
"O carácter é como uma árvore e a reputação como a sua sombra. A sombra é aquilo que nós pensamos do carácter de alguém e a árvore é a coisa mesmo, the real thing".
29/12/11
28/12/11
Personagem do ano
É em Tree Of Life que encontramos aquela que é para o autor deste blog a personagem do ano: Mrs. O´Brien. E não se trata de um escolha assente num mero critério estético. Embora seja indiscutível que se trata de uma mulher onde a beleza é irradiada por todos os seus poros. Mas o que interessa aqui é a sua relação com o espaço familiar e a sua coabitação com um marido autoritário, uma fonte de poder.Mrs. O´Brien vive no plano da graça, do amor. E procura incutir esses princípios aos seus filhos. Ela é a mãe que abraça, que verte ternura, que acalma. Não é um livro normativo que apenas despeja regras de conduta. Esse papel cabe ao seu marido. Ela é a mãe que temos o direito de desejar, mas que por vezes escasseia. Dá vontade de perguntar: existiram outras personagens este ano?
Melancolia - Lars Von Trier
Duas personagens ligadas por laços de sangue vivem em realidades diferentes até ao momento em que são confrontadas com um destino comum. Destino esse que nos é apresentado logo na fase inicial do filme. Como se Lars Von Trier quisesse de imediato começar pelo fim do "livro". O importante aqui é analisar o comportamento das suas personagens principais quando o inevitável está prestes a acontecer.Justine: está a um passo de entrar no equilíbrio emocional proporcionado pelo casamento. Durante a celebração é promovida profissionalmente. Tudo está encaixado. Mas Justine tem uma personalidade encostada ao abismo. As suas transições emocionais são de uma rapidez alucinante. E o seu conflito não é com um exterior que nada lhe diz, mas com o seu interior. É aí que Justine é sugada de maneira a ficar sem motivação para dar o salto para o outro lado e explorar o que há de mais positivo. Claire: irmã de Justine. Casada, com um filho. Procura o equilíbrio familar contando para isso com um marido que está sempre do lado da solução. Claire não ignora Justine, e parece perdoar a forma como esta deita fora as oportunidades que a vida lhes dá.
1931-2011
A Toupeira - Tomas Alfredson
Depois de ter realizado um dos melhores, senão mesmo o melhor, filme de vampiros da década dos zeros (Deixa-me Entrar - 2008), T. Alfredson mudou de temática e virou-se para a espionagem. É um retrocesso aos ambientes carregados e cerebrais que caracterizaram os filmes deste género antes de se enverdar pelos exercícios de fogo-de-artifício que tanto agradam ao grande público. Anos setenta, Inglaterra. O clima político gerado pela guerra fria faz das agências de espionagem um instrumento valioso na protecção dos interesses nacionais. Por intermédio de uma fonte não revelada surge a informação de um intruso na alta esfera dos serviços secretos britânicos. E à partida todos são suspeitos. Repare-se no tom acusatório da câmara quando um por um nos mostra os possíveis infiltrados. Abrindo assim um leque bem vasto do alvo a abater. A descoberta fica a cargo de um agente já reformado que com ajuda do passado vai reconstruíndo uma teia de relacionamentos para atingir o seu objectivo.
25/12/11
Filmes como Shame requerem um trabalho de marketing bem cuidado para não passarem ao lado das bilheteiras. O esforço deve ir no sentido de "posicionar a audiência" para uma obra complexa, densa difícil de catalogar. A história centra-se num homem na casa dos trinta viciado em sexo. Em que as mulheres são meros adereços para um fim meramente mecânico. É de hedonismo que se fala e da forma como se lida com a situação. Até agora as criticas têm sido muito positivas. Ainda não tem data marcada para estrear em Portugal. Mas será de visita obrigatória certamente.24/12/11
E a temporada de ténis feminino está a começar mal. Depois de Venus Williams, temos agora Maria Sharapova a desistir do torneio de Auckland que serve de preparação ao primeiro Grand Slam da época na Australia. A razão passa também por uma lesão. Esperemos que não seja grave e que não comprometa a sua presença em Melbourne.
23/12/11
20/12/11
19/12/11
No esquecimento
Um exemplo perfeito, repito perfeito, de um trabalho musical onde os arranjos são o principal foco. No fundo, Fin De Siècle (1998) assenta em canções pop revestidas por arranjos orquestrais. E para completar este momento de classe temos a voz charmosa de Neil Hannon e a sua escrita tão variável como sedutora. O único senão aqui é um certo desequilíbrio em alguns temas que parecem não acompanharem o elenco. Contudo não deixamos de estar perante uma verdadeira jóia musical.
18/12/11
Uma Separação - Asqhar Farhadi
Onde reside a admiração por esta obra? A maneira como Asqhar consegue colar os sub-enredos que vai desenvolvendo ao longo do filme. Acresentando cada vez mais elementos para dificultar a acção das personagens sem nunca criar confusão ao nível narrativo. E no final esses sub-enredos encaixam na perfeição na tal espinha dorsal. Muito bom, mesmo muito bom.
17/12/11
22/12/11
O último filme de espionagem digno desse nome que assisti foi O Bom Pastor (2007) realizado por Robert De Niro. Que nos narra a história do nascimento da CIA. Aqui o enredo centra-se na infiltração um agente soviético nos serviços secretos britânicos. O filme tem sido bem recebido pela critica e surge em algumas listas dos melhores momentos cinematográficos de 2011.
14/12/11
A atribuição de personalidade do ano de 2011 vai para uma abstração. Mais concretamente para um conceito que visa causar ruído no sistema político, económico, social e judicial. Importa questionar qual ou quais os efeitos práticos desse ruído. Terá força suficiente para alterar os rumos dos acontecimentos? Será um contra-poder? Só o tempo dirá qual o motivo desta decisão. Terá sido uma escolha por uma vertente romântica com traços de idealismo? Ou será uma chamada de atenção para uma tendência, ou seja, o protesto como a única arma para equilibrar a balança do poder?
12/12/11
11/12/11
I've found a way to make you
I've found a way
A way to make you smile
I read bad poetry
Into your machine
I save your messages
Just to hear your voice.
You always listen carefully
To awkwards rhymes.
You always say your name.
Like I wouldn't know it's you
At your most beautiful.
REM in AT My Most Beautiful
I've found a way
A way to make you smile
I read bad poetry
Into your machine
I save your messages
Just to hear your voice.
You always listen carefully
To awkwards rhymes.
You always say your name.
Like I wouldn't know it's you
At your most beautiful.
REM in AT My Most Beautiful
10/12/11
No esquecimento
O mundo da música está carregado de injustiças no que respeita às memórias de grandes álbuns. Quando se fala de Prodigy temos Fat Of The Land à cabeça. Um tremendo álbum sem dúvida. Que permitiu à banda sair do anonimato e conquistar mercados e outras franjas de audiência. E se os cépticos na altura os rotularam como "banda da moda", é um facto que nos dias de hoje é impossível ficar indiferente a uma sonoridade que cunhou os anos noventa. Mas ignorar Music For The Jilted Generation é uma lacuna enorme. Do cruzamento entre electrónicas e uma cultura mais tribal nasceram pérolas como Voodoo People ou No Good. É um legado que não merece ser colocado de lado.
Próxima Paragem
Já era um namoro antigo. E quando decidi dar o passo eis que começaram as dificuldades em encontrar um exemplar. Mas a procura deu resultado. Sempre gostei de me debruçar sobre o efeito da psicologia comportamental nas nossas decisões do dia-a-dia. E aqui estuda-se o seu impacto na Economia. Uma ciência social sempre alvo de atenção pela sua importância nas nossas vidas. Deixo aqui o esqueleto do livro.Parte I: Espírito Animal
- A Confiança e os seus multiplicadores
- Justiça
- Corrupção e má-fé
- A ilusão do dinheiro
- Histórias
Parte II: Oito Perguntas e as Respectivas Respostas
- Por que razão as economias entram em depressão?
- Por que razão os banqueiros centrais detêm poder sobre a economia (na medida que o detêm)?
- Por que razão há pessoas que não conseguem arranjar emprego?
- Por que razão há uma solução de compromisso a longo prazo entre a inflação e o desemprego?
- Por que razão poupar a pensar no futuro é tão arbitrário?
- Por que razão os preços financeiros e os investimentos corporativos são tão voláteis?
- Por que razão os mercados imobiliários passam por ciclos?
- Por que razão há pobreza especialmente entre as minorias?
02/12/11
A peça de teatro Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?, em cena no Teatro D. Maria II, é um dos acontecimentos culturais do ano. E a sala cheia atesta o bom gosto que ainda persiste no panorama do consumidor português. Recordo-me do filme, da performance inesquecível de Elizabeth Taylor. E creio que o desafio seria fazer esquecer essa presença. E durante as três horas de peça concentrei-me na actuação de Maria João Luís que interpreta Martha, a mulher insegura e a esposa dominadora. Virgílio Castelo é o seu marido Geroge. Figura que se fixa numa posição de subserviência travando uma batalha interna com a frustração. São três horas de discussão que chega a atingir níveis de adrenalina bem elevados.01/12/11
Sugestão de leitura
Para aqueles que possam estar interessados nesta publicação, já nas bancas por 5€ (caso o euro acabe entretanto são 1000 escudos), deixo aqui os temas em análise. - Crise - Como nos estamos a adapatar aos tempos difíceis;
- Dívida - Como explicar o crescimento da dívida externa nacional desde 1996?
- Banca - Como os bancos ganharam e perderam o poder;
- Portugueses - Gente comum. Pequenas histórias banais...
- Grécia - Superar o passado para enfrentar o futuro;
- Europa - A invenção da Europa;
- Juízes - Juízes, liberdade de associação e sindicatos;
- Tribunais - A Justiça em 2011 não está melhor do que em 2010;
- Hospitais - Um novo modelo de gestão hospitalar;
- Capitalismo -O shopping e a cidade;
- Criação - Crise, crença e criação;
- Democracia - A democracia portuguesa no horizonte da despolitização;
- Fim - O fim dos tempo;
- Eleições - Círculos uninominais: o Parlamento e o povo;
- Escola - Até que ponto há liberdade na liberdade de escolha?
- Islão - as transições políticas no Mundo Arábe;
- Números - População, Justiça, Educação, Saúde, I&D, PIB.
Entrentanto aconselho também um Like na página deles do facebook.
Nota: não, não tenho qualquer comissão nas vendas, nem sequer pertenço à Fundação. Embora claro gostasse de pertencer.
(Ainda) Pelas Serviçais
Aquilo que faz o filme As Serviçais estar uns furos acima da concorrência passa pela foma como consegue construir uma personagem como Skeeter. É ela que irradia empatia ao defender uma causa tão nobre. É com ela que o público se identifica. Não pelo elemento estético, mas pela forma espontânea e despretensiosa como procura atingir os seus objectivos. Hollywood designa este tipo de personagens como "somebody to get behind". Pela forma como conseguem estabelecer uma conexão de empatia com o público. Valorizando assim exponencialmente toda a narrativa.
29/11/11
Até 22/12 - Angariação de livros para crianças do IPO
A Bertrand do Atrium do Saldanha está a convidar os seus clientes para contribuirem para um Natal mais feliz das crianças do IPO. O conceito passa por comprar um livro (ou mais) e colocá-lo ao pé do presépio que está no piso do piano.
Não se pede dinheiro. Apenas aquilo que de melhor existe no mundo para oferecer a alguém: um livro.
Não se pede dinheiro. Apenas aquilo que de melhor existe no mundo para oferecer a alguém: um livro.
28/11/11
Parece que agora o problema já não é só Portugal, Grécia ou Itália. Mas sim o conceito Euro. Tudo o que que esteja associado à moeda europeia tem a credibilidade manchada. Ao contrário dos governos que olham para a fotografia, as agências de rating estão mais avançadas. Olham para o filme e ao vislumbrarem poucas ou nenhumas perspectivas de crescimento protegem os credores para que estes não invistam em activos sem consistência.
27/11/11
Numa perspectiva de imagem cultural, a subida do Fado ao patamar de Património Imaterial da Humanidade é muito positivo. Será uma forma de ultrapassar fronteiras e apresentar algo tão nosso a outros países. Mas a euforia em redor da temática parece roçar o exagero. Numa altura de crise, apetece perguntar se esta decisão vai ter um peso no nosso PIB...
26/11/11
Tree of Life - Considerações (4)
Numa era de downloads é difícil justificar a aquisição comercial de um DVD. Aqui encontramos duas razões muito fortes para ter a edição de Tree Of Life na nossa estante. A primeira, prende-se com a intemporalidade da obra. Embora fixada na década de cinquenta, os seus ensinamentos e reflexões serão sempre válidos. Por muito que avancemos, nunca iremos de prescindir do outro, da nossa capacidade de estabelecer uma relação afectiva. E também difícilmente iremos deixar de questionar a origem de todo o universo. A segunda, o facto de sermos brindados com 15 minutos em jeito de documentário onde algum dos intervenientes oferecem-nos a sua visão dos acontecimentos, bem como uma explicação suscinta da forma pouco convencional como foi construído aquele que é seguramente o melhor filme do ano. E que ficará na vitrine dos filmes obrigatórios para visitar.
23/11/11
Pelas "Serviçais"
Tirar fragmentos de um filme é um exercício bastante agradável. Recuemos até à obra "As Serviçais". Note-se a forma como as designadas criadas investiam de forma positiva nas crianças. Olhos nos olhos faziam o rebento repetir: - Eu sou bonita. Eu sou inteligente. Injectar confiança na sua vertente mais crua. Construir uma personalidade sem fissuras e um ego sólido capaz de gerar um comportamento repleto de confiança. E assim garantir o saber lidar com o desconstrutivismo do elemento troça.
20/11/11
A minha introdução à obra dos Dead Combo está a ser feita através de Lusitânia Playboy (2008). E as minhas expectativas sobre uma banda tão acarinhada pela crítica estão a ser preenchidas. O som das guitarras que se cruzam ora com vocalizações ora com sonoridades além-fronteiras parece funcionar em pleno. Um estilo bastante útil para quando não estamos com paciência para ouvir aquele formato tradicional da canção Pop/Rock. Um antídoto à cena mainstream.
Um daqueles livros que se encontrava no meu pipeline literário. As três hitórias que ocupam as 312 páginas partilham pontos em comum não só em estilo mas também a nível de enredo. Paul Auster consegue agarrar o leitor logo nas primeiras páginas. A forma como introduz logo na fase inicial o factor mistério e enigmático é o ponto forte. E à medida que caminhamos para o final vai-nos crescendo a ansiedade para verificar se o nosso fim concide com aquele escolhido pelo autor. E no final soa a open ending.
18/11/11
17/11/11
16/11/11
As Serviçais - Tale Taylor
Tocar num tema tão complicado como a segregação racial, que marca uma parte considerável da história dos EUA, poderia-nos conduzir a uma obra de lágrima fácil, já que aqui o espectro político é praticamente nulo. Mas tal não acontece. E a "culpa" deve-se à forma como as personagens são aprofundadas permitindo ao espectador mergulhar na sua vida e assim superar com alguma mestria os momentos mais puxadinhos à lágrima. As vicissitudes da vida são para ser aceites sem prolongar em demasia o dramatismo.Skeeter, interpretada por Emma Stone, sai fora do modelo de mulher comum da década de 60. Não procura marido para construir um lar e tornar-se um mero elemento decorativo familiar, concluiu os seus estudos e quer abraçar uma carreira profissional. Criada e educada basicamente por uma criada negra, na realidade um microcosmo do estado de Mississípi, Skeeter propõe-se a escrever um livro na perspectivas das criadas negras que não vêem o seu trabalho reconhecido. Reúne então um conjunto de testemunhos e lança um livro que funcionará como um canal de comunicação de mulheres que devido à sua cor nascem já com o seu destino social predeterminado.
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