"O carácter é como uma árvore e a reputação como a sua sombra. A sombra é aquilo que nós pensamos do carácter de alguém e a árvore é a coisa mesmo, the real thing".
22/02/14
The Wolf Of Wall Street - Martin Scosese
Wall Street, um dos centros financeiros mais influentes nos destinos do mundo, surge aqui revisitado por Martin Scorsese. O pretexto é o livro que oferece o nome ao filme e que foi escrito por um corretor, aqui na figura de Leonardo Di Caprio, que atingiu numa primeira fase o sucesso através da força do ilusionismo dos números e, numa segunda fase, a decadência inerente da riqueza fácil. Uma das questões levantadas seria perceber até que ponto Scorsese conseguiria transmitir a energia quase inesgotável da figura principal do livro de Jordan Belfort. Diga-se que Di Caprio encaixa na perfeição no papel. A sua destreza mental materializada por uma linguagem corporal vencedora permite-nos compreender um pouco melhor a ascenção baseada na venda ilusória de acções altamente rentáveis. Claro está que a figura quase fantasma do regulador facilitou o caminho a este género de figuras cujo os valores éticos estão em paridade com os valores das acções que comercializam.
Seria naturalmente difícil captar o espírito do livro na sua totalidade. Scorsese resolveu focar a lente da câmara na parte mais promissora da carreira de Jordan e não na sua decadência. O que faz com que no final abandonemos a sala com a sensação de que Jordan apenas aproveitou a onda. Mas ao fechar o livro o sentimento é mais cinzento. A reabilitação causada pela dependência da heroína, a destruição da família, o nome manchado, faz-nos repensar as consequências negativas de uma vida de forma e não de conteúdo. 3/5
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