Ao contrário do que é anunciado na sinopse, About Schmidt não é apenas a história de um recém reformado que tenta impedir o casamento da sua filha. É muito mais do que isso. É o retrato de um homem de 67 anos que depois da reforma e da perda inesperada da mulher, falamos de um casamento de 42 anos, se vê confrontado com uma nova realidade. Um espaço sem apoios fisícos e emocionais. A partir daí procura fazer um resumo daquilo que foi a sua vida tendo em vista que irá durar mais alguns anos. Percebe que nada resta e que o significado principal da sua vida assenta na ajuda que presta a um orfão originário de um país subdesenvolvido."O carácter é como uma árvore e a reputação como a sua sombra. A sombra é aquilo que nós pensamos do carácter de alguém e a árvore é a coisa mesmo, the real thing".
31/01/10
Ao contrário do que é anunciado na sinopse, About Schmidt não é apenas a história de um recém reformado que tenta impedir o casamento da sua filha. É muito mais do que isso. É o retrato de um homem de 67 anos que depois da reforma e da perda inesperada da mulher, falamos de um casamento de 42 anos, se vê confrontado com uma nova realidade. Um espaço sem apoios fisícos e emocionais. A partir daí procura fazer um resumo daquilo que foi a sua vida tendo em vista que irá durar mais alguns anos. Percebe que nada resta e que o significado principal da sua vida assenta na ajuda que presta a um orfão originário de um país subdesenvolvido.30/01/10
Invictus - Clint Eastwood
Não é um filme de Clint Eastwood. É antes um registo dinâmico de um pedaço da história da África do Sul. Permite-nos conhecer um pouco daquilo que foi o primeiro ano de Mandela enquanto Presidente. Nesta óptica, agrada a qualquer humano interessado pela história além fronteiras.1994, Nelson Mandela toma posse dos destinos de um país dividido por tensões raciais. A estas se deve uma sociedade desequilibrada em termos de distribuição de riqueza e de recursos. Mandela procura unir o seu país através do Râguebi, um desporto dos brancos que representavam o apartheid. E é através de uma liderança pelo exemplo que o capitão da selecção de Râguebi consegue com que uma equipa completamente desacreditada ganhe o campeonato do mundo em 2005. Uma vitória de um país.
28/01/10
25/01/10
24/01/10
23/01/10
Nas Nuvens - Jason Reitman
Depois da agradável surpresa com Juno, Jason Reitman parece aqui tremer com a expectativa gerada. Procura abordar as necessidades mais primitivas do homem e os factores que coarctam a sua realização. Mas não consegue escapar à previsibilidade e aos tradicionais clichés próprios do tema. Uma armadilha nem sempre fácil de escapar. E Clooney poderia muito bem ser substítuido pelo especialista nesta matéria Richard Gere.Ryan Bingham, o suposto Richard Gere, trabalha para uma empresa que tem como core business rescindir contratos com funcionários dispensáveis. Isso obriga-o a estar constamente em viagens. Experimentando quase diaramente estados de solidão. Disfarçados por mecanismos de defesa sustentados por um descrédito face ao casamento. Entretanto tem uma nova colega encarregue de o acompanhar enquanto estagiária para aprender os ossos do ofício. E pelo meio uma mulher com um estilo de vida aparente que faz abanar a sua estrutura defensiva.
Já lá vão uns anos largos desde da minha última visita a uma sala de Teatro. E o regresso não poderia ter corrido melhor. A temática é deveras apaixonante: a relação intelectual/amorosa de dois grandes pensadores do século XX que será sempre alvo de múltiplas interpretações. E por falar de interpretações, agora no sentido artístico, adorei o desempenho de Ana Padrão. Que soube sempre transmitir a devida emocionalidade à sua personagem. E com um brilho nos olhos viveu as dúvidas, tristezas, afirmações de Hannah Arent. De destacar também a tentativa de cruzar o Teatro, enquanto acto de espectáculo que remonta à idade média, com a linguagem televisiva. Resultou visto que não retirou o espírito da peça. E houve momentos que foi necessário ocultar determinados pormenores. Mais uma vez um excelente regresso ao teatro.
22/01/10
21/01/10
20/01/10
19/01/10
18/01/10
Para breve
E dou por mim a pensar no conceito de anti-herói. E pensar como alguém que quase não me conhece dizer uma coisa dessas. Tenciono explorar o conceito. Anti-herói... Por não fazer a vontade aos outros? Por gostar da minha liberdade? Por não aceitar exercícios de vaidade? Por não gostar de espertos? Por não fazer caso de pressões sociais? É isso ser anti-herói? Ter personalidade própria e não ligar aos outros? Anti-herói, então.
16/01/10
O Laço Branco - Michael Haneke
Michael Haneke referiu numa entrevista que o seu novo filme não é para os actuais espectadores de cinema. Nesta perspectiva, diria que se trata de um anti-filme. É preciso coragem para apresentar 144 minutos de fita a preto e branco e tendo o alemão como língua que dá voz à narrativa. O Laço Branco foi o grande vencedor da última edição de Cannes. E será tudo menos um sucesso comercial.Numa aldeia alemã, pouco tempo antes de estalar a I Guerra Mundial, o sossego característico de um ambiente austero e ascético é colocado em causa quando começam a decorrer com frequência acidentes com cariz de crime. As crianças são o centro das atenções. A sua relação com o exterior representado pelos seus pais gera um clima de violência física e verbal. Toda a inocência inerente à figura da criança não existe nesta aldeia. Os princípios morais incutido são tábua rasa nas suas acções. A partir de certa altura todos são suspeitos mas a guerra faz que seja passada uma esponja no sucedido.
12/01/10
11/01/10
As relações sociais - o «mundo», no sentido religioso da expressão - são tentações, pois, não só como lugar da sensualidade eticamente irracional que distrai inteiramente do divino, mas mais ainda como lugar do contentamento presunçoso com o desempenho dessas obrigações costumeiras do homem religioso médio, à custa da concentração exclusiva do procedimento nas obras activas da redenção.
Max Weber in Sociologias das Religiões
Max Weber in Sociologias das Religiões
09/01/10
Já há algum tempo que um anúncio não me surpreendia tanto pela positiva como este da Renault. O futuro chegou e a indústria automóvel faz parte desse futuro. Os carros eléctricos tomarão em breve conta das estradas de todo o mundo. Uma mensagem transmitida de uma maneira muito forte e persuasiva. E ao mesmo tempo é-nos oferecido um retrato histórico onde encontramos os valores da marca francesa.Um Profeta - Jacques Audiard
Um jovem árabe é condenado a 6 anos de prisão em França. Cedo percebe que ainda não possui os mecanismos que lhe garantam a sobrevivência. Na prisão a divisão faz-se através de franceses "genuínos" e aqueles com descendência árabe. Parece uma exposição micro daquilo que se tornou desde há muito a sociedade francesa. Cheia de fracturas capazes de atingir confrontos violentos nas ruas. Continuando com a nossa personagem. Maki El Djebena faz um pacto com o diabo ao aceitar protecção de um homem muito mais velho e o seu bando em troca de matar outro prisioneiro. A partir daí pode fazer a sua vida. Embora com a condição de moço de recados do seu protector. Com o passar do tempo vai percebendo como funciona o mundo do crime e ele próprio vai tentar crescer e marcar o seu lugar. Save Your Logo
How is the Internet changing the way you think?
O que é pensar? Até que ponto seremos influenciados pelos factores externos que nos rodeiam? Não poderei responder à questão que dá título a este postagem. Mas a internet permitiu-nos ter um papel activo na informação que queremos obter. Deixámos de ser reféns dos telejornais. Que escolhem os temas e impõe a sua sequência. Agora somos nós que escolhemos o género de notícias que queremos aceder e pela ordem que mais desejamos. E não menos importante podemos observar o que se passa no mundo. O nosso jornalismo televisivo ainda não entrou na globalização. Continua demasiado tacanho. É para mim este o sinal mais da internet. Muito há para desenvolver. Talvez com o tempo.
Colecção de filmes
A partir de dia 15/01 até ao dia 28/05 o jornal Público vai disponibilizar todas as 6ªF um filme por apenas mais €1,95. Fica a lista dos filmes escolhidos por ordem de saída.- Juno - Jason Reitman
- Control - Anton Corbijin
- As Confissões de Schmidt - Alexander Payne
- O Escafandro e a Borboleta - Julian Schnabel
- O Meu Tio - Jacques Tati
- Valmont - Milos Forman
- Mysterious Skin - Gregg Araki
- Tess - roman Polanski
- O céu Gira - Mercedes Alvarez
- 2 Dias em Paris - julie Delpy
- Climas - Nuri Bilge Ceylan
- Os Últimos Dias - James Moll
- A Esquiva - Abdellafit Kechiche
- 24 Hour Party People - Michael Winterbottom
- Europa - Lars Von Trier
- Terra da Abundância - Win Wenders
- Intervenção Divina - Elia Suleiman
- A Estação - Thomas McCarthy
- A Criança - Jean Pierre e Luc Dardenne
- As Irmãs de Maria Madalena - Peter Mullan
08/01/10
07/01/10
A Estrada - John Hillcoat
Toda a sobriedade, intensidade e a fé quase inabalável no amor entre pai e filho, nada mais é do que a fidelidade total ao livro de Cormac McCarthy. O filme serve o livro quase em jeito de cópia da escrita para a imagem. Será discutível afirmar que o realizador optou pelo caminho mais correcto. Creio que num processo de adaptação a ideia é não distorcer o espírito da obra. Como fez Fernando Meirelles ao transformar o drama Ensaio Sobre A Cegueira de José Saramago numa autêntica paródia para os tolos sempre sedentos de diversão. Porém, o realizador terá margem de manobra para fazer um apêndice inteligente que poderá funcionar como complemento.A história é tudo menos complexa. Um pai e um filho caminham para o Sul num mundo destruído por uma catástrofe natural. Durante a sua jornada vão encontrando outros homens que também procuram a sobrevivência mas através de práticas extremas como o canibalismo. E o fim do filme é um não fim. Uma réstia de esperança permanece naquele olhar inocente da criança.
05/01/10
04/01/10
1972-2010
03/01/10
02/01/10
28/01
Já sabemos o que Luís Filipe Vieira leu nestes dias de festa: livros sobre o Estado Novo. Quando Portugal dava ao povo o Benfica, leia-se Eusébio, e a Amália para este ficar entretido. O passado é quase sempre uma zona confortável. E nada melhor do que evocar memórias para prolongar e justificar o poder.01/01/10
José Gil faz aqui uma análise à identidade de Portugal. O surpreendente é que a perspectiva é mais psicológica do que filosófica. Termos como neurose, psicose ou transferência abundam no primeiro capítulo dedicado à Subjectividade Perdida. Mas foi a última parte que me provocou uma reacção de discordância. Em A Avaliação e a Identidade, o autor é bastante critico em relação ao designado «homem avaliado», o novo homem do século XXI. Para José Gil é uma forma de excluir e, também, de avaliar à luz de um conjunto de valores homogéneos. Não respeitando assim a diferença própria de cada indivíduo. Outra questão preocupante é o sentimento de inferioridade do homem e de não se sentir nunca à altura das exigências do avaliador.Creio que avaliar é sinónimo de dinamizar um sistema que tende a cair na inércia quando o espaço ocupado é dado como seguro. Faz parte do ser humano resvalar para o desleixo e assumir a sua realidade profissional, e não só, como adquirida. Num ambiente de avaliação é introduzida uma cultura de melhoria constante que benefícia o tecido empresarial e consequentemente a sociedade. Não me parece que exista uma exclusão. Aqueles que são avaliados com notas mais baixas serão alvo de atenção especial para que consigam no ano seguinte atingir os padrões pretendidos. O devir é essencial para o caminhar do progresso. E a avaliação é o motor desse movimento rumo ao futuro.
Nota: obrigado Rita por este livro que me fez companhia na passagem de ano. E que companhia!
O filme da década
O site guardian.uk.co escolheu There will Be Blood de Paul Thomas Anderson como o melhor filme da década. Para muitos deve ser surpreendente. Não é 3D e é filmado de uma forma quase artesanal. Para aqueles que não aderem a modas é uma escolha justa. Uma obra que vale pela sua história, pela sua narrativa. Temos aqui uma montra de valores que sofreram um claro desinvestimento pelas sociedades ditas modernas: preserverança, trabalho, dedicação... O cinema é isto: abordar valores e convidar o espectador à sua reflexão. Um filme construtivo e obrigatório para todos os que gostam do exercício de pensar.
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