20/02/10

Em escuta


Um Homem Singular - Tom Ford

Pela apresentação parece um filme direccionado descaradamente para os óscares. As imagens apenas captam os poucos momentos de alegria vividos pelas personagens. E para os óscares haja alegria. Mas nada disso. Estava capaz de escrever que é já uma das pérolas de 2010. Muito bom. Mesmo muito bom. A forma como Tom Ford consegue extrair a melancolia/ansiedade de Colin Firth é avassalador.
Um professor de inglês de meia idade perde o seu companheiro num trágico acidente de viação. Na sequência dessa perda apaga-se o seu desejo de viver. Tudo passa por um sacrifício e os traços de se transformar num suicida em potência ganham contornos cada vez maiores. A sua mente está no passado. Tudo são recordações de um tempo balizado no amor. Entretanto um aluno seu demonstra um interesse crescente na sua pessoa. E uma luz parece começar a brilhar.

Um Homem Sério - Ethan e Joel Coen

Temos novamente os irmãos Coen a explorarem a comédia negra onde a ironia surge como que um acessório capaz de criar o conflito necessário para desenvolver a acção. Nada de novo, portanto. E parece ser uma obra mediana onde as expectativas são devidamente cumpridas. O que temos aqui em termos de mensagem é que seguir um conjunto de valores expectáveis pela sociedade não é sinónimo de ser recompensado. Uma lição nem sempre dada nos bancos da escola.
Larry Gopnik vive numa comunidade judaica e desempanha ao limite aquilo que são os padrões comportamentais esperados pelos outros membros. A uma dada altura o seu mundo é fortemente abalado. Desde do pedido de divórcio da sua esposa à tentativa de suborno por parte de um aluno seu que chumbou no semestre. É o colapso integral de uma conduta que previa precisamente o contrário. Para conseguir ultrapassar, e também, encontrar respostas ao que lhe está a suceder, recorre à religião cujas respostas mudam de acordo com as realidades apresentadas. Ao que parece o absurdo tem sempre uma racionalidade subjacente.