"O carácter é como uma árvore e a reputação como a sua sombra. A sombra é aquilo que nós pensamos do carácter de alguém e a árvore é a coisa mesmo, the real thing".
21/07/13
Paixão - Brian La Palma
Um remake de um filme francês (Crime d´Amour - 2010) aqui com uma roupagem para vender nos mercados mais apetecíveis. É a lei do mercado a funcionar e neste espaço de mera opinião não gera anti-corpos. Ainda para mais uma obra que tem pouco de ficcional já que a temática central deve ser tão antiga como a civilização moderna.
Duas mulheres na casa dos trinta disputam uma posição de destaque numa multinacional. O talento parece não ser suficiente para atingirem as suas metas. As estruturas empresarias também premeiam os audaces que através de jogadas menos limpas constroem uma imagem ilusória de competência acima de média. Em Paixão é explorada a vertente sexual, física como alicerce primário para a dispusta pelo poder. As regras do jogos vão-se diluindo ao longo de um filme sempre em crescendo mas que peca por uma parte final algo embrulhada e exagerada que nada acrescenta à essência da obra. Fica como positivo o trabalho das actrizes e a capacidade do suspense até ao final. 3/5
Liberdade
Liberdade, é esta a palavra que me vem à cabeça quando observo esta fotografia. O sentido de individualismo enquanto arma para a felicidade. A não cedência perante os gostos da maioria que com a arrogância e ignorância natural exclui tudo o que lhe parece imperceptível. A alergia ao sentimento de grupo onde impera a uniformidade e em que um "cromo" qualquer dita o que deve ser visto e falado. Prefiro a diversidade, a pluralidade do individual. Mesmo que para isso reduza a esfera do social.
No Nevoeiro - Sergei Loznitsa
Temos aqui a história de uma aldeia da ex-URSS que se vê ocupada pelo exército alemão durante a II Guerra Mundial. Uma pequena bolsa de resistentes procura lutar com essa ocupação não aderindo assim à propaganda nazi que vai ramificando a sua ideologia através da força militar. Sushenya é um dos elementos que procura não ceder aos invasores e acaba por ser a personagem que ilumina a narrativa.
No Nevoeiro existe uma abordagem individual sobre os efeitos de um conflito militar onde a subordinação do mais forte ao mais fraco expõe a natureza humana no seu registo mais primário onde os códigos de ética são aniquilados em nome da sobrevivência. Porém, perante o caos, a ameaça da morte perante o não alinhamento à maioria, temos uma personagem (Sushenya) que funciona como a encarnação dos valores éticos que independentemente do que está em jogo, aqui a vida, sobrevivem perante toda a adversidade. Arriscariamos a dizer que estamos perante uma homenagem a todos os heróis anónimos que recusaram o medo como caução para a traição de todos os seus. 3/5
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