28/02/10

Fonte: Time

27/02/10

Este pequeno retrato ilustra bem a violência do sismo sentido hoje no Chile. Parece uma imagem de um daqueles filmes de profecias. Não deixa de ser impressionante pensar que neste caso é uma imagem real.

Fonte: Público

De interesse

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Shutter Island - Martin Scorsese

Shutter Island tem o peso da responsabilidade de recuperar rapidamente o investimento feito pelo estúdio. E para isso tem orientação mainstream. Mas observem o nome do realizador: Martim Scorsese. O que significa? Scorsese tem o toque de Midas. A aparente adversidade e responsabilidade de rentabilizar um peça mais comercial do que cultural, não o coibe de incutir o seu cunho enquanto nome respeitado da cena da sétima arte. E assim temos uma obra acima do mediano. De sublinhar a maneira como o espectador é fortemente enganado por duas vezes. Quando pensa que a realidade enquanto real está do lado do agente Teddy Daniels e, na recta final, quando recupera novamente essa noção. Mas a dúvida em saber onde mora a realidade de facto permanece. Assinado: Martim Scorsese.

Mad Men 3ª Temporada - Fox Next

Não foi afinal preciso esperar muito pela terceira temporada de Mad Men. Todas as quartas-feiras às 21h30 podemos desfrutar daquela que é a melhor série do momento. Apesar dos esforços da Fox Next na promoção desta nova temporada, não acredito num sucesso comercial. A sensibilidade está cada vez mais desligada de uma sociedade incapaz de entrar nas personagens.

Em escuta


Fonte: Time

20/02/10

Em escuta


Um Homem Singular - Tom Ford

Pela apresentação parece um filme direccionado descaradamente para os óscares. As imagens apenas captam os poucos momentos de alegria vividos pelas personagens. E para os óscares haja alegria. Mas nada disso. Estava capaz de escrever que é já uma das pérolas de 2010. Muito bom. Mesmo muito bom. A forma como Tom Ford consegue extrair a melancolia/ansiedade de Colin Firth é avassalador.
Um professor de inglês de meia idade perde o seu companheiro num trágico acidente de viação. Na sequência dessa perda apaga-se o seu desejo de viver. Tudo passa por um sacrifício e os traços de se transformar num suicida em potência ganham contornos cada vez maiores. A sua mente está no passado. Tudo são recordações de um tempo balizado no amor. Entretanto um aluno seu demonstra um interesse crescente na sua pessoa. E uma luz parece começar a brilhar.

Um Homem Sério - Ethan e Joel Coen

Temos novamente os irmãos Coen a explorarem a comédia negra onde a ironia surge como que um acessório capaz de criar o conflito necessário para desenvolver a acção. Nada de novo, portanto. E parece ser uma obra mediana onde as expectativas são devidamente cumpridas. O que temos aqui em termos de mensagem é que seguir um conjunto de valores expectáveis pela sociedade não é sinónimo de ser recompensado. Uma lição nem sempre dada nos bancos da escola.
Larry Gopnik vive numa comunidade judaica e desempanha ao limite aquilo que são os padrões comportamentais esperados pelos outros membros. A uma dada altura o seu mundo é fortemente abalado. Desde do pedido de divórcio da sua esposa à tentativa de suborno por parte de um aluno seu que chumbou no semestre. É o colapso integral de uma conduta que previa precisamente o contrário. Para conseguir ultrapassar, e também, encontrar respostas ao que lhe está a suceder, recorre à religião cujas respostas mudam de acordo com as realidades apresentadas. Ao que parece o absurdo tem sempre uma racionalidade subjacente.

19/02/10

1991-2010



Querida Kika,
Não me despedi de ti. Pensei que seria como das outras vezes. O veterinário fazer-te uns exames e mandar-te para casa. Mesmo quando soube que irias ficar internada acreditei que hoje te iriamos buscar. Mesmo sabendo que o teu fim estava próximo. E desde que existem telemóveis que recebi a mensagem mais triste da minha vida: "Já acabou. A Kika faleceu às 8h00". Custa-me que tivesses passado a tua última noite sem nós que sempre te quisemos durante estes anos todos. Num sítio desconhecido com ruídos estranhos. Custa-me acreditar que o meu pressentimento de teres passado a noite acordada esteja certo. Custa-me saber que sofreste nos teus últimos minutos. Sempre adorei as tuas características singulares. Mas nunca concordei com a ideia de partilharmos o mesmo copo de água. Gostava da companhia que me fazias quando ficava até tarde a ver um torneio de snooker ou ténis. Mesmo quando por tua causa não me podia deitar no sofá. Quando cheguei a casa pude finalmente chorar. Como choro agora enquanto me despeço de ti. Nem acredito que te foste embora. A sério. Sempre serás a minha gatinha.

16/02/10

Self-Potrait of You + Me, 2007
Douglas Gordon
O feriado começa com uma notícia inesperada para os apreciadores de cinema. Ao que parece Martin Scorsese tenciona fazer um remake do seu filme Taxi Driver para 2011. Voltará a contar com Robert Del Niro mas o realizador será... Lars Von Trier. Se tal projecto for para a frente nasce a pergunta: qual a liberdade artística que Scorsese vai dar a Von Trier?

Fonte: elpaís.es

15/02/10

The End

E o frio matou-me. Lá se vai a exposição na Gulbenkian, os filmes planeados (nunca se deve planear nada) e não cheguei a terminar o livro de António L. Antunes. Morri devido ao frio. E creio que ainda tinha tanto para fazer. Experimentar sensações, acima de tudo isso. Morri assim congelado como um homem das cavernas. Adeus mundo.

14/02/10

May I invite you to the opera with me, Fräulein Eva?

A primeira biografia académica sobre Eva Braun acabou de ser lançada. Segundo os responsáveis pela obra, o principal objectivo passa por apagar a ideia de que Eva nada mais era do que um elemento decorativo de Hitler. Antes pelo contrário. Simpatizava com a ideologia nazi e foi um poderoso suporte psicológico do seu companheiro.

Fonte: guardian.co.uk

13/02/10

...porque quando uma mulher pergunta a um homem se tem medo do escuro é sinal que quer ficar com ele para sempre, é sinal que quer ficar com ele muito tempo.

António L. Antunes in O Manual dos Inquisidores

Exposição na Gulbenkian (12-02/02-05)

Tem por título A Perspectiva das Coisas: a Natureza-morta na Europa, séculos XVII a XX e é uma exposição destinada a todos os que apreciam este género de pintura. São vários os pintores aqui representados: Courbet, Manet, Dalí... E o espírito deste estilo poderá ser resumido através de um provébio holandês do século XVII: tão depressa belo, tão depressa podre.

Fonte: Público edição de 12/02/2010

12/02/10

Não foi a libertação do medo, mas o equilíbrio do medo, que tornou possível a sobrevivência da nossa civilização.

Golda Maeir, primeira-ministra de Israel (1898-1978)

10/02/10

Canal 2 - 22h43m

Começa hoje a oitava temporada de 24. Depois da anterior ter demonstrado ainda capacidade de surpreender num conceito já alvo de erosão, resta agora verificar se o nível se mantém.

07/02/10

Em escuta


06/02/10


A segunda temporada da genial série Mad Men chegou ao fim. Fazemos votos que a terceira não demore. Já que começou a passar nos EUA há alguns meses atrás. Um hiato que se deseja curto.
- Apetecia-me estar morta apetecia-me que estivéssemos todos mortos

e palavra que há alturas em que pensando bem não deixo de lhe dar razão.

António L. Antunes in O Manual dos Inquisidores

The Men Who Stare at Goats - Grant Heslov

Um grupo de alucinados cria uma divisão de Ordem Jedi no exército norte-americano. A ideia nasce na era pós-Vietname como uma reacção à violência brutal cometida pelos soldados. A partir de agora a força estava na mente. A principal arma assentava na manipulação psicológica. E é este paradigma que um jornalista procura validar durante a última guerra do Iraque. Algumas peripécias fazem esboçar um sorriso. O resto é irrelevante.
A morte do Google em território chinês coloca a questão da liberdade de imprensa num país que se diz inserido na globalização. O Google simboliza liberdade de aprendizagem, alimenta a curiosidade e contribui para uma população mais bem informada. As autoridades chinesas fazem uma leitura diferente. Será que a morte é definitiva?

Foto: Time

05/02/10

Público - 20 livros que marcam o mundo

A partir do dia 11/02 o Público vai disponibilizar por mais €1,95 um livro que teve impacto junto do mundo académico. Por isso, as quintas-feiras serão marcadas por uma ida à banca para comprar o jornal. Aqui ficam os títulos escolhidos:

  • A Origem das Espécies - 11/02
  • A república - 18/02
  • Confissões - 25/02
  • Hamlet - 04/03
  • Utopia - 11/03
  • Discurso do Método - 18/03
  • Apologia de Sócrates e Banquete - 25/03
  • O Contrato Social - 1/04
  • O Príncipe - 08/04
  • Odisseia - 15/04
  • Manifesto do Partido Comunista... - 22/04
  • Os Lusíadas - 29/04
  • Divina Comédia - 06/05
  • Bíblia Sagrada - 13/05
  • Elogio da Loucura - 20/05
  • Alcorão - 27/05
  • Fausto - 03/06
  • A Ética Protestante e o Espírito Capitalista - 10/06
  • Bhagavad-Gita - 17/06
  • Os Discursos que Mudaram o Mundo - 24/06
A irresponsabilidade faz parte do prazer na arte; é a parte que os académicos não sabem reconhecer.

James Joyce

03/02/10

Em escuta


01/02/10

Anticristo - Lars Von Trier

O que é o luto senão uma forma de restruturar uma realidade em que deixa de existir um ente querido? É esta a temática escolhida por Lars Von Trier depois de ter ultrapassado uma depressão profunda. São-nos oferecidas duas vias para o luto. A via emocional, representada pelo ser feminino. Aqui todo o comportamento é manifestamente sentimental. Tristeza, dúvidas e, por fim, o explanar da raiva de quem se sente culpado pela morte do seu filho. A via cerebral, interpretada pelo lado masculino. Tudo tem uma explicação. E o lado racional procura analisar o momento despido de qualquer emocionalidade. Permitindo ultrapassar rapidamente o momento gerador do luto. A auto-mutilação, e aquela que é infligida, dos orgão sexuais é, quanto a mim, o ponto da discórdia. A violência do acto é gélido. Fazendo lembrar aqueles filmes que nos oferecem cenas violentas grátis. Mas outra interpretação pode surgir. Como por exemplo, para quê ocultar os actos físicos quando estes são uma consequência directa de um mau estar mental? A arte não tem que reunir consenso. O objecto pode criar um efeito de beleza ou de desprezo perante o espectador. Fica ao critério de cada um.