Where were you when I laid the earth's foundation ... while the morning stars sang together and all the sons of God shouted for joy?
Book of Job
"O carácter é como uma árvore e a reputação como a sua sombra. A sombra é aquilo que nós pensamos do carácter de alguém e a árvore é a coisa mesmo, the real thing".
25/09/11
Tree of Life - Considerações (2)
A rigidez dos papeis pai-mãe foi alvo de algumas criticas que parecem carecer de fundamento. Tomando em consideração que Terrence Malick captou a década de cinquenta, faz todo o sentido a organização familiar que nos é apresentada. Até por fazer parte do padrão social dessa altura.Mrs. O´'Brien, Jessica Chastain, desempenha o papel da mãe que oferece aos seus filhos uma visão de amor e entreajuda. Considerada naif pelo marido, desempenha o papel que lhe é exigido. Dona de casa e submissa perante o seu companheiro. Em termos de funcionalidade de obra, é ela que faz a distinção entre a via da Natureza e a via da Graça. Na primeira, cabe aos homens aceitarem os factos da realidade tendo por base um criador que rege o mundo sob uma determinada ordem. E dando um exemplo da aceitação desse ser superior sem colocar em causa essa ordem, veja-se a atitude de Mrs. O'Brien no funeral do filho quando o padre lhe diz "ele agora está nas mão de Deus", ela responde "ele sempre esteve na mão de Deus". Sem dúvida, uma demonstração grandiosa de fé. Na segunda, a via da Graça, entende-se como aquela parte da vida em que o homem intervém e potencia um conjunto de distorções nas traves mestras da criação.
À descoberta de Lídia Jorge
Não julgar um autor, neste caso, uma autora por um simples livro. Uma regra primária. Em todo o caso existem impressões digitais que nos podem dar pistas daquilo que podemos esperar em futuras leituras independentemente da ordem cronológica. Em "Combateremos a Sombra" (2007), temos as personagens apresentadas não em jeito de caricatura, algo que desprezo por não ir de encontro à realidade. E a ficção deve preservar resíduos da realidade que a inspira. Lídia Jorge apresenta um punhado de personagens com a sua devida complexidade criando no leitor a sempre ambicionada incerteza em relação às suas acções. A narrativa onde se "colam" essas personagens não segue uma via esquemática, outra situação que me tira do sério, já que a nosa vida tem tantos precalços que escapa a qualquer régua e esquadro. Sendo a incerteza e a ambíguidade a pulvilhar o enredo da obra citada, Lídia Jorge ganhou com toda a certeza um leitor.
Nota: Rita, obrigado por me teres despertado a curiosidade.
Midnight in Paris - Woody Allen
Depois do fraquinho "Vais conhecer o homem dos teus sonhos", Woody Allen consegue realizar uma obra capaz de conciliar público e crítica. Um feito sempre difícil de alcançar. E fá-lo não por introduzir algo de diferente na sua já extensa filmografia, mas sim por repetir algumas das fórmulas que o tornaram figura de culto na montra dos realizadores.Paris, nos tempos de hoje, é-nos apresentada à maneira de Woody Allen. Os seus traços urbanísticos devidamente vistos à lupa ao som de um jazz que deixa transparecer uma narrativa direccionada para a acção. Um jovem argumentista de cinema decide aventurar-se pela escrita tendo como os anos vinte a sua época predilecta. E já se vê a viver em Paris pacatamente com a sua futura esposa que não vê com bons olhos a situação. Criando desde logo um atrito na relação à boa maneira de Allen, realçando como habitual o seu olhar pessimista nos laços amorosos. E é viajando nessa época dos anos vinte, que Gil percebe que a sua vocação de escritor pode ser real e o seu futuro afinal passar mesmo pela cidade das luzes.
23/09/11
Beginners - Mike Milles
Estará o cinema independente mais próximo da realidade? Repare-se quando no primeiro encontro do futuro casal, ela pergunta-lhe se podem apenas dormir. E ele diz que sim, quebrando todas as expectativas daquilo que o público esperaria. A relação vive sem projecções de felicidade de longo prazo, o dia a dia é vivido com oscilações entre a alegria e a insegurança. Mike Mills recorre vezes sem conta ao flashback para conhecermos a infância de Oliver e os seus efeitos na construção da sua personalidade. Nomeadamente a sua descrença no amor e na sua longevidade. Outro tema interessante em Beginners passa pela evolução da tolerância face às minorias sexuais, o pai de Oliver é homossexual, que desde de meados da década de 70 têm experimentado uma liberdade de movimento cada vez maior.
21/09/11
The Ward - John Carpenter
Falar sobre The Ward é anunciar o regresso do mestre. E desiludam-se todos aqueles que querem saltar do banco do cinema juntamente com o balde de pipocas de 5 Kgs. John Carpenter procura a subtileza sem descurar evidentemente alguns momentos de tensão. Mas o convite é para desvendar uma teia de incógnitas que se vão adensando com o desenrolar do filme. Todas as personagens parecem ter algo a esconder num espaço clássico do cinema deste género, leia-se hospício, e parece que ninguém sairá incólume. Num ponto de vista de obra, não parece de visita obrigatória, mas como falamos do mestre, que tal aparecerem?
19/09/11
Mad Men x 4
Pelo quarto ano consecutivo temos Mad Men a vencer o Emmy de melhor série dramática. Não deixa de ser curioso uma série que provoca um ruído tão fraco nas conversas de café e nas redes sociais dominar desta forma um dos Emmys mais ambicionados. Depois de Sopranos o panorama ficou mais pobre até surgir...03/09/11
O Planeta dos Macacos: a origem - Rupert Wyatt
Aceitar fazer o preâmbulo para um clássico do cinema incute sempre uma responsabilidade acrescida. E sob a batuta de Rupert Wyatt temos uma introdução bastante funcional do histórico Planeta dos Macacos (1968). Não só estabelece pontos de contacto para o passo seguinte como surge despido de artificialidades estéticas, criando assim um efeito de unidade em ambos os filmes.
César de seu nome, nasce num laboratório mas acaba por ser criado em casa de um investigador científico que procura uma cura para doenças degenerativas, como por exemplo alzheimar. Com o passar de tempo é perceptível que César tem capacidades muito avançadas para a sua espécie. E quando um dia ataca um humano é enviado para uma espécie de ZOO onde pela primeira vez contacta outros símios. E a partir daqui, sob o seu comando, dá-se a revolta. O final já todos sabemos, caso não façamos uma viagem até 1968.
Tree of Life - Considerações (1)
A ideia de filmes que crescem dentro de nós encontra o seu auge em "Tree of Life" de Terrence Malick. Não é uma obra imediata capaz de entrar logo no primeiro gole. Longe disso. O vencedor da palma de ouro da edição de Cannes deste ano exige ultrapassar um conjunto de barreiras impostas por um mercado cada vez mais na era digital. Em que a reflexão sobre valores é anulada pela discussão da imagem e do efeito caricatura das personagens. "Tree of Life" assenta unicamente na mensagem, é um filme de texto em que importa apenas e só pensar num conjunto de valores em claro desinvestimento pelas sociedades de hoje.
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