"O carácter é como uma árvore e a reputação como a sua sombra. A sombra é aquilo que nós pensamos do carácter de alguém e a árvore é a coisa mesmo, the real thing".
26/10/13
Pela criatividade de Mad Men
No episódio da semana passada de Mad Men (season VI), tivemos a oportunidade para perceber mais uma vez o seu elevado sentido de criativade no plano narrativo. Trata-se de uma série que não se fecha no seu espectro ficcional permitindo que certos acontecimentos reais no quadro histórico em que se situa influenciem as personagens e a própria acção. Desta vez tivemos a morte inesperada de Luther King que provocou instabilidade civil e uma onda de emoção pelos EUA. Mad Men não é uma obra hermética. Permite, aceita que factos reais entrem e "dialoguem" com a sua dinâmica. Não é comum assistirmos a esta característica tão singular nas séries de hoje.
Hanna Arend - Margarethe Von Troffa
Hanna Arend ocupa um lugar de relevo na filosofia do século XX. Nomeadamente pelo trabalho que desenvolveu sobre os regimes totalitaristas com especial incidência sobre o nazismo. E ver um filme sobre uma parte da sua vida é esperar uma abordagem unicamente política. Não reduzir claro está a obra num momento mono-temático mas incidir naquilo que foi o ADN existencial da personagem de origem judia. Ao contrário do filme sobre Margaret Thatcher em que a abordagem recaiu sobre a forma como conseguiu marcar a sua posição enquanto mulher, aqui sobe-se a parada mostrando aquilo que de facto interessa a quem tem curiosidade pelo contéudo histórico.
O arranque dá-se com a captura de Adolf Eichmann na Argentina onde estava refugiado desde a capitulação do PNS na Alemanha. Alta patente das SS, Eichmann foi acusado de ser um dos principais responsáveis pela deportação de milhares de judeus para os campos de concentração. Harend, a viver nos EUA, é uma das convidadas para assistir ao julgamento em Israel para depois escrever um artigo a ser publicado na prestigiada revista The New Yorker sobre o acontecimento. E quando a opinião publica esperava um artigo que condene intelectual e moralmente o réu, eis que o resultado final é a construção de um Eichmann não anti-semita mas sim equanto burocrático que cumpriu ordens pela princípio da obediência e não pela hostilidade perante o povo judaico. A posição de Arend valeu-lhe fortes criticas em vários meios da sociedade. O esvaziar ideológico da conduta do ex-nazi e o sublinhar do seu respeito cego pelas ordens acendeu assim uma forte polémica nos meios mais intelectuais. A sua ideia da "banalização do mal" foi um dos seus mais significativos porta-estandartes para o entendimento da questão judaica no seu relacionamento com a ideologia nazi.
Presenciamos aqui um grande filme de um ponto de vista histórico. Verificamos a importância do pensamento, da reflexão perante um momento singular da humanidade. O nazismo é o mote para uma pluralidade de opiniões debatidas em faculdades, revistas, televisões... O único aspecto menor do filme é a forma como é abordada a questão de Martin Heidegger. O autor do Ser e Tempo surge aqui como um nazi, um traidor. Porém, este rótulo não reune consenso. Alguns historiadores defendem que Heidegger, então na casa dos vinte, decidiu difundir os princípios nazis pelos meios académicos para assim ocupar a cátedra de filosofia na faculdade de Friburgo. Mais do que trocar de posição, temos um jovem Heidegger ambicioso que viu no partido que ocupava o poder de então uma oportunidade para ascender na sua carreira. O contexto em que as acções são levadas a cabo nunca pode ser ignorado. 4/5
The big question of the 20th century has not disappeared in the 21st: Who is on the right side of history? Is it liberal democracy, with power growing from the bottom up, hedged in by free markets, the rule of law, accountability and the separation of powers? Or is it despotic centralism in the way of Stalin and Hitler, the most recent, though far less cruel, variant being the Chinese one: state capitalism plus one-party rule?
Fonte: wsj.com
Subscrever:
Mensagens (Atom)



