31/01/06

A ouvir

O 2º tema do novo álbum dos Belle & Sebastian The Life Pursuit (2006) é uma pérola. Chama - se Another Sunny Day e causa em mim um estado de bem estar inagualável. Em relação aos restantes temas ainda está tudo muito fresco.

Para uma festa qualquer



Foi na música que Annie encontrou forma de dar a volta ao que lhe sucedeu. Mais precisamente superar a morte de um amigo. Nesta perspectiva, poderíamos cair na tentação de concluir que Annie fica em dívida perante a música. Mas depois de ouvirmos Anniemal (2005) percebemos que é a música que está em débito para com Annie. O seu trabalho de estreia é o resultado feliz de um casamento entre as electrónicas e uma voz límpida e sensual. As letras devem ser inseridas num contexto de puro hedonismo, pois a mensagem é captar e viver o momento. Nada mais. De salientar que este álbum só poderá ser adquirido via importação.

30/01/06

28/01/06

What If

Talvez tenham deixado ao critério de cada um para completar. What If... What if... poderei então escrever outras palavras.

27/01/06

Irrelevâncias

Hoje é o último dia com... Poderei deduzir que daqui a um ano estarei a escrever as mesmas palavras. Tal como daqui a 5, 10 anos... Tudo a partir de uma posição circunfusa por obrigatoriedades incontroláveis.

26/01/06

Esperado

Foi curioso observar como a maior parte da comunicação social desvalorizou a vitória na primeira volta do agora novo Presidente da República Cavaco Silva. A imprensa estrangeira foi mais linear, chamando a atenção para o facto do mesmo ter derrotado 4 candidatos da esquerda. Parece que a hostilidade de Cavaco Silva perante os media portugueses durante os 10 anos de Primeiro Ministro deixou feridas que afinal ainda não estão saradas.

24/01/06

21/01/06

?

Ao observar mais do que uma vez as tarefas do Presidente da República no nosso país concluo que todo este processo democrático para escolher o sucessor de Jorge Sampaio está sobrevalorizado. A última palavra será sempre do Governo. O PR continuará a funcionar como uma personagem estranha aos reais detentores do poder. O termo real aqui abrange não só políticos, mas essencialmente os interesses que correm sempre na mesma direcção, como um rio. Será que um dia a nossa Constituição vai permitir um PR que funcione como uma barragem?

Passo em frente

Creio que o avanço de um país não deve ser apenas medido em números. Geralmente frios e pragmáticos. O respeito pela condição humana deve estar sempre presente nas sociedades. Independentemente da sua religião, cultura... Ao permitir a prática da eutanásia, ao abrigo de algumas condições, a Suiça demonstra que está na linha da frente. O fim do sofrimento deve ser decidido pelo próprio e não por qualquer entidade física ou abstracta. A condição de indivíduo deve preceder a qualquer crença, ideologia, condição social...
"Antes de formularmos a seu respeito um juízo demasiado severo, devemos recordar - nos que destruímos, implacável e totalmente, não apenas animais, como o bisão e o dodó, mas também raças inferiores. Os dasiúros, apesar da sua semelhança com os homens, foram inteiramente aniquilados no decorrer de uma guerra de extermínio empreendida por imigrantes europeus no espaço de cinquenta anos. Seremos tão piedosos que tenhamos o direito de nos lamentar se os marcianos fizerem a guerra movidos pelo mesmo espírito?"

H.G Wells in A Guerra dos Mundos

19/01/06

Match flop


Sou da opinião que os filmes mais recentes de Woody Allen são medianos. Temos sido brindados por películas onde os traços humorísticos conseguem disfarçar argumentos pouco cativantes. Ao ver ontem Match Point fiquei com a sensação que o realizador quis fazer um filme para ser levado a sério. Optou por uma história de amor cujo o desfecho é cruel. Aproveitou também para revelar a sua visão perante a vida, segundo o qual o factor sorte é determinante para o destino do ser humano. Discutível, creio. A história de amor apresentada por Woody Allen já está mais do que explorada, logo o seu desfecho cria um bocejo de indiferença. Nem mesmo as poucas pinceladas de ironia conseguem salvar esta obra. Fraco.

PS: Rita, mil desculpas. Sei que tinhamos combinado... Mas Filipe arranjou bilhetes para a ante - estreia. Gosto muito de ti.

18/01/06

16/01/06

- François Mitterrand: "Guitto, filósofo e homem de fé, dou - lhe dez minutos para me dizer o sentido da vida... Aparentemente, tudo é absurdo. Senão tudo é mistério".
- Guitton: "Sr. Presidente! Para isso são precisas várias horas de relógio!"
- FM: "Não faz mal, concentre - se no essencial... Quero questioná - lo sobre a morte. Não a morte em si, que toda a gente conhece, mas sobre o que há depois da morte".

Fonte: Y (13/01/2006)

14/01/06

Confuso

As duas últimas manchetes do jornal diário 24 horas têm um único destinatário. E também um único fim. O Expresso opta pela resignação e fica ao lado do 24 horas. O Público decidiu na edição de hoje optar por colocar água na fervura ao imputar algumas culpas à PT. Oferecendo à sociedade outra versão dos factos numa altura que esta crucifica Souto Moura. A preocupação da maioria passa por apurar a veracidade da notícia de um jornal que coloca na sua manchete uma notícia grave e por cima desta avisa os leitores para não se esquecerem da sua colecção de pérolas. Julgo que é crucial apurar quem encomendou o escândalo. De quem são as impressões digitais? É fundamental escavar até ao fundo. Caso não, assuntos como este poderão ser repetidos futuramente. Já agora, será que o 24 horas foi o primeiro jornal escolhido para lançar esta notícia?

12/01/06

Certeiro

A capa do disco de estreia dos Death From Above 1979 causa estranheza. O título do álbum dá por nome de You're A Woman, I'm A Machine, transmitindo uma imagem de crueza. Tanto o grafismo como o baptismo deste trabalho conseguem espelhar eficazmente o género de som que encontramos quando carregamos no play. Tentar encontrar um rótulo para o seu tronco sonoro é tarefa árdua. É preferível ficar no plano do indefinível. Do princípio ao fim a energia está sempre no limite sem tocar na esfera da saturação. Um trabalho que acrescentou algo a 2005.

Para durar


Desde de pequeno que o caminho até Dakar exerce em mim um fascínio difícil de explicar. Ver as motos, os carros a percorrerem aqueles caminhos virgens cria um sentimento de beleza rara. Encontro nessas imagens o equilíbrio perfeito entre a máquina e a natureza.

09/01/06

"Somos máquinas de sobrevivência - veículos robotizados programados cegamente para preservar as moléculas egoístas conhecidas como genes. Isto é uma verdade que ainda me enche de admiração."

Richard Dawkins, The Selfish Gene

08/01/06

Estar on - line

A rapidez com que os media, leia - se televisão/rádio, pegam num tema e depois o fazem desaparecer como se já tivesse resolvido causa arrepios. Principalmente quando estamos na presença de assunto delicados como é o caso da gripe das aves. Quem tem só acesso à televisão/rádio parte do pressuposto que o vírus já é inofensivo. Neste ponto é obrigatório reconhecer a mais - valia dos blocos informativos on - line. Os temas obedecem a um ciclo de vida. Sabemos como nascem, como evoluem e como morrem. Existe um esclarecimento contínuo. Hoje ficámos a saber que na Turquia o vírus mais mortal da gripe das aves já fez vítimas na Turquia. Numa altura em que certos meios de comunicação já tinham convidado para o esquecimento dessa matéria.

Do you feel disappointed?



Foi em 1997 que os U2 apresentaram o tão desejado sucessor de Zooropa (1993), porém Pop deixou um laivo de desilusão. Não que seja um álbum a evitar, mas não está à altura dos trabalhos anteriores. Mas também é um facto que por esta altura tinhamos uns U2 com vontade de arriscar e de testar outra sonoridades que ultrapassassem a sua raíz musical. Ao contrário do que aconteceu posteriormente, isto é, a carreira da banda irlandesa tomou o caminho da resignação.

Apesar de terem prometido voltar às guitarras, a estrutura sonora de Pop está direccionada para uma vertente mais electrónica. A saída do álbum foi adiada várias vezes. Inicialmente prevista para a primavera de 1996, depois para o Outono do mesmo ano, só em março de 1997 é que viu a luz do dia. E pelo que se sabe o que acelerou a sua saída foi o facto da digressão já estar marcada para Abril. Um erro reconhece hoje a banda. Portanto, o início foi conturbado. Uma vez introduzido no leitor verificou - se um desequilíbrio inabitual num trabalho dos U2. Momentos cativantes como Discotheque, Mofo, Miami, contrastavam com momentos menos conseguidos como Do You Feel Loved, Gone ou The Playboy Manson.

Não é de longe obrigatório. Mas é necessário salientar que por alturas de Pop e da respectiva digressão baptizada como Pop Mart Tour, tinhamos uns U2 com vontade de andar para a frente, com uma atitude arrojada perante a música. Actualmente preferem jogar pelo seguro. É pena, pois perdeu - se o efeito surpresa.

04/01/06

Ser Alegre

Chega a causar caridade ouvir os discursos de Manuel Alegre que deverão exercer um efeito nulo junto dos seus ouvintes. A orientação ética da sua mensagem política é grotesca. Será que Alegre já se esqueceu que a ética/moral está de costas voltadas para a política? Será que Alegre já se esqueceu que a credibilidade de um político reside na direcção pragmática da sua mensagem? Parece que sim. Ou então estamos perante um candidato sem a miníma preparação para o papel que ambiciona desempenhar.

0,8%

Pois é, segundo algumas previsões, que não pecam pela falta de credibilidade, infelizmente, fecharemos 2006 com um crescimento de 0,8%. Substancialmente melhor do que os famosos 0,3% do ano anterior. Seremos, entre os 25, aqueles com a menor taxa de crescimento em termos do PIB. Enquanto isso continuamos a perder tempo com questões nacionalistas. Como por exemplo, a chegada dos espanhois à EDP (o MIBEL não supõe interacção entre os dois elementos do designado mercado ibérico?). Ora, se olharmos para fora verificamos que os países, leia - se industrializados/desenvolvidos, são geridos numa base empresarial e não ideológica. Em Espanha gira tudo numa lógica de acrescentar valor, essa lógica permite um crescimento superior a 3%. Em Portugal temos uma lógica reaccionária, sempre a bandeira em primeiro lugar, com essa lógica crescemos a 0,8%. Continuemos, pois então.

PS: não temos um português na Iberdrola de seu nome Pina Moura?

01/01/06

"O que posso esperar de melhor é rever a minha mãe. Em 1981, quando julguei que iria morrer, a única consolação era a de que iria reencontrá-la."

François Mitterrand

Ok 2006

O ano de 2005 não será eliminado da nossa memória. Felizmente ou infelizmente, dependendo do balanço. Em 2006 pensarei de mês a mês, pois, já aprendi que reduz a ansiedade pensar a curto prazo. Espero mais um ano de aprendizagem em todas as vertentes do conhecimento. Ambiciono um ano com música capaz de suscitar em mim um estado de apaziguamento interno. Um 2006 com filmes que me façam reflectir sobre a realidade. E também espero que de uma vez por todas consiga...