02/08/13

 
Em tempos alguém me falou da dificuldade em conhecer pessoas interessantes. Pareceu exagero. Mas à medida que o tempo corre, com as pessoas que surgem nessa linha temporal, vai-me parecendo que as palavras outrora insustentaveis em termos empíricos até encontram afinal algum eco. É realmente muito difícil construir assuntos verdadeiramente interessantes. Interessante aqui numa lógica de troca de ideias que anexam o factor aprendizagem. Em vez disso fala-se dos falsos heróis, experienciamos a uniformidade de pensamento, mais concretamente o efeito rebanho, sentimos a arrogância perante o "esquisito"... Um mar de bocejos onde ficar off será o melhor remédio. Sim, o silêncio.

A Loja dos Suicídios - Patrice Leconte


A estreia de Patrice Leconte na animação deixa-nos com a sensação de que poderia ter ampliado a narrativa criando assim uma obra mais ambiciosa e não tão redutora como acabou por acontecer. O foco recaiu claramente no trabalho visual, no campo dos detalhes animados.
O timing de "A Loja dos Suicídios" difícilmente não poderia ser mais apropriado. Tendo como pano de fundo uma sociedade mergulhada numa depressão, conta-nos o dia-a-dia de uma família que explora um negócio de artigos a pensar em todos aqueles que querem deixar este mundo. Aqui é possível escolher o método mais alinhado não só com a personalidade de cada cliente mas também de acordo com a bolsa de cada um. A questão orçamental está sempre presente, mesmo no último acto antes da partida desta vida. O casal que gere os últimos suspiros de uma parte da sociedade vive debaixo de uma nuvem negra que começa a aliviar com o nascimento do novo filho. Que para cúmulo dos azares gosta de sorrir. E dessa particularidade nasce uma mutação de mentalidade, não da sociedade mas do negócio. Pena a falta de ambição para pegar no sorriso e projectá-los para uma perímetro mais abrangente. 2/5