30/05/10

Alma Perdida - Sophie Barthes

A ideia é no mínimo original. Um mau estar provocado pela alma resulta na extracção da mesma graças a uma nova técnica que começa a ganhar credibilidade. Como resultado uma maior leveza acompanhada por um esvaziar da personalidade. Esta última situação prontamente resolvida por uma transplante de outra alma à escolha. E desta situação extraída da imaginação vive Alma Perdida onde voltamos a reencontrar Paul Giamatti a interpertar um papel que lhe começa a ser característico. Ou seja, uma personagem numa espécie de crise de meia-ideia em que o desnorte é o resultado mais visível. Decide assim procurar socorro à tal ideia original para ultrapassar uma situação que lhe está a prejudicar a sua vida profissional e pessoal.
Numa votação levada a cabo pela revista Entertainment Weekly, Homer Simpson foi eleito a melhor personagem de ficção em 20 anos. Ficou à frente, por exemplo, de figuras emblemáticas como Tony Soprano ou Jocker.

Fonte: DD

25/05/10


23/05/10

Não consegui disfarçar um sorriso quando ontem assisti à vitória de José Mourinho na Liga dos Campeões Europeus. Não que ligue muito ao futebol. Mas continuo um adepto do treinador português. Talvez porque vou um pouco para além da imagem contruída pelos media de arrogante e petulante. Uma vez ultrapassada essa fronteira encontro uma pessoa inteligente com a qual tenho aprendido alguma coisa.

Eu Sou o Amor - Luca Guadagnino

Finalmente um filme capaz de ombrear com Um Homem Singular de Tom Ford. Temos aqui o cinema explorado nas suas vertentes mais primárias, leia-se narrativa e estética. Qual o público alvo? A geração nascida nos anos 40/50. A única capaz de ter sensabilidade suficiente para assimilar o que está à sua frente. Eu Sou o Amor está fora do seu tempo. Assim faz todo o sentido estar em exibição apenas numa sala em Lisboa. Não há lugar para esta obra italiana nos tempos que correm.
Tudo se passa em Milão, com uma breve passagem por Sanremo e Londres, numa família aristocrática que após a morte do seu patriarca entra em decadência. As dinastias que ficam quebram os laços familiares tradicionais através da traição e da descoberta de orientações sexuais avessas ao valores católicos. O que impressiona em toda a acção é a atenção ao detalhe dos objectos e das personagens. Todos os seus movimentos, mesmo os que são aparentemente insignificantes, são colocados com uma lentidão como que a sublinhar a sua importância vital para o desenrolar dos acontecimentos. Percebesse eu de cinema e daria nota máxima.


22/05/10

Roland Garros (23/05 - 06/06)


Cinélycée

É o nome de um cineclube virtual com mais de 200 títulos de filmes que são autênticos clássicos do cinema. Vai ser introduzido em todas as escolas francesas e fará parte das aulas de Literatura e de História. O objectivo é dar a conhecer aos jovens filmes que pela sua riqueza narrativa e estética poderão introduzir um espírito crítico nas gerações futuras. Uma medida tomada pelo atual presidente da república e que merece um forte aplauso. Numa altura em que a imagem se sobrepõe às ideias é necessário tomar medidas para que o mundo de amanhã não seja governado por fúteis. Pois, dando uma vista de olhos pelas redes sociais, um dos meios de sentir o pulso à diversidade temática social, a esperança morre de vez. O objectivo das mesmas é comentar banalidades que apenas servem para alimentar certos egos. E quem não tem uma conta deixa de existir enquanto ser social. O objectivo é marcar presença e estar sempre de acordo.

Polícia Sem Lei - Werner Herzog

Temos aqui um bom exemplo de como a performance de um actor consegue eliminar o factor vulgar de uma história já tantas vezes explorada. Nicolas Cage surge aqui em grande nível. E é ele que preenche toda a acção. Eva Mendes também dá uma ajuda. Interpreta o papel de prostituta de luxo e funciona como um apoio físico/material à personagem de Cage. Este por sua vez assume o papel de um polícia exemplar num espaço pós - Katrina. Quando procura efectuar um salto para salvar um prisioneiro lesiona as costas e o progonóstico clínico aponta para um problema até ao final da sua vida. A medicação tradicional começa a não dar resposta às dores cada vez mais insuportáveis. E a entrada nas malhas da droga, a solução encontrada para atenuar o sofrimento, altera toda a sua concepção de vida até então exemplar em termos cívicos.

18/05/10


Mother - Bong Joon-ho

A partir de uma certa altura os filhos devem sair sob a alçada da sua mãe. Mesmo que não estejam em condições de o fazer. É uma lei imperativa da vida humana. Em Mother temos o esticar dessa relação devido a um atraso mental pouco profundo de um jovem que parece querer a liberdade, mas ainda não tem as defesas suficientes para viver sem a sua mãe. Esta também parece não querer que o seu rebento se vá embora porque a suceder seria a solidão. Um tema muito comum. Quando recebe a notícia que o seu filho foi acusado de um homicídio tudo faz para provar a sua inocência que para si é mais do que óbvia. Mas o seu amor cego acaba por lhe trazer um forte dissabor.
Le Mépris (1963), Jean-Luc Godard

15/05/10

9 - Shane Acker

É inevitável uma comparação entre 9 e Wall-E. Numa óptica de mera narrativa, claro está. Já que em termos gráficos são mundos opostos. O ponto de partida é um mundo sem vida humana. Embora neste caso tenha sido devido a uma guerra entre o homem e a máquina. Ao contrário do que sucedia em Wall-E, onde os humanos tinham esgotado os recursos naturais que lhes garantiam a sua continuidade. Os únicos sobreviventes aqui são uns simpáticos bonecos artesanais que vivem num pequeno espaço onde a ameaça de uma mistura canina e de máquina parece controlada. Até que aparece 9, cada figura ostenta um número de identificação, que acorda para uma realidade desconhecida e que devido à sua forte curiosidade desperta um inimigo que poderá aniquilar os da sua espécie.
Fonte: Time

14/05/10

1944-2010

Existem um conjunto de pessoas que gosto de ouvir. Não por uma questão de estar ou não alinhado às suas opiniões, nem sequer tenho maturidade para tal, mas porque sempre que as ouço aprendo algo. Saldanha Sanches era uma dessas figuras. Lamento a sua morte.

13/05/10

Estado de alma actual


Filmes da década (3)

A complexidade narrativa e o conjunto de direcções que cada acto pode assumir. Serão sempre estes dois pontos que me recordo quando falo sobre Mulholland Drive de David Lynch. Uma obra fortemente codificada capaz de dar uma dor de cabeça saudável ao espectador. As regras habituais para realizar um filme são aqui desafiadas através de um processo criativo subversivo.

10/05/10

Ao que parece Viggo Mortensen e David Cronenberg vão voltar a trabalhar juntos. Será em The Talking Cure onde o actor de A History of Violence vai interpretar o papel de Sigmund Freud. A história trata da relação tensa entre o pai da psicanálise e Carl Jung.

09/05/10

Aquário - Andrea Arnold

Subúrbios de Inglaterra. Terreno fértil da classe pobre inglesa onde a escola é vista como um lugar de opressão. Por casa reina um ambiente familiar fragmentado sem ligações fortes. E surge Mia de 15 anos, jovem rebelde que procura na dança a sua fuga, o seu destino face a uma realidade cruel para os que são pobres e iletrados. Entretanto a sua mãe arranja um novo namorado que vai passar uma temporada em sua casa. Daqui surge uma certa tensão sexual que vai colocar Mia numa situação constrangedora.

08/05/10

Líbano - Samuel Maoz

Samuel Maoz era um jovem quando participou na invasão de Isarel ao Líbano em 1982. Agora enquanto realizador resolveu revisitar o seu passado e conta-nos um episódio concreto de uma das etapas da sua vida enquanto soldado. Tudo se passa dentro de um tanque partilhado por 4 membros que desde de muito cedo questionam a sua voz de comando. O que revela que num espaço onde o poder é colocado em causa o receio perante o desconhecido toma o controlo da situação e influência o resultado final. Nesse tanque não estão as máquinas frias de matar. Coabitam jovens que não entendem o seu papel. Na sua óptica, estão a ceifar vidas a meros desconhecidos. O termo inimigo parece não ter sido interiorizado. É um filme que questiona o móbil de uma acção militar que marcou a juventude de muitos jovens israelitas.

Em escuta


Enganei-me na opção e proibi comentários às minhas postagens. Como sou estúpido em matéria de informática. Ou então, considerei injusto falar mal só pelo prazer de falar mal do que gosto. Exibir uma postura de contrariedade só por prazer. Se eu tivesse paciência, se soubesse relativizar e ignorar esses comportamentos tão difíceis de rotular, talvez não fosse tão estúpido em matéria de informática.
No mundo atual, onde a falência é seguramente um dos temas predilectos do dia-a-dia, vivemos na expectativa. Olhamos uns para os outros para ver se alguém tem uma solução para resolver esta espiral descendente de negativismo. Por vezes penso em olhar não em busca de uma solução, mas apenas para encontrar um par de braços onde possa encontrar abstracção da realidade.
O nosso passado - aí tendes o que nós somos. Não há outra forma de julgar as pessoas.

Oscar Wilde

Greenberg - Noah Baumbach

De Noah Baumbach guardo como recordação principal A Lula e a Baleia (2005). Filme centrado numa relação pós-divórcio em que as tensões eram tratadas de uma forma dramática mas com alguns rasgos de humor. Nada de extremos, portanto. O mesmo estilo de narração se aplica em Greenberg. Desta vez a atenção recai numa personagem do sexo masculino que chega aos 40 anos com uma filosofia de vida marcada pela não actividade em todos os quadrantes da sua existência. Confrontado com uma depressão, tratada parcialmente num hospital, vai passar uma temporada a casa do seu irmão que se ausenta de férias e deixa apenas o cão e a empregada doméstica. Uma bela jovem na casa dos vinte sem rumo emocional que se interessa pelo neurótico Roger Greenberg.

02/05/10

Saudades

Mr. Hitchcock
Would Like to Say
A Few Words
To You
Inge Landgut in M (1931)

01/05/10

E ao olhar para a capa da revista senti uma forte vontade de a comprar. Não o fiz julgo por uma questão de preconceito. O que é uma atitude de merda.

Em escuta