
Deve ser complicado para alguém (nós, certo?) que viva em Democracia ter uma percepção do que é, do que foi, viver num regime Totalitário. Regime onde a liberdade de acção e de comunicação são quase nulas. Quem arrisca pelo quase paga um preço elevado. Pois é, Gunter Grass pactuou com o regime Nazi. Tal como qualquer civil que não queria ficar à margem. Tal como qualquer civil que não imaginava a dimensão do Nazismo. Tal como qualquer civil que via no Nazismo uma tábua de salvação para a Alemanha. Hoje estamos em vantagem. Analisamos a questão com o conhecimento que possuímos. E julgamos Gunter Graas como se fosse um criminoso. Estamos em vantagem, sabemos o que foi o nazismo. E assim temos o direito de criticar, de blasfemar. Nós não o faríamos. Numa óptica coerente, vamos experimentar analisar a questão de acordo com o tempo e o espaço da altura, talvez assim sejamos compreensivos com Gunter Grass, Martin Heidegger…
Porém, nem tudo é negativo para Gunter Grass. Ora vejamos: o lançamento da sua autobiografia foi antecipada e a 1º edição esgotou em poucas horas. O que pretendeu afinal o escritor em questão ao antecipar que pertenceu ao regime de Hitler? Amortecer as críticas dos seus leitores que desconheciam o seu passado? Publicitar e vender a sua autobiografia?