27/04/13

Fonte: time

Professor Lazhar - Philippe Falardeau

Aquilo que parecia ser à primeira vista mais um filme sobre as aventuras de um professor capaz de mudar o comportamento de uma turma através da sua áurea divina, é afinal uma obra marcada pela singularidade narrativa. Philippe Falardeau consegue criar uma história credível através de um acontecimento inesperado e o seu impacto numa escola primária. Ao mesmo tempo aborda também a integração de um refugiado político argelino que procura coabitar num espaço marcado pelo multiculturalismo. E a junção destes dois pontos resulta num filme intenso e único na forma como aborda as reacções dos intervenientes. Outro aspecto que torna Professor Lazhar uma obra acima da média é sua capacidade em abordar um conjunto de temáticas associadas ao papel da escola na edução das crianças num espaço de tempo tão curto. Aqui entramos no domínio sociológico. Abordam-se as regras actuais de não violência física e verbal na relação professor-aluno, as fronteiras cada vez mais esbatidas na sala de aula, a falta de tempo dos pais que cria um vazio educacional... Um momento cinematográfico imperdível. 3/5

25/04/13

Em escuta

21/04/13

Fonte: the economist
Na minha opinião, o Spotify veio re-colocar uma questão: estará disposta a cultura do grátis abrir uma excepção e aceitar pagar o que consome? O tempo o dirá. Mas fica a atitude. Num site onde encontramos um forte equilíbrio entre histórico e trabalhos recentes, o valor a cobrar pelo que se consome, depois de uma experiência gratuita, assume contornos de simbolismo. Estamos perante uma autência biblioteca musical com uma qualidade sonora irrepreensível. Confesso que nunca fui adepto do descarregamento gratuito de música. Apesar de não me posicionar do lado dos criticos que levantam a voz aos que pensam e fazem de forma diferente, prefiro consumir de forma a não lesar os artistas, os criadores dessa bela arte a que chamamos de música.  

A Caça - Thomas Vinterberg


Thomas Vinterberg oferece-nos aqui um filme que aborda a suspeita e os seus efeitos nefastos quando esta assume uma dimensão macro. Para agravar, a fonte reside numa criança que dispara uma acusação de abuso sexual sobre um adulto. E num ambiente de aldeia marcado pelo conformismo, a noção de justiça é ignorada em nome da histeria social. Mas no final fica a questão e não a resposta que se pretendia.
Lucas, interpretado por Mads Mikkelsen, trabalha numa escola primária em que a relação com as crianças é de manifesta alegria. Existe interacção e uma cumplicidade adulto-criança que nada faz adivinhar o que se segue. Um dia uma das crianças, Klaire, acusa Lucas de lhe ter mostrado as suas partes íntimas. Antes vemos Klara exposta a uma cena de pornografia via net que lhe fica gravada na sua memória, depois vê-se "rejeitada" por Lucas... Por fim a acusação. E é nesta dualidade que vivemos até ao fim do filme. Por um lado, Klaire manipulada pela imagem e pelo sentimento de rejeição, por outro, a inocência de Lucas validada pela câmara. Mas será que a câmara mostra realmente toda a personalidade e vivência de Lucas? Daí sairmos com uma questão e não com uma resposta. 3/5

Fim de férias

  

14/04/13

13/04/13

A Melhor Oferta - Giuseppe Tornatore

Virgili Oldman é um solitário colecionador de arte que vive num mundo onde a ausência do lado feminino cria em si uma atitude defensiva e agressiva perante as mulheres. O seu mundo sensual é preenchido com quadros dominados por figuras femininas. Tudo corre dentro do seu controlo quando é abordado telefonicamente por uma mulher que pretende a avaliação da casa onde habita. A forma misteriosa como se apresenta, já que não revela o seu rosto, faz com que Oldman sinta que poderá estar presente perante alguém que partilhe as suas feridas emocionais. Com o desenrolar do tempo perceberá da pior maneira que afinal tudo não passa de um plano para chegar à sua coleção de arte. 2/5
Fonte: Time

Shaking The Music

A dupla sueca de electrónica faz o seu regresso em 2013 com um álbum de grande nível. Shaking The Habitual herda as sonoridades encontradas em Silent Shut (2006) e em Tomorrow, In A year (2010). Este último o resultado de uma homenagem pelo centenário da obra de Charles Darwin. E se era apontado como um mero projecto paralelo na discografia dos The Knife, é facto que no novo trabalho existem pontes claras que demonstram afinal a sua importância no caminho a seguir pós-Silent Shut. Na realidade parece termos em Shaking The Habitual uma assimilição de linguagens já experimentadas anteriormente mas que aqui surgem com a ambição de serem aprofundadas. Temos assim momentos de verdadeira intensidade electrónica com outros de puro "silêncio".

O Profundo Mar Azul - Terence Davies

Rachel Weisz intepreta aqui uma esposa a viver uma fase complicada num casamento marcado pela diferença etária, ele substancialmente mais velho, e também económica. Apesar do conforto social, e de estarmos numa época em que o papel da mulher era claramente de submissão (anos cinquenta), a decisão pela ruptura torna-se inevitável quando conhece um homem muito mais novo e com espírito aventureiro. Mas a mudança para um estado de maior felicidade amorosa é acompanhada por um decréscimo do conforto material. Com o passar do tempo, vem ao de cima a sua instabilidade emocional e a visão de um futuro com contornos de fragilidade.
O que desilude neste filme é a falta de algum alento em termos de uma narrativa que pudesse levar as personagens para outras zonas de acção e assim imprimir outra dinâmica que não um constante estado de letargia. Sendo o argumento baseado numa peça de teatro, não se percebe a não preocupação em imprimir uma dimensão fílmica de forma a funcionar no grande écran. Fica a interpretação de Rachel Weisz. 2/5

07/04/13

Mas o amor, no fim de contas, estende o seu charme quando consiste em viver-para-o-outro. É uma das chaves da felicidade mas é exigente, não é receita para uma vida fácil ou de conforto pessoal.

Zygmunt Bauman

03/04/13

11/04

02/04/13

No songs

E parece que não é desta que temos uns Flaming Lips orientados para o formato canção, refiro-me obviamente aos tempos de The Soft Bulletin (1999) ou Yoshimi Battles The Pink Robots (2002). Em vez disso a banda continua concentrada numa linguagem de experiencialismo. Não é mau, sempre considerei saudável a mudança para outras sonoridades não só pela surpresa mas também pelo desafio. Mas confesso que me apetecia ouvir umas canções novas... 

Guia Para Um Final Feliz - David O. Russel

O título denuncia o fim, mas num filme do género comédia-drama não existe muito espaço de manobra para um final capaz de contrariar a expectativa de um público pouco dado a surpresas. Por isso toda a história caminha para um desfecho cor de rosa. O ficcional consegue roubar a essência do real na maior parte das vezes.
Temos assim duas personagens que procuram sair de uma vida cujo passado recente lhes roubou os seus parceiros amorosos. Inseridos num ambiente familiar e num espaço social pacato, encontram-se de forma casual e a partir daí trocam um conhecimento crescente que vai terminar na esperada relação. É o corte com o passado, a mensagem que depois da perda é possíver a reconstrução de laços amoros e de uma vida renovada. As interpretações são interessantes. O humor e o drama são doseados de forma a não causar saturação. 2/5