22/12/05

Vida partida

No final do filme "Broken Flowers" fiquei sem palavras para exprimir uma opinião. Não consigo explicar o porquê. Já lá vão 4 dias e julgo já conseguir dizer algo.

Temos um homem (Billy Murray) já a caminhar para a idade que vive num ambiente solitário. Um ambiente salpicado esporadicamente por relações amorosas de curta duração. A avaliar pelo seu passado já é rotina. Um dia recebe uma carta proveniente de uma paixão antiga. Carta essa sem remetente e que apenas diz que dessa paixão nasceu um filho agora com 19 anos. Nada mais. Não exige nada. Ficamos com a ideia de que o pedaço de papel funciona como um descargo de consciência. Algo que tinha que ser dito. O destinatário da notícia decide por influência de um amigo ir ter com a pessoa e conhecer o filho. O resto é ver.

Fico com a sensação que o filme é para demonstrar apenas que Billy Murray é um dos artistas mais interessantes do momento. A sua postura de indiferença, a sua ironia, o seu olhar triste...chega a apaixonar quem está do outro lado da tela. Em resumo: gostei. Não ficará para a história. Peca pela falta de dinâmica. Falha por viver apenas de uma personagem. Mas diga - se que o final consegue acrescentar valor ao filme. A ver.