31/01/10

Ao contrário do que é anunciado na sinopse, About Schmidt não é apenas a história de um recém reformado que tenta impedir o casamento da sua filha. É muito mais do que isso. É o retrato de um homem de 67 anos que depois da reforma e da perda inesperada da mulher, falamos de um casamento de 42 anos, se vê confrontado com uma nova realidade. Um espaço sem apoios fisícos e emocionais. A partir daí procura fazer um resumo daquilo que foi a sua vida tendo em vista que irá durar mais alguns anos. Percebe que nada resta e que o significado principal da sua vida assenta na ajuda que presta a um orfão originário de um país subdesenvolvido.

30/01/10

Invictus - Clint Eastwood

Não é um filme de Clint Eastwood. É antes um registo dinâmico de um pedaço da história da África do Sul. Permite-nos conhecer um pouco daquilo que foi o primeiro ano de Mandela enquanto Presidente. Nesta óptica, agrada a qualquer humano interessado pela história além fronteiras.
1994, Nelson Mandela toma posse dos destinos de um país dividido por tensões raciais. A estas se deve uma sociedade desequilibrada em termos de distribuição de riqueza e de recursos. Mandela procura unir o seu país através do Râguebi, um desporto dos brancos que representavam o apartheid. E é através de uma liderança pelo exemplo que o capitão da selecção de Râguebi consegue com que uma equipa completamente desacreditada ganhe o campeonato do mundo em 2005. Uma vitória de um país.

A riqueza influencia-nos como água do mar. Quanto mais bebemos, mais sede temos. O mesmo vale para a glória.

Arthur Schopenhauer

28/01/10

René Magritte
No meu caso, ver para crer. Parece algo desajeitado em termos físicos. O iPad tem como objectivo, entre outros claro, substituir o livro. Não quero parecer antiquado mas não me estou a ver. Apenas isso.

25/01/10


24/01/10

O homem escondido é o próprio ser de Deus.

Boeheme
Para 2010 (ainda a falar do novo ano?) é tudo isto que eu vejo. Como podem pessoas fazer planos se tudo permanece tão denso em termos de visibilidade? É o factor ilusão que fala mais alto? Só pode.

Foto: guardian.uk.com

Em leitura


23/01/10

Fonte: timesonline

Nas Nuvens - Jason Reitman

Depois da agradável surpresa com Juno, Jason Reitman parece aqui tremer com a expectativa gerada. Procura abordar as necessidades mais primitivas do homem e os factores que coarctam a sua realização. Mas não consegue escapar à previsibilidade e aos tradicionais clichés próprios do tema. Uma armadilha nem sempre fácil de escapar. E Clooney poderia muito bem ser substítuido pelo especialista nesta matéria Richard Gere.
Ryan Bingham, o suposto Richard Gere, trabalha para uma empresa que tem como core business rescindir contratos com funcionários dispensáveis. Isso obriga-o a estar constamente em viagens. Experimentando quase diaramente estados de solidão. Disfarçados por mecanismos de defesa sustentados por um descrédito face ao casamento. Entretanto tem uma nova colega encarregue de o acompanhar enquanto estagiária para aprender os ossos do ofício. E pelo meio uma mulher com um estilo de vida aparente que faz abanar a sua estrutura defensiva.
Duas rolas te mostrarão
Meus frios restos mortais
E gemendo te dirão:
Esta mulher morreu em lágrimas fatais.

Tchítchikov
Já lá vão uns anos largos desde da minha última visita a uma sala de Teatro. E o regresso não poderia ter corrido melhor.
A temática é deveras apaixonante: a relação intelectual/amorosa de dois grandes pensadores do século XX que será sempre alvo de múltiplas interpretações. E por falar de interpretações, agora no sentido artístico, adorei o desempenho de Ana Padrão. Que soube sempre transmitir a devida emocionalidade à sua personagem. E com um brilho nos olhos viveu as dúvidas, tristezas, afirmações de Hannah Arent. De destacar também a tentativa de cruzar o Teatro, enquanto acto de espectáculo que remonta à idade média, com a linguagem televisiva. Resultou visto que não retirou o espírito da peça. E houve momentos que foi necessário ocultar determinados pormenores. Mais uma vez um excelente regresso ao teatro.

22/01/10

Welsh Open 25/01 - 31/01


21/01/10

Uma das personagens de Alice no País das Maravilhas de Tim Burton. Pouco mais de um mês nos separa de uma estreia já há muito esperada. O mundo imaginário de Alice estará assim novamente à disposição de todos aqueles adeptos da imaginação.

20/01/10

E hoje quando inesperadamente te vi (creio que não me viste ou não reparaste) senti melhor aquela ideia de "morrer é esquecer". Quando um dia a morte me estender a mão vou agarrar-me a essa de ideia de esquecer. Entretanto penso no teu verde capaz de me tornar uma pessoa em paz com o mundo.

19/01/10

Para mim, a questão primordial é saber como passamos o tempo. Devemos aplicar o nosso tempo em coisas de que gostamos, foi por isso que escolhi o cinema.

François Truffaut
E começa a ser habitual ver Maria Sharapova a ficar logo pelo caminho nos torneios mais importantes do ano. Na Austrália ficou-se na 1ª ronda. Efeitos da lesão não será de acordo com o seu preparador físico. Então que seja uma questão de confiança ou de motivação. Sempre será mais fácil superar.

18/01/10

Para breve

O arranque de 2010 dá mostras de um possível ano bem melhor do que o anterior em termos de cinema. A presença de Martin Socorse fundamenta essa ideia. E, como vem sendo habitual, Clint Eastwood também está quase a chegar.
E dou por mim a pensar no conceito de anti-herói. E pensar como alguém que quase não me conhece dizer uma coisa dessas. Tenciono explorar o conceito. Anti-herói... Por não fazer a vontade aos outros? Por gostar da minha liberdade? Por não aceitar exercícios de vaidade? Por não gostar de espertos? Por não fazer caso de pressões sociais? É isso ser anti-herói? Ter personalidade própria e não ligar aos outros? Anti-herói, então.
São apenas dois os aspectos a sublinhar na edição dos Globos de Ouros. A série Mad Men ganhar pelo 3º ano consecutivo o Globo de Ouro e O Laço Branco vencer na categoria de melhor filme estrangeiro. O resto? Inflacionar Avatar enquanto grande obra para render mais uns milhões.

Fonte: Público

16/01/10

O Laço Branco - Michael Haneke

Michael Haneke referiu numa entrevista que o seu novo filme não é para os actuais espectadores de cinema. Nesta perspectiva, diria que se trata de um anti-filme. É preciso coragem para apresentar 144 minutos de fita a preto e branco e tendo o alemão como língua que dá voz à narrativa. O Laço Branco foi o grande vencedor da última edição de Cannes. E será tudo menos um sucesso comercial.
Numa aldeia alemã, pouco tempo antes de estalar a I Guerra Mundial, o sossego característico de um ambiente austero e ascético é colocado em causa quando começam a decorrer com frequência acidentes com cariz de crime. As crianças são o centro das atenções. A sua relação com o exterior representado pelos seus pais gera um clima de violência física e verbal. Toda a inocência inerente à figura da criança não existe nesta aldeia. Os princípios morais incutido são tábua rasa nas suas acções. A partir de certa altura todos são suspeitos mas a guerra faz que seja passada uma esponja no sucedido.

Fonte: Time
E disse-me: - Você ter ar de anti-herói.

14/01/10

Trabalhar é estar alienado a Deus.

Max Weber in Sociologia das Religiões

12/01/10

Em leitura


11/01/10


As relações sociais - o «mundo», no sentido religioso da expressão - são tentações, pois, não só como lugar da sensualidade eticamente irracional que distrai inteiramente do divino, mas mais ainda como lugar do contentamento presunçoso com o desempenho dessas obrigações costumeiras do homem religioso médio, à custa da concentração exclusiva do procedimento nas obras activas da redenção.

Max Weber in Sociologias das Religiões

10/01/10

E ora, ora. A versão cinema de 24 made in Malásia. O protagonista é cara chapada de Jack Bauer. Manoj K. Jayan (apresentações para quê?) interpreta aqui mais um papel da sua célebre carreira. Não vos cheira a Óscar?

Australian Open 18/01 - 31/01


09/01/10

Já há algum tempo que um anúncio não me surpreendia tanto pela positiva como este da Renault. O futuro chegou e a indústria automóvel faz parte desse futuro. Os carros eléctricos tomarão em breve conta das estradas de todo o mundo. Uma mensagem transmitida de uma maneira muito forte e persuasiva. E ao mesmo tempo é-nos oferecido um retrato histórico onde encontramos os valores da marca francesa.

Um Profeta - Jacques Audiard

Um jovem árabe é condenado a 6 anos de prisão em França. Cedo percebe que ainda não possui os mecanismos que lhe garantam a sobrevivência. Na prisão a divisão faz-se através de franceses "genuínos" e aqueles com descendência árabe. Parece uma exposição micro daquilo que se tornou desde há muito a sociedade francesa. Cheia de fracturas capazes de atingir confrontos violentos nas ruas. Continuando com a nossa personagem. Maki El Djebena faz um pacto com o diabo ao aceitar protecção de um homem muito mais velho e o seu bando em troca de matar outro prisioneiro. A partir daí pode fazer a sua vida. Embora com a condição de moço de recados do seu protector. Com o passar do tempo vai percebendo como funciona o mundo do crime e ele próprio vai tentar crescer e marcar o seu lugar.

Save Your Logo

A ideia do Save Your Logo é sensibilizar as marcar que têm um animal ou uma planta como símbolo do seu produto a protegê-lo(a) do perigo de extinção. Como? Libertando uma quantia monetária anual para um fundo encarregue do processo. Na imagem fica a campanha da Lacoste.

Fonte: DE (09/01/10)

How is the Internet changing the way you think?

O que é pensar? Até que ponto seremos influenciados pelos factores externos que nos rodeiam? Não poderei responder à questão que dá título a este postagem. Mas a internet permitiu-nos ter um papel activo na informação que queremos obter. Deixámos de ser reféns dos telejornais. Que escolhem os temas e impõe a sua sequência. Agora somos nós que escolhemos o género de notícias que queremos aceder e pela ordem que mais desejamos. E não menos importante podemos observar o que se passa no mundo. O nosso jornalismo televisivo ainda não entrou na globalização. Continua demasiado tacanho. É para mim este o sinal mais da internet. Muito há para desenvolver. Talvez com o tempo.

Colecção de filmes

A partir de dia 15/01 até ao dia 28/05 o jornal Público vai disponibilizar todas as 6ªF um filme por apenas mais €1,95. Fica a lista dos filmes escolhidos por ordem de saída.

  • Juno - Jason Reitman
  • Control - Anton Corbijin
  • As Confissões de Schmidt - Alexander Payne
  • O Escafandro e a Borboleta - Julian Schnabel
  • O Meu Tio - Jacques Tati
  • Valmont - Milos Forman
  • Mysterious Skin - Gregg Araki
  • Tess - roman Polanski
  • O céu Gira - Mercedes Alvarez
  • 2 Dias em Paris - julie Delpy
  • Climas - Nuri Bilge Ceylan
  • Os Últimos Dias - James Moll
  • A Esquiva - Abdellafit Kechiche
  • 24 Hour Party People - Michael Winterbottom
  • Europa - Lars Von Trier
  • Terra da Abundância - Win Wenders
  • Intervenção Divina - Elia Suleiman
  • A Estação - Thomas McCarthy
  • A Criança - Jean Pierre e Luc Dardenne
  • As Irmãs de Maria Madalena - Peter Mullan
O amor merece comemoração, festejos e partilha. O amor aquece-nos por dentro e faz-nos melhor. Ela passava os dias a sorrir e queria que os outros se sentissem contagiados pelo sorriso dela.

Patrícia Reis in DE (09/01/10)
Fonte: Time

08/01/10

Masters 09/01 - 16/01


07/01/10

E a avaliar pelo cartaz, diria que o início de 2010 vai ser bastante movimentado em termos de cinema. Quantidade não será sinónimo de qualidade. Mas pelo menos existirá algum preenchimento dos espaços extra-laborais.

A Estrada - John Hillcoat

Toda a sobriedade, intensidade e a fé quase inabalável no amor entre pai e filho, nada mais é do que a fidelidade total ao livro de Cormac McCarthy. O filme serve o livro quase em jeito de cópia da escrita para a imagem. Será discutível afirmar que o realizador optou pelo caminho mais correcto. Creio que num processo de adaptação a ideia é não distorcer o espírito da obra. Como fez Fernando Meirelles ao transformar o drama Ensaio Sobre A Cegueira de José Saramago numa autêntica paródia para os tolos sempre sedentos de diversão. Porém, o realizador terá margem de manobra para fazer um apêndice inteligente que poderá funcionar como complemento.
A história é tudo menos complexa. Um pai e um filho caminham para o Sul num mundo destruído por uma catástrofe natural. Durante a sua jornada vão encontrando outros homens que também procuram a sobrevivência mas através de práticas extremas como o canibalismo. E o fim do filme é um não fim. Uma réstia de esperança permanece naquele olhar inocente da criança.

05/01/10

E o frio é uma celebração para estes animais. Aposto que não dormem mal de noite. Nem sonham e nem acordam logo com o sentimento daquilo que mais lhes faz falta. Aposto que não.

Cronenberg já tem marcada a sua próxima etapa no cinema. Está neste momento a trabalhar em The Talking Cure sobre Freud. Não é de estranhar num realizador que sempre se interessou pela condição humana na sua vertente mais psicológica.

04/01/10

1972-2010

A cantora Lhasa de Sela faleceu na passada 6ª feira vítima de cancro. Do pouco que conhecia foi uma artista bem interessante. A causa da morte faz lembrar um cilindro que nos vai apanhando um a um. Soa a crime estarmos vivos. E para acabar com esse crime também temos que seguir as canções de Lhasa.

03/01/10

A alma cansa-se de tudo o que é uniforme, incluindo da felicidade perfeita.

Stendhal

02/01/10

28/01

Antichrist será um dos filmes mais esperados de 2010. Já há algum tempo que não tinhamos tanta polémica em redor de uma obra. Lars Von Trier continua com um tom de desafio. Conseguindo assim manter viva a chama da surpresa. Uma coisa é certa, mais uma vez não existirá consenso.
Já sabemos o que Luís Filipe Vieira leu nestes dias de festa: livros sobre o Estado Novo. Quando Portugal dava ao povo o Benfica, leia-se Eusébio, e a Amália para este ficar entretido. O passado é quase sempre uma zona confortável. E nada melhor do que evocar memórias para prolongar e justificar o poder.

01/01/10

E compreendo cada vez melhor a relação individual que estabeleci com o cinema. Nesta perpectiva, 2010 será mais do mesmo: Eu e o Cinema. O único factor que poderá alterar tal situação será a morte apanhar-me antes do tempo.
Após uma semana de ausência, devido à quadra natalícia, regressa hoje ao canal 2 (21h40) a série Mad Man. Até agora longe de um fenómeno de massas. E esperemos que assim continue.
Fonte: timesonline.uk.com
José Gil faz aqui uma análise à identidade de Portugal. O surpreendente é que a perspectiva é mais psicológica do que filosófica. Termos como neurose, psicose ou transferência abundam no primeiro capítulo dedicado à Subjectividade Perdida. Mas foi a última parte que me provocou uma reacção de discordância. Em A Avaliação e a Identidade, o autor é bastante critico em relação ao designado «homem avaliado», o novo homem do século XXI. Para José Gil é uma forma de excluir e, também, de avaliar à luz de um conjunto de valores homogéneos. Não respeitando assim a diferença própria de cada indivíduo. Outra questão preocupante é o sentimento de inferioridade do homem e de não se sentir nunca à altura das exigências do avaliador.

Creio que avaliar é sinónimo de dinamizar um sistema que tende a cair na inércia quando o espaço ocupado é dado como seguro. Faz parte do ser humano resvalar para o desleixo e assumir a sua realidade profissional, e não só, como adquirida. Num ambiente de avaliação é introduzida uma cultura de melhoria constante que benefícia o tecido empresarial e consequentemente a sociedade. Não me parece que exista uma exclusão. Aqueles que são avaliados com notas mais baixas serão alvo de atenção especial para que consigam no ano seguinte atingir os padrões pretendidos. O devir é essencial para o caminhar do progresso. E a avaliação é o motor desse movimento rumo ao futuro.

Nota: obrigado Rita por este livro que me fez companhia na passagem de ano. E que companhia!

O filme da década

O site guardian.uk.co escolheu There will Be Blood de Paul Thomas Anderson como o melhor filme da década. Para muitos deve ser surpreendente. Não é 3D e é filmado de uma forma quase artesanal. Para aqueles que não aderem a modas é uma escolha justa. Uma obra que vale pela sua história, pela sua narrativa. Temos aqui uma montra de valores que sofreram um claro desinvestimento pelas sociedades ditas modernas: preserverança, trabalho, dedicação... O cinema é isto: abordar valores e convidar o espectador à sua reflexão. Um filme construtivo e obrigatório para todos os que gostam do exercício de pensar.