15/04/08

Corações - Alain Resnais

O cinema francês parece viver num campeonato à parte no que toca à análise das relações humanas. Pelo menos em comparação com os filmes de Hollywood. A profundidade do sentimento das personagens é um dos pontos mais sólidos que encontramos em filmes como Corações.

Temos assim um conjunto de personagens que têm em comum uma solidão que lhes gera um constante estado de ansiedade. 1) Um casal que vive uma relação conflituosa. Onde verificamos que numa vida a dois é possível experimentar um estado constante de desafecto e de desconsolo. 2) Um homem de meia idade que procura uma relação com a sua colega de trabalho. 3) Uma colega de trabalho que vive numa dialéctica entre o fanatismo religoso e o desejo sexual com traços de sadomasoquismo reprimido. 4) Uma jovem bonita que optou por encontros arranjados pela net para conhecer um companheiro. 5) Um barman viúvo condenado a tratar do seu pai senil e imobilizado.

Nenhum momento do filme convida à lágrima. Todas as cenas parecem produzir um espelho de um determinado momento da vida do espectador. Parece que a busca incessante de uma realidade amorosa, corporal é em tudo semelhante àquela que nos conduz à sobrevivência em quanto seres antropológicos.