21/04/13

Fonte: the economist
Na minha opinião, o Spotify veio re-colocar uma questão: estará disposta a cultura do grátis abrir uma excepção e aceitar pagar o que consome? O tempo o dirá. Mas fica a atitude. Num site onde encontramos um forte equilíbrio entre histórico e trabalhos recentes, o valor a cobrar pelo que se consome, depois de uma experiência gratuita, assume contornos de simbolismo. Estamos perante uma autência biblioteca musical com uma qualidade sonora irrepreensível. Confesso que nunca fui adepto do descarregamento gratuito de música. Apesar de não me posicionar do lado dos criticos que levantam a voz aos que pensam e fazem de forma diferente, prefiro consumir de forma a não lesar os artistas, os criadores dessa bela arte a que chamamos de música.  

A Caça - Thomas Vinterberg


Thomas Vinterberg oferece-nos aqui um filme que aborda a suspeita e os seus efeitos nefastos quando esta assume uma dimensão macro. Para agravar, a fonte reside numa criança que dispara uma acusação de abuso sexual sobre um adulto. E num ambiente de aldeia marcado pelo conformismo, a noção de justiça é ignorada em nome da histeria social. Mas no final fica a questão e não a resposta que se pretendia.
Lucas, interpretado por Mads Mikkelsen, trabalha numa escola primária em que a relação com as crianças é de manifesta alegria. Existe interacção e uma cumplicidade adulto-criança que nada faz adivinhar o que se segue. Um dia uma das crianças, Klaire, acusa Lucas de lhe ter mostrado as suas partes íntimas. Antes vemos Klara exposta a uma cena de pornografia via net que lhe fica gravada na sua memória, depois vê-se "rejeitada" por Lucas... Por fim a acusação. E é nesta dualidade que vivemos até ao fim do filme. Por um lado, Klaire manipulada pela imagem e pelo sentimento de rejeição, por outro, a inocência de Lucas validada pela câmara. Mas será que a câmara mostra realmente toda a personalidade e vivência de Lucas? Daí sairmos com uma questão e não com uma resposta. 3/5

Fim de férias