25/04/12

Tabu - Miguel Gomes

O cinema português tem uma conotação intelectual que acaba por afastar potenciais espectadores das salas de cinema. E quando falamos de um filme premiado no Festival de Berlim, então damos a machadada final em termos comerciais. Mas a visita a Tabu recomenda-se vivamente. Acima de tudo por ser uma obra que aborda sentimentos que são imunes ao espaço que se ocupa. Por outras palavras, amor, tristeza, saudade nascem em Moçambique mas persistem em Lisboa ligados pela memória e não pelo espaço que os criou.
O filme está dividido em duas partes que se distinguem pelo forma da comunicação. Na primeira, conhecemos Aurora prisioneira da demência e abandonada por uma filha que ilustra a indiferença pelos pais idosos considerados um fardo. A sua única amiga é uma vizinha que lhe dá atenção e mostra preocupação pelo seu estado de saúde. Nesta fase os diálogos baseiam-se na simplicidade que se pretende em personagens que vivem de memórias e de poucas perspectivas em relação ao futuro. Na segunda parte, recuperamos Aurora com o trunfo da beleza proporcionada pela juventude. Estamos em Moçambique prestes a entrar numa convulsão social. Neste ponto temos a linguagem do amor que é o silêncio. A troca de olhares é suficiente para fazer as devidas ligações. A voz do narrador é o instrumento que nos ajuda a viajar pelo interior das personagens e que trilha o caminho pela narrativa. 
Tabu parece obter inspiração na obra de António L. Antunes. A forma como as personagens são aprofundadas, a sua desilusão face ao que não conseguem alcançar, o fardo da ansiedade que carregam nos ombros faz deste filme um momento de rara intensidade. 4/5

21/04/12

Depois de Árvore da Vida

Eis a primeira imagem conhecida do novo filme de Terrence Malick. Apetecia perguntar ser era possível continuar a carreira depois de Tree of Life (2011). Parece que sim. Ainda não tem título nem nome anunciado. Mas fica o mais importante: teremos sucessor do vencedor do Festival de Cannes de 2011.

O regresso de Paul Thomas Anderson

The Master não ficou conluído a tempo de ser apresentado na edição deste ano do Festival de Cannes. Mas não será por isso que ficará a perder em termos de "construção de audiência". O nome do realizador não só é suficientemente forte como também se trata do sucessor da obra-prima Haverá Sangue (2007). Elevando assim ao máximo as expectativas. Em termos temáticos, depois de analisar a relação homem-espaço, Anderson coloca aqui o foco no conflito religioso e o seu impacto na sociedade dos EUA na década de cinquenta.

Cannes 2012

A edição deste ano do Festival de Cannes fica desde de já marcada pelo regresso muito esperado de Michael Haneke. Depois de ter vencido a Palma de Ouro de 2009 com O Laço Branco, Haneke tenta novamente alcançar o prestigiado prémio com Amour que conta com Rita Blanco no elenco.
The Bad and The Beautiful (Vincent Minnelli, 1952)

16/04/12

Em escuta

15/04/12

Fonte: The Economist

14/04/12

19/04

10/05

Alguém me chamou a atenção para o cartaz. Não me cativou até ler o nome de Tim Burton que para não variar chamou o seu núcleo duro de protagonistas, leia-se Johnny Deep e Helena Carter. Dark Shadows é baseado numa ópera gótica de terror que tem como palco os EUA no século XVIII.
A ser uma notícia levada à prática, é uma vitória do estatuto do indivíduo sobre os ensinamentos católicos. A escolha do timing apropriado para deixar a vida deve ser decidida pelo próprio e não por elementos exteriores. Um passo em frente pelo respeito do elemento humano e da sua liberdade de escolha.

27/11

A visita dos Black Keys ao nosso país é uma das melhores notícias musicais do ano. A banda está no auge da sua criatividade, como atestam os seus mais recentes trabalhos. O único senão é o local escolhido para a actuação. O Pavilhão Atlântico não é o espaço natural para o duo. Acima de tudo porque a sua música ainda não está devidamente massificada para captar o interesse de 16 mil almas. A gula comercial dos promotores pode originar um flop de bilheteiras. Pedia-se aqui um Coliseu. Embora perfeito perfeito seria a Aula Magna.  
A possibilidade de uma lei que proíba o acto de fumar no carro com crianças é colocar em causa a responsabilidade dos adultos. O bom senso já não basta. É preciso o carácter punitivo da Lei para que um adulto respeite as regras mais básicas, neste caso de saúde, quando está na presença de uma criança. É claro que uma outra leitura poderá ser feita. A designada caça à multa leva à criação de leis que podem por vezes intervir com os actos mais básicos dos seus cidadãos. Pegando em microcasos e tratá-los como se um padrão se tratasse. 

10/04/12

Regresso


Depois dos rumores, a certeza: os Stones vão entrar em estúdio no próximo mês para gravarem novo material. E se o velho esquema álbum-digressão se mantiver, tudo indica que a celebração dos 50 anos da banda serão passados na estrada. Uma prova de longevidade que merece pois ser saudada. 

08/04/12

Boa Páscoa

In the Land of Blood and Honey - A. Jolie

Angeline Jolie quis ter um início difícil como realizadora ao decidir abordar uma temática tão complexa como o conflito dos Balcãs. Apesar de jogar à defesa ao optar por contar uma história de amor sujeita ao impacto de um conflito militar, não deixa de entrar num capítulo da história que ainda hoje tem repercussões no destino das populações da ex-Jugoslávia. O filme começa por alturas do ínício da guerra provocada pelas aspirações hegemónicas das repúblicas agora orfãs da mão de ferro de Tito. Como peça central temos uma relação amorosa entre uma mulçumana bósnia e um soldado sérvio. A guerra vem deformar a relação entre os dois já que Ajla passa a ser inimiga de Danijel que procura a todo o custo proteger a sua amada. Mas com o evoluir da situação é criado um clima de desconfiança entre ambos que vai enfraquecendo cada vez mais a sua relação. O filme vale pela descrição dos factos já conhecidos pela história. As atrocidades, a desumanização no tratamento dos ex-amigos tudo é retratado como contam os manuais. Não existe aqui uma tentativa de empolar os acontecimentos nem especular sobre determinadas situações. Angeline Jolie amplia, como seria expectável, o tratamento severo dado às mulheres e às crianças. Em todo o caso parece uma estreia bem conseguida. Já que o cruzamento entre factos reais, drama e o amor surgem de forma não saturante. 2/5 

05/04/12

Amigos Improváveis - O. Nakache, E. Toledano

A credibilidade de Amigos Improváveis reside no facto de ser baseado numa história verídica. É esta "caução" que nos obriga a encarar com seriedade a bonita história de dois homens com um passado muito diferente. Caso não, seria mais um filme da industria cinematográfica francesa para ajudar à digestão depois de um típico almoço de domingo.
Philippe pertence à classe alta e procura alguém para o ajudar já que está preso a uma cadeira de rodas. Encontra Driss, um jovem estrangeiro que apenas pretende que lhe assinem a carta para o desemprego. Com o passar dos dias nasce uma cumplicidade única entre os dois homens que nos faz concluir mais uma vez que a reciprocidade humana ultrapassa todas as barreiras. Sejam elas culturais, sociais ou físicas. 2/5