30/04/11



Quando me emprestaram torci o nariz. José Rodrigo dos Santos não é uma personalidade com quem simpatizo. Subjectividades, como o nome do blog! Depois da leitura confesso que fiquei bastante agradado. Nunca tinha lido nada sobre Timor, a não ser na comunicação social, e a forma como os acontecimentos são narrados permite-nos entrar numa viagem soft, no sentido de ausência de factos maçadores e com pouco impacto, mas com substância na abordagem à história de Timor entre 1974 até 2002.

26/04/11

Are you alone
Is anybody home?

Stone Roses in Made of Stone

Em escuta



Road To Nowhere - Monte Hellman

Filme dentro de outro filme onde o ambiente geográfico e narrativo nos faz recordar Twin Peaks. Mas aqui o mistério vai sendo rapidamente desvendado para não criar muito suspense e assim escapar ao estereótipo de policial. É preferível o rótulo de obra densa sem uma linha de acção consistente para um fim. A recriação de um crime real é tudo o que pretende o realizador dentro do filme que no entanto desconhece estar prestes a desvendar o verdadeiro móbil do crime. E aqui temos um candidato para a lista dos dez mais do ano.

19/04/11

Em expectativa



Que o seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos.

São Mateus 27:25

17/04/11

Berlim, 1961
Fonte: guardian.co.uk

O Código Base - Duncan Jones

Depois do promissor cartão de visita Moon (2009), esperava-se agora um passo sólido de Duncan Jones de forma a não defraudar todos aqueles que o aplaudiram e que lhe deram a oportunidade de trabalhar com um orçamento mais chorudo. E se essa situação o obrigou a olhar para a bilheteira mas sem se afastar do seu público, também funcionou como desafio no sentido de saber dosear a sua criatividade com outros meios financeiros e técnicos que não dispôs na sua primeira longa metragem. A tentação de optar por efeitos especiais para encher o olho era grande, mas Duncan mostrou que a sua imagem de marca assenta na gestão do efeito surpresa de uma forma elegante. Mesmo quando tudo parece bem encaminhado em termos de linha de raciocínio, e o público contente por presenciar um filme perceptível, eis que tudo se desmorona e as possibilidades tomam conta das certezas.

03/04/11

A moralidade dos gregos, turcos e arménios consiste apenas em ir regularmente à igreja nos dias santos e em quebrar todos os dez mandamentos ao longo da semana. A mentira e a aldrabice são coisas que lhes vêm naturalmente, e que depois vão trabalhando até atingirem a perfeição. Um pai, quando recomenda as qualidades de vendedor do filho a um comerciante, não diz que ele é um bom rapaz, íntegro e moral, ou que vai à cataquese e é muito honesto, mas antes: «este rapaz vale o seu peso em ouro, porque é capaz, note bem, de enganar toda a gente nos negócios, e não há mentiroso com mais talento desde o Egeu ao Mar de Mármara!». Mark Twain in A Viagem dos Inocentes

02/04/11

Fonte: Time

Sete pedaços de talento

Cristina Branco é o exemplo perfeito que sem projecção mediática os artistas dificilmente conseguem ser conhecidos e consequentemente esgotarem digressões. O desprezo dos media face à cantora é inexplicável. Não será por ausência de valor, já que é no estrangeiro que reside o seu público. Por definição mais exigente que o nosso. E não foi de estranhar ver não portugueses no S. Luiz para assistirem ao arranque da digressão que tem como suporte Não Há Só Tangos Em Paris. Este acabou por dominar um alinhamento que ainda piscou o olho a Kronos (2009), Ulisses (2005) e outros trabalhos mais antigos. E foi de emoção que se falou na noite de 31/03. Uma Cristina Branco que cruza o fado com outras culturas musicais, como por exemplo os sons quentes da América do Sul ou a canção francesa mais clássica, e que se deixou emocionar quase no limite da lágrima na penúltima canção do alinhamento. O à vontade com que se movimenta no palco a trocar sorrisos com os restantes músicos revela uma comunhão musical bem enraízada. A dada altura surge Mário Laginha para dois temas. Num deles só voz e piano. Fado? Não, mas é o trunfo de Cristina Branco: o efeito surpresa numa carreira já longa mas ainda com muito para dar ao seu público. E para quando o reconhecimento mais do que merecido em Portugal?