Fonte: Time
"O carácter é como uma árvore e a reputação como a sua sombra. A sombra é aquilo que nós pensamos do carácter de alguém e a árvore é a coisa mesmo, the real thing".
02/04/11
Sete pedaços de talento
Cristina Branco é o exemplo perfeito que sem projecção mediática os artistas dificilmente conseguem ser conhecidos e consequentemente esgotarem digressões. O desprezo dos media face à cantora é inexplicável. Não será por ausência de valor, já que é no estrangeiro que reside o seu público. Por definição mais exigente que o nosso. E não foi de estranhar ver não portugueses no S. Luiz para assistirem ao arranque da digressão que tem como suporte Não Há Só Tangos Em Paris. Este acabou por dominar um alinhamento que ainda piscou o olho a Kronos (2009), Ulisses (2005) e outros trabalhos mais antigos. E foi de emoção que se falou na noite de 31/03. Uma Cristina Branco que cruza o fado com outras culturas musicais, como por exemplo os sons quentes da América do Sul ou a canção francesa mais clássica, e que se deixou emocionar quase no limite da lágrima na penúltima canção do alinhamento. O à vontade com que se movimenta no palco a trocar sorrisos com os restantes músicos revela uma comunhão musical bem enraízada. A dada altura surge Mário Laginha para dois temas. Num deles só voz e piano. Fado? Não, mas é o trunfo de Cristina Branco: o efeito surpresa numa carreira já longa mas ainda com muito para dar ao seu público. E para quando o reconhecimento mais do que merecido em Portugal?
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