano


Nada me confere legitimidade moral para criticar Lance Armstrong. Escrevo enquanto apreciador e defensor de um mundo desportivo onde valores como transparência, honestidade sejam respeitados. Uma visão naife dirão alguns. Como pode o desporto estar blindado a um mundo cada vez mais dominado por interesses financeiros? Resultados comprados, doping e outras situações já não são surpresas. Aliás, já entraram na banalidade. No entanto, acredito que em modalidades menos massificadas seja possível um maior rigor por parte das autoridades competentes.

No caso do ciclista norte-americano, vem à tona a frase "o problema da mentira é que não pode ser desfeita". Neste caso foram sete. Mas a mentira não pode ser esgotada na figura de Armstrong. Existiu claramente uma máquina muito bem oleada que permitiu sustentar uma ilusão da vitória numa das modalidades desportivas mais exigentes no mundo. Não quero com isto minimizar o papel de Armstrong que claramente foi o protagonista principal. Mas no banco dos réus deveriam ter passado mais elementos certamente. Importa aqui colocar perguntas: a) Como é possível saborear vitórias ilusórias? b) Qual o sentimento em viver numa realidade sustentada pela mentira? c) Qual a imagem, o legado que a família vai carregar? Muita outras questões podem ser levantadas. Enquanto isso fica para a história uma das maiores farsas que o desporto já assistiu.   

Música em 2013

O surgimento do Spotify permitiu recuperar o consumo musical por estes lados depois de alguns anos mais cinzentos onde a procura foi drasticamente reduzida. Razão? a) O custo excessivo do suporte físico; b) O não recurso ao download. Agora que regressei à lides musicais avanço com uma lista de preferências do ano que agora acaba.

  • Fever Hunting - Modern Live is War
  • Metz - Metz
  • CHVRCHES - The Bones of What You Be...
  • Vampire Weekend - Modern Vampires of The City
  • Nine Inch Nails - Hesitation Markets
  • Kanye West - Yeezus
  • The Knife - Shaking the Habitual
  • The National - Trouble Will Find Me
  • David Bowie - The Next day
  • Lorde - Pure Heroine

26/12/13

Bom Ano


Desejar um 2014 igual ao ano corrente seria tentar subverter a realidade e as suas dinâmicas inerentes. E para não variar é com um ar pensativo que entro no novo ano. E novo significará enfrentar desafios pessoais e profissionais até agora nunca experimentados. E com o ano a findar ficam realidades para trás. Algumas com tristeza outras nem por isso. As regras ensinam-nos a abandonar ambientes de hostilidade onde o desconforto gerado convida à ruptura. Sempre me dei mal com a imaturidade, arrogância e afins. Votos de Bom Ano.

24/12/13


O passado é a coisa mais imprevisível do mundo, não para de se transformar.

George Orwell

Bom Natal


Os desejos de boas festas são endereçados a todos aqueles que ao longo do ano passam por aqui. A todos aqueles que aceitam a pluralidade de opiniões. A todos aqueles que respeitam a diferenciação. A todos aqueles que sabem ser construtivos. Obrigado pelas visitas e um excelente Natal.

Cinema em 2013


Não é num filme deste ano prestes a findar que recai a escolha do momento cinematográfico mais marcante de 2013. Mas facto é que foram necessários 60 anos para que Viagem a Tóquio de Yasujiro Ozu chegasse às nossas salas. Por aqui encontramos a sua legitimidade para ser incluído nesta lista. É um momento brilhante de simplicidade onde a análise sobre o envelhecimento e o seu impacto numa sociedade urbana é tratado de forma tão minimalista e ao mesmo tempo tão belo. A comunicação apenas através de um olhar, a economia do diálogo, a resignação perante o fim... Para a história.

1. Viagem a Tóquio - Yasujiro Ozu
2. La Vénus à la Fourrure - Romani Polanski  
2. Hanna Arend - Margarethe Von Troffa
4. A Vida de Adèle: capítulos 1 e 2 - Abdellatif Kechiche
5. A Caça - Thomas Vinterberg
6. Lore - Cate Shortland
7. Professor Lazhar - Philippe Falardeau
8. Para Além das Colinas - Cristian Mungiu
9. Barbara - Chistian Petzold
10. Blue Jasmine - Woody Allen