10/08/07

"...a Clarisse tornou a mover - se - me na barriga, o meu marido olhava sem falar e enfureci - me com ele também, arrependida de não ter ouvido os meus pais e ficado no quarto de solteira com a mobília cor - de - rosa de solteira, a vida de solteira, o corpo de quinze anos em equilíbrio entre duas luas, livre do peso da Clarisse crescendo em mim sem me pertencer, do sangue de um estranho no meu sangue, ficar no quarto,"

António L. Antunes in O Esplendor de Portugal