26/03/11

Potiche - François Ozon

Uma França em clara adaptação aos efeitos do pós-Maio 68. Apesar de já estar a correr o ano de 1977, as mutações sociais, culturais e políticas ainda chocam com os valores rigidos do passado. Suzanne Pujol representa a mulher que reivindica uma posição do mercado do trabalho rejeitando de uma vez por todas um papel meramente doméstico/sexual. O seu marido, dono de uma fábrica de chapéus de chuva, funciona como um obstáculo difícil de ultrapassar. Mas as convulsões na fábrica, fruto da procura dos operários de melhores condições laborais, vai deixar um vazio de poder que tem que ser rapidamente preenchido. É a oportunidade de Suzanne em fazer valer o seu valor até agora camufulado pela regras de uma sociedade vincadamente machista. Os seus filhos são chamados para colaborarem e consigo procuram introduzir as novas tendências culturais de uma França com uma nova mentalidade.

25/03/11

Fonte: the economist

E agora?

Alguém me perguntou se não me fazia subir às paredes ver mais dois portugueses na restrita lista dos homens mais ricos do mundo. Não, não faz já que "dinheiro faz dinheiro", como diz o velho ditado. O que me perturba é ver pessoas a viverem acima das suas reais possibilidades. E serão estas as mais visadas pela crise. E parece-me que são estas que ainda não perceberam que o problema é estrutural e não político. Uma mera mudança de cor do poder vai ter impacto zero nas medidas de austeridade que terão que ser sustentadas a médio e longo prazo para produzirem os efeitos desejados. As crises por vezes servem para mudar mentalidades. E seria positivo uma mudança no nosso país.

21/03/11

Em escuta


Olha, és o penso na ferida
Tão pisada e dorida
Que ainda trago no peito
Sem fechar, sem sarar,
E que nega o simples direito
De ir à minha vida
E virar esta página amarga e rompida

Carlos Tê

09/03/11


06/03/11

Paulo Branco + David Cronenberg + Don DeLillo

Numa entrevista ao DE (04/03), Paulo Branco referiu que o novo filme de David Cronenberg vai arrancar já em Maio. Foi o realizador português que sugeriu, depois de ter adquirido os direitos do livro de Don DeLillo Cosmopolis, o projecto, ficando a produção deste a seu cargo. Uma boa notícia para o cinema português em termos de projecção internacional.

05/03/11

Carnaval para todos


Rango - Gore Verbinski

Não será certamente fácil explicar o porquê de gostarmos de personagens loosers, ainda para mais quando as mesmas optam pela via do heroísmo sem queda para tal. O que é certo é que no fim torcemos por elas. E torcemos claro por Rango um camaleão de cativeiro que por força do destino se vê perdido num deserto cheio de ameaças e armadilhas mortais. A sua boa vontade aliada a um conjunto de valores éticos surgem como elementos motivadores para levar a cabo afinal uma missão para salvar uma vila à beira do desaparecimento.
Mais uma vez uma obra de animação direccionada para adultos. Por detrás de Rango existem mensagens fortes como o dogma capitalista do progresso e a sua incompatibilidade em preservar o presente. O moldar, a adaptação do presente face à dinâmica da mudança não tem que passar obrigatoriamente pela exclusão do agora.

02/03/11

Recuperar o Calvinismo?

A publicidade ainda nos consegue surpreender. Neste caso concreto a mensagem é bem clara: inovar para potenciar oportunidades. Para isso é necessário trabalho, esforço e perserverança. Numa sociedade onde a cultura do crédito está bem enraizada, a Accenture parece querer antecipar o renascimento do paradigma no qual para sobreviver o esforço prevalece sobre o ócio.

Em escuta