07/07/12

Balanço de Cinema


E após seis meses de cinema diga-se que Shame continua a ser a estrela mais reluzente do panorama cinematográfico. Não constitui uma novidade já que chegou até nós com o rótulo de obra premium. Não conheceu o devido reconhecimento do grande público mas o tema que aborda é demasiado sensível para encher salas. É sem dúvida candidato a filme do ano. Vamos esperar por Amour de Michael Haneke a estrear em Novembro no nosso país para ver se temos concorrência para a segunda etapa de Steve McQueen.


Let´s Talk About Kelvin de Lynne Ramsay não defraudou expectativas. A intensidade dramática imprimida ao longo do filme sem nunca cair no vazio impressionou. De realçar também o papel de Tilda Swinton que acresce qualidade à obra. Conjugação eficaz entre foro narrativo e prestação artística. Respostas sobre o tema? Não. Ficam perguntas.


Do panoram nacional temos Tabu de Miguel Gomes que nos oferece um raro momento de beleza do cinema mais clássico. Diálogos simples numa fase incial para depois mergulhar numa comunicação corporal acompanhada por um narrador que abre o caminho da história. O tema é a memória. A forma como perdura na mente do indíviduo e a sua propriedade de desconhecer fronteiras físicas.

E para finalizar estas escolhas tão pessoais como subjectivas, temos uma verdadeira ousadia com The Artist de Michael Hazanavicius. É a história da passagem do cinema mudo, mas já com nuances sonoras, para o cinema falado e da dificuldade de um actor famoso aceitar e dar o passo para essa mudança. E tudo como se estivéssemos nessa época! Funcionou, mas mais uma vez não vale repetir.

Contrastes

Gosto desta fotografia. Foi tirada na Grécia e faz um olhar crítico da situação que se viveu durante o Europeu de Futebol em que parece que se colocou em pausa a grave crise que tem atingido os países mais periféricos.
O entretenimento tem essa virtude. Desvia as atenções daquilo que são as causas reais que deveriam estar sempre presentes na agenda das sociedade. Não defendo a eliminação do suposto entretenimento que funciona como catalisador de tensões. Mas é difícil compreender como se passa para segundo ou terceiro plano questões de sobrevivência em prol do futebol. Uma verdadeira indústria que desde de há muito esmagou a suposta verdade desportiva. É a ditura das televisões e dos jornais que ditam aquilo que interessa.

Prometheus - Ridley Scott

O ponto mais decepcionante em Prometheus é a sua indefinição relativamente ao caminho a seguir. Claro está que poderíamos estar perante um filme que abordasse dois temas e que no final fizesse o deu devido cruzamento. Mas não. O suposto prelúdio da saga Alian resume-se a uma desorientação total de Ridley Scott. Importa perguntar qual a necessidade de explicar, de introduzir o público na quadrologia Alien. De um ponto de vista artítico, parece que não interessa muito. Existem algumas pontas soltas é certo, mas estas não são impeditas a uma compreensão integral da obra. Agora sob uma vertente comercial sim. Numa época de crise devido a uma quebra cada vez maior do grande público nas visitas ao cinema é justificável. E nada melhor do que envocar uma obra de culto para garantir a devida rentabilidade do investimento. Em relação à performance de bilheteira só no final é que saberemos os números. Mas enquanto obra em si, não se justificava acrescentar algo tão pobre à "Cultura Alien". Ora estamos na esfera do religioso ora estamos a piscar o olho a extraterrestres... Para quê? E o mais grave é a "ameaça" de sequela na parte final. 1/5