"O carácter é como uma árvore e a reputação como a sua sombra. A sombra é aquilo que nós pensamos do carácter de alguém e a árvore é a coisa mesmo, the real thing".
26/07/13
21/07/13
Paixão - Brian La Palma
Um remake de um filme francês (Crime d´Amour - 2010) aqui com uma roupagem para vender nos mercados mais apetecíveis. É a lei do mercado a funcionar e neste espaço de mera opinião não gera anti-corpos. Ainda para mais uma obra que tem pouco de ficcional já que a temática central deve ser tão antiga como a civilização moderna.
Duas mulheres na casa dos trinta disputam uma posição de destaque numa multinacional. O talento parece não ser suficiente para atingirem as suas metas. As estruturas empresarias também premeiam os audaces que através de jogadas menos limpas constroem uma imagem ilusória de competência acima de média. Em Paixão é explorada a vertente sexual, física como alicerce primário para a dispusta pelo poder. As regras do jogos vão-se diluindo ao longo de um filme sempre em crescendo mas que peca por uma parte final algo embrulhada e exagerada que nada acrescenta à essência da obra. Fica como positivo o trabalho das actrizes e a capacidade do suspense até ao final. 3/5
Liberdade
Liberdade, é esta a palavra que me vem à cabeça quando observo esta fotografia. O sentido de individualismo enquanto arma para a felicidade. A não cedência perante os gostos da maioria que com a arrogância e ignorância natural exclui tudo o que lhe parece imperceptível. A alergia ao sentimento de grupo onde impera a uniformidade e em que um "cromo" qualquer dita o que deve ser visto e falado. Prefiro a diversidade, a pluralidade do individual. Mesmo que para isso reduza a esfera do social.
No Nevoeiro - Sergei Loznitsa
Temos aqui a história de uma aldeia da ex-URSS que se vê ocupada pelo exército alemão durante a II Guerra Mundial. Uma pequena bolsa de resistentes procura lutar com essa ocupação não aderindo assim à propaganda nazi que vai ramificando a sua ideologia através da força militar. Sushenya é um dos elementos que procura não ceder aos invasores e acaba por ser a personagem que ilumina a narrativa.
No Nevoeiro existe uma abordagem individual sobre os efeitos de um conflito militar onde a subordinação do mais forte ao mais fraco expõe a natureza humana no seu registo mais primário onde os códigos de ética são aniquilados em nome da sobrevivência. Porém, perante o caos, a ameaça da morte perante o não alinhamento à maioria, temos uma personagem (Sushenya) que funciona como a encarnação dos valores éticos que independentemente do que está em jogo, aqui a vida, sobrevivem perante toda a adversidade. Arriscariamos a dizer que estamos perante uma homenagem a todos os heróis anónimos que recusaram o medo como caução para a traição de todos os seus. 3/5
13/07/13
12/07/13
Lore - Cate Shortland
O designado período de Silly Season tem também sérias influências na sétima arte. Ora filmes de super-heróis, ora filmes de acção inócuos que servem apenas para alimentar conversas de café. E quem não está alinhado com esta entropia mental é alvo de ataque cerrado. Lore não poderia ter surgido em melhor altura. É a antítese de todo um ambiente cinematográfico vazio onde impera uma verdadeira cultura de circo.
Tal como sucede no filme Barbara de Christian Petzold, temos mais uma vez o cinema alemão a revisitar o seu passado. Desta vez regressamos a uma Alemanha do pós-guerra, a viver uma desorientação ideológica e económica com a morte do seu Fürher. O nazismo foi derrotado e é tempo de reorganizar um país num estado de caos. Lore encarna a dinâmica individual que procura a fuga juntamente com os seus irmãos depois da mãe ter fugido devido às suas ligações com o partido nazi. Ao longo do percurso são confrontados com um cenário de medo onde a sobrevivência e o repúdio são os obstáculos mais fortes. Temos assim os resíduos da guerra, como o ódio e a desconfiança, e os seus efeitos na vida de cinco crianças que procuram lutar contra as adversidades sem estarem preparadas para tal. 4/5
01/07/13
Para Além das Colinas - Cristian Mungiu
Depois de ter ganho a Palma de Ouro em 2007 com o seu filme de estreia, seria esperado um sucessor na mesma linhagem narrativa na sua variação mais densa. Em 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias tínhamos o tema do aborto e a sua relação com uma realidade social fechada. O desafio para as personagens estava lançado. O risco de contrariar o tabu ou o aceitar da responsabilidade. Em Para Além das Colinas o tema é a religião enquanto elemento de segurança espiritual e económico mas também como factor de castração nas liberdades individuais.
Num espaço católico marcado por uma igreja mais rígida, vive um bispo e um conjunto de freiras que prestam a sua fidelidade e devoção a Deus. Voichita faz parte desse grupo. Não chegamos a perceber se a sua dedicação assenta numa fé indestrutível ou se está antes numa fase de resignação perante a vida exterior que não correu como o esperado. Aqui mais uma vez as débeis condições económicas de uma Roménia abordada no seu lado mais cru. Depois temos Alina que encerra a contradição religiosa. Regressa da Alemanha para encontrar Voichita e faz tudo para arrancar a sua amiga (e amada?) do seu espaço. A guerra sem quartel para atingir o seu fim só poderia ter um desfecho. 3/5
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