29/12/11

09/02



Bom Ano



28/12/11

Personagem do ano

É em Tree Of Life que encontramos aquela que é para o autor deste blog a personagem do ano: Mrs. O´Brien. E não se trata de um escolha assente num mero critério estético. Embora seja indiscutível que se trata de uma mulher onde a beleza é irradiada por todos os seus poros. Mas o que interessa aqui é a sua relação com o espaço familiar e a sua coabitação com um marido autoritário, uma fonte de poder.
Mrs. O´Brien vive no plano da graça, do amor. E procura incutir esses princípios aos seus filhos. Ela é a mãe que abraça, que verte ternura, que acalma. Não é um livro normativo que apenas despeja regras de conduta. Esse papel cabe ao seu marido. Ela é a mãe que temos o direito de desejar, mas que por vezes escasseia. Dá vontade de perguntar: existiram outras personagens este ano?

Melancolia - Lars Von Trier

Duas personagens ligadas por laços de sangue vivem em realidades diferentes até ao momento em que são confrontadas com um destino comum. Destino esse que nos é apresentado logo na fase inicial do filme. Como se Lars Von Trier quisesse de imediato começar pelo fim do "livro". O importante aqui é analisar o comportamento das suas personagens principais quando o inevitável está prestes a acontecer.
Justine: está a um passo de entrar no equilíbrio emocional proporcionado pelo casamento. Durante a celebração é promovida profissionalmente. Tudo está encaixado. Mas Justine tem uma personalidade encostada ao abismo. As suas transições emocionais são de uma rapidez alucinante. E o seu conflito não é com um exterior que nada lhe diz, mas com o seu interior. É aí que Justine é sugada de maneira a ficar sem motivação para dar o salto para o outro lado e explorar o que há de mais positivo. Claire: irmã de Justine. Casada, com um filho. Procura o equilíbrio familar contando para isso com um marido que está sempre do lado da solução. Claire não ignora Justine, e parece perdoar a forma como esta deita fora as oportunidades que a vida lhes dá.
Out Of Past (1947) - Jacques Tourneur

1931-2011

Foi com pesar que recebi a notícia do falecimento de Cheeta. De carácter extrovertido, e com gosto pela pintura, fica para a história por ter sido parceira de Tarzan. Morreu de insuficiência renal na noite de 24/12. Depois de Paul, o polvo adivinho, o mundo voltou a ficar mais pobre.

A Toupeira - Tomas Alfredson

Depois de ter realizado um dos melhores, senão mesmo o melhor, filme de vampiros da década dos zeros (Deixa-me Entrar - 2008), T. Alfredson mudou de temática e virou-se para a espionagem. É um retrocesso aos ambientes carregados e cerebrais que caracterizaram os filmes deste género antes de se enverdar pelos exercícios de fogo-de-artifício que tanto agradam ao grande público.
Anos setenta, Inglaterra. O clima político gerado pela guerra fria faz das agências de espionagem um instrumento valioso na protecção dos interesses nacionais. Por intermédio de uma fonte não revelada surge a informação de um intruso na alta esfera dos serviços secretos britânicos. E à partida todos são suspeitos. Repare-se no tom acusatório da câmara quando um por um nos mostra os possíveis infiltrados. Abrindo assim um leque bem vasto do alvo a abater. A descoberta fica a cargo de um agente já reformado que com ajuda do passado vai reconstruíndo uma teia de relacionamentos para atingir o seu objectivo.

25/12/11

Em escuta



Filmes como Shame requerem um trabalho de marketing bem cuidado para não passarem ao lado das bilheteiras. O esforço deve ir no sentido de "posicionar a audiência" para uma obra complexa, densa difícil de catalogar. A história centra-se num homem na casa dos trinta viciado em sexo. Em que as mulheres são meros adereços para um fim meramente mecânico. É de hedonismo que se fala e da forma como se lida com a situação. Até agora as criticas têm sido muito positivas. Ainda não tem data marcada para estrear em Portugal. Mas será de visita obrigatória certamente.

24/12/11

19/01/12



Can´t explain
Nor can I contain
Control
You have on my soul

It´s all I do
Is baby dream of you
I'm falling down
When you´re around

The Black Keys in The Only One
Fonte: NRP

Por 2010



E a temporada de ténis feminino está a começar mal. Depois de Venus Williams, temos agora Maria Sharapova a desistir do torneio de Auckland que serve de preparação ao primeiro Grand Slam da época na Australia. A razão passa também por uma lesão. Esperemos que não seja grave e que não comprometa a sua presença em Melbourne.

23/12/11

I wanted love
But not for my self
But for the girl
So she could love herself

The Black Keys in Next Girl

Em recuperação



20/12/11

Bom Natal



19/12/11

No esquecimento

Um exemplo perfeito, repito perfeito, de um trabalho musical onde os arranjos são o principal foco. No fundo, Fin De Siècle (1998) assenta em canções pop revestidas por arranjos orquestrais. E para completar este momento de classe temos a voz charmosa de Neil Hannon e a sua escrita tão variável como sedutora. O único senão aqui é um certo desequilíbrio em alguns temas que parecem não acompanharem o elenco. Contudo não deixamos de estar perante uma verdadeira jóia musical.
E com o corpo do ainda pai morno, o filho de Kim Jong-il decidiu de imediato testar misseis antes que alguém o apelidasse de manso. É assumir a presidência da Coreia do Norte em grande estilo. Podem ficar descansado que nada mudará.

18/12/11



Uma Separação - Asqhar Farhadi

O título é a espinha dorsal do novo e premiado filme de Asqhar Farhadi. Nader e Simin são casados há onze anos e pretendem emigrar rumo a outro país com a sua filha. Mas quando chega a documentação para o efeito eis que Nader muda de ideias devido ao seu pai que sofre de alzheimer. Simin opta pelo extremo e pede-lhe o divórcio que é prontamente recusado. A partir daqui saímos da temática principal e entramos a fundo na vida de Nader. Não há tempo sequer para tomarmos partido de uma das partes. Asqhar vai desmontado a sua personagem masculina e complicando-lhe cada vez mais a vida até ao extremo da sua capacidade emocional. O crack acontece quando ao dar banho ao seu pai se desfaz em lágrimas. A partir daqui entra em cena o seu instinto de sobrevivência.
Onde reside a admiração por esta obra? A maneira como Asqhar consegue colar os sub-enredos que vai desenvolvendo ao longo do filme. Acresentando cada vez mais elementos para dificultar a acção das personagens sem nunca criar confusão ao nível narrativo. E no final esses sub-enredos encaixam na perfeição na tal espinha dorsal. Muito bom, mesmo muito bom.

17/12/11

22/12/11

O último filme de espionagem digno desse nome que assisti foi O Bom Pastor (2007) realizado por Robert De Niro. Que nos narra a história do nascimento da CIA. Aqui o enredo centra-se na infiltração um agente soviético nos serviços secretos britânicos. O filme tem sido bem recebido pela critica e surge em algumas listas dos melhores momentos cinematográficos de 2011.

1941-2011

Sodade sodade

Sodade

Dess nha terra Sao Nicolau
Fonte: Time

É preocupante quando somos confrontados com a falta de cuidado do uso da palavra por parte dos nossos media. Veja-se o termo utilizado para expressar o peso da RTP no consumo dos impostos. Come foi o termo escolhido. Termo utilizado nas conversas de cafés e que é aqui replicado para um jornal com responsabilidade na língua portuguesa. Aplaudi o encerramento do pseudo-jornal 24 Horas, e não quero pensar que ficaram resíduos.

14/12/11



A atribuição de personalidade do ano de 2011 vai para uma abstração. Mais concretamente para um conceito que visa causar ruído no sistema político, económico, social e judicial. Importa questionar qual ou quais os efeitos práticos desse ruído. Terá força suficiente para alterar os rumos dos acontecimentos? Será um contra-poder? Só o tempo dirá qual o motivo desta decisão. Terá sido uma escolha por uma vertente romântica com traços de idealismo? Ou será uma chamada de atenção para uma tendência, ou seja, o protesto como a única arma para equilibrar a balança do poder?

12/12/11

Fonte: Time

11/12/11

12/01/12



I've found a way to make you
I've found a way
A way to make you smile

I read bad poetry
Into your machine
I save your messages
Just to hear your voice.
You always listen carefully
To awkwards rhymes.
You always say your name.
Like I wouldn't know it's you
At your most beautiful.

REM in AT My Most Beautiful

10/12/11

Perttu Saksa

Universal of Helsinki

2010

No esquecimento

O mundo da música está carregado de injustiças no que respeita às memórias de grandes álbuns. Quando se fala de Prodigy temos Fat Of The Land à cabeça. Um tremendo álbum sem dúvida. Que permitiu à banda sair do anonimato e conquistar mercados e outras franjas de audiência. E se os cépticos na altura os rotularam como "banda da moda", é um facto que nos dias de hoje é impossível ficar indiferente a uma sonoridade que cunhou os anos noventa. Mas ignorar Music For The Jilted Generation é uma lacuna enorme. Do cruzamento entre electrónicas e uma cultura mais tribal nasceram pérolas como Voodoo People ou No Good. É um legado que não merece ser colocado de lado.

Próxima Paragem

Já era um namoro antigo. E quando decidi dar o passo eis que começaram as dificuldades em encontrar um exemplar. Mas a procura deu resultado. Sempre gostei de me debruçar sobre o efeito da psicologia comportamental nas nossas decisões do dia-a-dia. E aqui estuda-se o seu impacto na Economia. Uma ciência social sempre alvo de atenção pela sua importância nas nossas vidas. Deixo aqui o esqueleto do livro.

Parte I: Espírito Animal
- A Confiança e os seus multiplicadores
- Justiça
- Corrupção e má-fé
- A ilusão do dinheiro
- Histórias
Parte II: Oito Perguntas e as Respectivas Respostas
- Por que razão as economias entram em depressão?
- Por que razão os banqueiros centrais detêm poder sobre a economia (na medida que o detêm)?
- Por que razão há pessoas que não conseguem arranjar emprego?
- Por que razão há uma solução de compromisso a longo prazo entre a inflação e o desemprego?
- Por que razão poupar a pensar no futuro é tão arbitrário?
- Por que razão os preços financeiros e os investimentos corporativos são tão voláteis?
- Por que razão os mercados imobiliários passam por ciclos?
- Por que razão há pobreza especialmente entre as minorias?

Em expectativa



02/12/11



A peça de teatro Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?, em cena no Teatro D. Maria II, é um dos acontecimentos culturais do ano. E a sala cheia atesta o bom gosto que ainda persiste no panorama do consumidor português. Recordo-me do filme, da performance inesquecível de Elizabeth Taylor. E creio que o desafio seria fazer esquecer essa presença. E durante as três horas de peça concentrei-me na actuação de Maria João Luís que interpreta Martha, a mulher insegura e a esposa dominadora. Virgílio Castelo é o seu marido Geroge. Figura que se fixa numa posição de subserviência travando uma batalha interna com a frustração. São três horas de discussão que chega a atingir níveis de adrenalina bem elevados.


01/12/11



Sugestão de leitura

Para aqueles que possam estar interessados nesta publicação, já nas bancas por 5€ (caso o euro acabe entretanto são 1000 escudos), deixo aqui os temas em análise.


  • Crise - Como nos estamos a adapatar aos tempos difíceis;



  • Dívida - Como explicar o crescimento da dívida externa nacional desde 1996?



  • Banca - Como os bancos ganharam e perderam o poder;



  • Portugueses - Gente comum. Pequenas histórias banais...



  • Grécia - Superar o passado para enfrentar o futuro;



  • Europa - A invenção da Europa;



  • Juízes - Juízes, liberdade de associação e sindicatos;



  • Tribunais - A Justiça em 2011 não está melhor do que em 2010;



  • Hospitais - Um novo modelo de gestão hospitalar;



  • Capitalismo -O shopping e a cidade;



  • Criação - Crise, crença e criação;



  • Democracia - A democracia portuguesa no horizonte da despolitização;



  • Fim - O fim dos tempo;




  • Eleições - Círculos uninominais: o Parlamento e o povo;



  • Escola - Até que ponto há liberdade na liberdade de escolha?



  • Islão - as transições políticas no Mundo Arábe;



  • Números - População, Justiça, Educação, Saúde, I&D, PIB.

Entrentanto aconselho também um Like na página deles do facebook.



Nota: não, não tenho qualquer comissão nas vendas, nem sequer pertenço à Fundação. Embora claro gostasse de pertencer.

(Ainda) Pelas Serviçais

Aquilo que faz o filme As Serviçais estar uns furos acima da concorrência passa pela foma como consegue construir uma personagem como Skeeter. É ela que irradia empatia ao defender uma causa tão nobre. É com ela que o público se identifica. Não pelo elemento estético, mas pela forma espontânea e despretensiosa como procura atingir os seus objectivos. Hollywood designa este tipo de personagens como "somebody to get behind". Pela forma como conseguem estabelecer uma conexão de empatia com o público. Valorizando assim exponencialmente toda a narrativa.

29/11/11

Em registo de descoberta



Até 22/12 - Angariação de livros para crianças do IPO

A Bertrand do Atrium do Saldanha está a convidar os seus clientes para contribuirem para um Natal mais feliz das crianças do IPO. O conceito passa por comprar um livro (ou mais) e colocá-lo ao pé do presépio que está no piso do piano.
Não se pede dinheiro. Apenas aquilo que de melhor existe no mundo para oferecer a alguém: um livro.
Love fills our lives when we conquer intellectual illusions and follow our instincts.

Woody Allen in Hannah And Her Sisters

28/11/11



Parece que agora o problema já não é só Portugal, Grécia ou Itália. Mas sim o conceito Euro. Tudo o que que esteja associado à moeda europeia tem a credibilidade manchada. Ao contrário dos governos que olham para a fotografia, as agências de rating estão mais avançadas. Olham para o filme e ao vislumbrarem poucas ou nenhumas perspectivas de crescimento protegem os credores para que estes não invistam em activos sem consistência.

27/11/11

Numa perspectiva de imagem cultural, a subida do Fado ao patamar de Património Imaterial da Humanidade é muito positivo. Será uma forma de ultrapassar fronteiras e apresentar algo tão nosso a outros países. Mas a euforia em redor da temática parece roçar o exagero. Numa altura de crise, apetece perguntar se esta decisão vai ter um peso no nosso PIB...

26/11/11

Tree of Life - Considerações (4)

Numa era de downloads é difícil justificar a aquisição comercial de um DVD. Aqui encontramos duas razões muito fortes para ter a edição de Tree Of Life na nossa estante. A primeira, prende-se com a intemporalidade da obra. Embora fixada na década de cinquenta, os seus ensinamentos e reflexões serão sempre válidos. Por muito que avancemos, nunca iremos de prescindir do outro, da nossa capacidade de estabelecer uma relação afectiva. E também difícilmente iremos deixar de questionar a origem de todo o universo. A segunda, o facto de sermos brindados com 15 minutos em jeito de documentário onde algum dos intervenientes oferecem-nos a sua visão dos acontecimentos, bem como uma explicação suscinta da forma pouco convencional como foi construído aquele que é seguramente o melhor filme do ano. E que ficará na vitrine dos filmes obrigatórios para visitar.

A revisitar



23/11/11

René Magritte

Pelas "Serviçais"

Tirar fragmentos de um filme é um exercício bastante agradável. Recuemos até à obra "As Serviçais". Note-se a forma como as designadas criadas investiam de forma positiva nas crianças. Olhos nos olhos faziam o rebento repetir: - Eu sou bonita. Eu sou inteligente. Injectar confiança na sua vertente mais crua. Construir uma personalidade sem fissuras e um ego sólido capaz de gerar um comportamento repleto de confiança. E assim garantir o saber lidar com o desconstrutivismo do elemento troça.


20/11/11

A minha introdução à obra dos Dead Combo está a ser feita através de Lusitânia Playboy (2008). E as minhas expectativas sobre uma banda tão acarinhada pela crítica estão a ser preenchidas. O som das guitarras que se cruzam ora com vocalizações ora com sonoridades além-fronteiras parece funcionar em pleno. Um estilo bastante útil para quando não estamos com paciência para ouvir aquele formato tradicional da canção Pop/Rock. Um antídoto à cena mainstream.
Um daqueles livros que se encontrava no meu pipeline literário. As três hitórias que ocupam as 312 páginas partilham pontos em comum não só em estilo mas também a nível de enredo. Paul Auster consegue agarrar o leitor logo nas primeiras páginas. A forma como introduz logo na fase inicial o factor mistério e enigmático é o ponto forte. E à medida que caminhamos para o final vai-nos crescendo a ansiedade para verificar se o nosso fim concide com aquele escolhido pelo autor. E no final soa a open ending.

18/11/11

17/11/11

Em expectativa



16/11/11

As Serviçais - Tale Taylor

Tocar num tema tão complicado como a segregação racial, que marca uma parte considerável da história dos EUA, poderia-nos conduzir a uma obra de lágrima fácil, já que aqui o espectro político é praticamente nulo. Mas tal não acontece. E a "culpa" deve-se à forma como as personagens são aprofundadas permitindo ao espectador mergulhar na sua vida e assim superar com alguma mestria os momentos mais puxadinhos à lágrima. As vicissitudes da vida são para ser aceites sem prolongar em demasia o dramatismo.
Skeeter, interpretada por Emma Stone, sai fora do modelo de mulher comum da década de 60. Não procura marido para construir um lar e tornar-se um mero elemento decorativo familiar, concluiu os seus estudos e quer abraçar uma carreira profissional. Criada e educada basicamente por uma criada negra, na realidade um microcosmo do estado de Mississípi, Skeeter propõe-se a escrever um livro na perspectivas das criadas negras que não vêem o seu trabalho reconhecido. Reúne então um conjunto de testemunhos e lança um livro que funcionará como um canal de comunicação de mulheres que devido à sua cor nascem já com o seu destino social predeterminado.