25/11/13

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O Conselheiro - Ridley Scott


Para os conhecedores da obra do escritor norte-amaericano Comarc McCarthy fica o aviso para não criarem a expectativa de verem aqui um pedaço da sua obra literária materializada em filme. O argumento é da sua autoria mas é mesmo disso que se trata. Esvaziada a expectativa convém abordar O Conselheiro como um momento de acção realizado por Ridley Scott e com um naipe de actores bem familiares. O submundo da droga é peça central para dar vida a uma história onde a riqueza tem uma base de ilegalidade gerando um clima de risco e de desconfiança constante. Grande parte da acção é concentrada do México onde a lei do estado é substituída pela lei das ruas. A história em si é banal. Vale pelos diálogos marcados por uma óptica calculista da realidade. A violência está longe de ser considerada gratuíta. Para quem conhece McCarthy o final é o esperado, pois este mundo não é para happy endings. 3/5

20/11/13

Em escuta


09/01


A Vida Adèle: capítulos 1 e 2 - Abdellatif Kechiche


Foi necessário aguardar o final do ano para testemunhar se o vencedor da Palma de Ouro de 2013 seria ou não digno desse prémio. E a espera valeu a pena já que temos um digno sucessor de Amour.  A Vida de Adèle... é um momento de rara beleza cinematográfica onde os desejos sexuais e o amor se misturam de forma crua e sem tabus. O desempenho das actrizes, a forma como conseguem verter veracidade no acto da sua representação é avassalador. A relação sexual de duas pessoas do mesmo sexo não é aqui exposta aos tabus religiosos ou sociais da sociedade. Mas sim à natureza na razão da essência preceder a existência. O fantasma de Sarte não só é recuperado mas como também acaba por moldar uma narrativa que trata uma minoria onde a procura para ganhar expressividade no tecido social é irrelevante. O plano sentimental é o mote para o arranque de uma história sobre uma jovem de 15 anos que começa a dar voz aos seus desejos ainda dúbios da sua líbido. O seu Id parece tender para o socialmente correcto mas a sua natureza redirecciona-lhe o desejo para o lado feminino onde experimenta o amor e o sexo em toda a sua plenitude.  
Os planos que captam o amor de duas mulheres, o contacto permanente com a natureza como que a captar o natural despido de preconceitos, a desilusão e as dúvidas inerentes no amor... Tudo condensado em praticamente 3 horas que não se sentem. 5/5

18/11/13

02/01


É sem sombra de dúvida uma das estreias mais aguardadas de 2014. Falamos do novo filme de Steven McQueen que sucede a Shame (2011) e tem sido muito aplaudido pela crítica. Correm rumores de ser um forte candidato aos óscares. A sê-lo será uma novidade num realizador que tem optado por temáticas pouco ou nada atraentes às grandes massas.

16/11/13

Em escuta


12/11/13

La Vénus à la Fourrure - Romani Polanski


É através de um travelling que somos transportados para o palco principal de um filme baseado num romance erótico com uma vertente vincada no sadomasoquismo. Esse palco é o teatro onde duas personagens assumem as rédeas de uma narrativa plena de desafio psicológico. Veja-se a forma como Emmanuelle Seigner vai aos poucos desmontando os desejos que estão no inconsciente de Mathieu Amalric. Roman Polanski procura aqui um diálogo directo entre a sétima arte e o teatro. Por um lado, a dinâmica da acção assegurada por movimentos rápidos da câmara, por outro lado, o espaço curto e plano que obriga a uma deslocação para os diálogos e a linguagem corporal dos actores. A fórmula minimalista resulta em pleno. Uma narrativa rica associada a um desempenho acima da média permite apontar o sucessor de O Deus da Carnifícina como um dos grandes filme de 2013. Sem consenso, provavelmente. Já que o cruzamento de linguagens, leia-se cinema versus teatro, nem sempre é interpretada da mesma forma.
Um encenador, Thomas,  procura uma actriz para levar a cena uma peça baseada no livro La Vénus à la Fourrure. Depois de um dia de ensaios onde ninguém pareceu merecer o papel eis que chega já depois da hora uma mulher, Vanda, algo desajeitada e na casa dos quarenta anos para um audição não prevista. O ensaio começa com Thomas a assegurar as falas masculinas. Vanda é provocadora questionando Thomas por ter escolhido uma obra com um cariz tão sexual. Este defende-se alegando que deu um sentido diferente. Mas com o evoluir dos ensaios percebemos que Thomas viu na peça um repositório dos seus desejos mais obscuros. Ao reescrevê-la fez reflectir a forma como vive a sua realidade exterior. Ao perceber que está perante um homem que recalca uma parte da sua sexualidade, Vanda vai procurar descontruir com astúcia a sua máscara. 4/5

10/11/13

Em escuta


Inside Llewyn Davis - Joel Coen


Joel e Ethan Coen procuram aqui criar um desvio na sua carreira ao abordarem um género de filme que nunca experimentaram. Se a memória não me trai, claro. O caminho escolhido não foi o mais fácil já que optaram por subverter aquilo que é o comum quando se aborda a vida de um músico que conseguiu não só sair do anonimato como também ganhar espessura no estilo musical onde estava filiado. A vida do cantor folk Dave Van Ronk é aqui captada no início da sua carreira e não segue a tradicional linha de ascensão ao estrelato. Não pela sua inexistência, mas pela vontade da dupla de realizadores que preferiu centrar atenções na luta do cantor pela seu reconhecimento musical.
No princípio dos anos sessenta, o estilo musical desginado como folk conhece o seu segundo capítulo de uma história iniciada no arranque do século XX. Designado como um estilo afecto às classes mais pobres e sem pretensões comerciais, privilegia a palavra, a capacidade para contar histórias, o poder de intervenção na consciência cívica. Nesta cultura musical encontramos Dave Van Ronk numa demanda pelo reconhecimento da crítica e do público. O seu mundo são os bares onde espera que um agente o consiga promover para outros patamares. Porém, o caminho é mais espinhoso do que o esperado e parece ser em círculos. O que faltava na sua música nesta fase inicial? Parecia faltar um discurso político capaz de funcionar como um rastilho para uma sociedade norte-americana desiludida com uma guerra onde não encontrava ecos de identificação. O conflito do Vietname pesou na dinâmica social americana. Não é de estranhar que Bob Dylan tenha conseguido agarrar desde logo uma franja importante de fãs pelas suas letras que pareciam dar voz ao descontentamento da sociedade civil. Uma folk inflamada pelo poder da palavra. Dylan fê-lo na perfeição. 3/5