É em Tree Of Life que encontramos aquela que é para o autor deste blog a personagem do ano: Mrs. O´Brien. E não se trata de um escolha assente num mero critério estético. Embora seja indiscutível que se trata de uma mulher onde a beleza é irradiada por todos os seus poros. Mas o que interessa aqui é a sua relação com o espaço familiar e a sua coabitação com um marido autoritário, uma fonte de poder.Mrs. O´Brien vive no plano da graça, do amor. E procura incutir esses princípios aos seus filhos. Ela é a mãe que abraça, que verte ternura, que acalma. Não é um livro normativo que apenas despeja regras de conduta. Esse papel cabe ao seu marido. Ela é a mãe que temos o direito de desejar, mas que por vezes escasseia. Dá vontade de perguntar: existiram outras personagens este ano?
Duas personagens ligadas por laços de sangue vivem em realidades diferentes até ao momento em que são confrontadas com um destino comum. Destino esse que nos é apresentado logo na fase inicial do filme. Como se Lars Von Trier quisesse de imediato começar pelo fim do "livro". O importante aqui é analisar o comportamento das suas personagens principais quando o inevitável está prestes a acontecer.Justine: está a um passo de entrar no equilíbrio emocional proporcionado pelo casamento. Durante a celebração é promovida profissionalmente. Tudo está encaixado. Mas Justine tem uma personalidade encostada ao abismo. As suas transições emocionais são de uma rapidez alucinante. E o seu conflito não é com um exterior que nada lhe diz, mas com o seu interior. É aí que Justine é sugada de maneira a ficar sem motivação para dar o salto para o outro lado e explorar o que há de mais positivo. Claire: irmã de Justine. Casada, com um filho. Procura o equilíbrio familar contando para isso com um marido que está sempre do lado da solução. Claire não ignora Justine, e parece perdoar a forma como esta deita fora as oportunidades que a vida lhes dá.
Out Of Past (1947) - Jacques Tourneur
Foi com pesar que recebi a notícia do falecimento de Cheeta. De carácter extrovertido, e com gosto pela pintura, fica para a história por ter sido parceira de Tarzan. Morreu de insuficiência renal na noite de 24/12. Depois de Paul, o polvo adivinho, o mundo voltou a ficar mais pobre.
Depois de ter realizado um dos melhores, senão mesmo o melhor, filme de vampiros da década dos zeros (Deixa-me Entrar - 2008), T. Alfredson mudou de temática e virou-se para a espionagem. É um retrocesso aos ambientes carregados e cerebrais que caracterizaram os filmes deste género antes de se enverdar pelos exercícios de fogo-de-artifício que tanto agradam ao grande público. Anos setenta, Inglaterra. O clima político gerado pela guerra fria faz das agências de espionagem um instrumento valioso na protecção dos interesses nacionais. Por intermédio de uma fonte não revelada surge a informação de um intruso na alta esfera dos serviços secretos britânicos. E à partida todos são suspeitos. Repare-se no tom acusatório da câmara quando um por um nos mostra os possíveis infiltrados. Abrindo assim um leque bem vasto do alvo a abater. A descoberta fica a cargo de um agente já reformado que com ajuda do passado vai reconstruíndo uma teia de relacionamentos para atingir o seu objectivo.