13/06/12

Cosmopólis - David Cronenberg

Depois de uma experiência menos conseguida em "Um Método Perigoso" (2011), temos David Cronenberg novamente num filme mais físico a lembrar por vezes "Uma História de Violência" (2005). Embora aqui não sejamos surpreendidos com a mesma intensidade, longe disso diga-se. Não por uma quebra criativa do realizador canadiano, mas pela matéria prima utilizada, leia-se o livro de Don DeLillo, que não oferece grande margem de manobra para brilhar no grande écran. Aliás, em caso de escolha recomendamos a leitura do livro na medida em que a imagem nada acrescenta à obra. E, por outro lado, o filme não consegue aflorar a força narrativa que temos em "Cosmopólis" enquanto peça literária. 
Eric Parker, 28 anos, multi-milionário e recém casado decide cortar o cabelo num dia aparentemente igual a tantos outros. Mas à medida que o dia vai decorrendo, é confrontado com vários imprevistos que acabarão por influênciar negativamente o seu futuro. A bordo da sua limousine preenche o tempo a apostar contra o Yene, fazer exames médicos e receber elementos do seu staff. Temos em Eric a encarnação da indiferença humana que apenas se preocupa com os números. Não no sentido de adquirir mais propriedade, já que isso não lhe gera satisfação, mas à procura de viver num tabuleiro de jogo assumindo sempre o risco mais elevado. E com isso entra num processo de desumanização, num mundo virtual. 3/5