29/06/10

Rumo ao espaço

O que me sempre atraiu na música dos Flaming Lips foi, e continua a ser, o seu rock progressivo. Em cada novo álbum mais do que um momento espera-nos um desafio auditivo. E Embryonic (2009) mantém a tradição.
Quando leio toda aquela conversa sobre ( ) deduzo que a pessoa em questão deveria de abandonar os ácidos. Para além de distorcerem a realidade fazem mal à saúde. ( ) por favor deixa os ácidos.

E não se perde nada, antes pelo contrário

A questão que o 24 horas deveria ter tentado responder seria algo do género: conseguimos influênciar a realidade que abordámos durantes estes 12 anos? O espaço jornalístico respira melhor, com mais qualidade e classe. Hoje foi ceifada uma erva daninha.

28/06/10

Já está anunciada a estreia da 4ª temporada da magnífica série Mad Men. Agora é só esperar que algum canal do pacote clássico da TV Cabo adquira os seus direitos.

27/06/10


26/06/10

Fonte: Time
Alguns entendidos sugerem que o sucesso na política depende do timing. E Passos Coelho encarna na perfeição essa sugestão. Nada fez até à data e já se vê confrontado com sondagens que lhe garantem a maioria absoluta. É o voto de protesto a funcionar, dirão alguns. Não interessa. Sem esforço e lá consegue aquilo que muito políticos no activo não conseguem. Mais do que a capacidade, a máquina de marketing, a clientela que pode satisfazer, é o timing o elemento determinante.
It´s easy to see the faults in people I know; it´s hardest to see the good, especially when the good isn´t there.

Will Cuppy
Fonte: Time
A ser verdade o encerramento do jornal 24 horas, digamos que o panorama jornalístico português ficará mais saudável. Não entendo como foi possível durar 12 anos!! Longe de mim tomar uma atitude elitista, mas a postura deste jornal foi sempre, sem excepção, noticiar ataques pessoais e futilidades. Já para não falar da linguagem bairrista. Sinal menos apenas para os efeitos sociais negativos que este encerramento vai provocar. Refiro-me ao facto de alguns profissionais serem remetidos para o desemprego.
Fonte: Time

25/06/10

O lado negativo do futebol é o lado negativo da nossa sociedade. E às vezes, quem vai ao futebol traz ao de cima esse lado negativo.

José Mourinho
Quando vemos os animais a sairem beneficiados com o avanço da medicina percebemos que o progresso não deve apenas e só atingir a humanidade. Os nossos amigos peludos também merecem uma vida com mais qualidade.

Fonte: guardian.co.uk

23/06/10

E ontem percebi que afinal tinha razão. Naquela hora percebi que tem que resultar de um processo. Não pode ser como um estalar de dedos.

Filmes da década (5)

E creio que já tudo disse sobre There Will Be Blood de Paul Thomas Anderson. Caetano Veloso canta num tema: "mas para mim foste a estrela entre as estrelas". E eu digo sobre este obra-prima: "mas para mim foste a pérola entre as pérolas". Demasiado grandioso para ser visto por qualquer pessoa. Deveria ser colocado um filtro de modo a seleccionar aqueles que conseguem atingir as mensagens desta maravilha datada de 2007.

Nada Pessoal - Urszula Antoniak

A procura da solidão deixando para trás o passado recente é o mote para este filme. E não será difícil vermo-nos um pouco neste papel de alguém em busca do desconhecido não pela aventura mas apenas pela paz. São apenas duas personagens que se cruzam num momento menos positivo das suas vidas. Sabemos muito pouco sobre o que lhes sucedeu. Mas ambas partilham o objectivo de começar algo de novo. Mais uma vez temos o cinema a abrir o flanco à reflexão deixando para outros o mero entretenimento.

21/06/10

20/06/10

Será desta forma que sempre me vou recordar de José Saramago: um escritor. Como pessoa em si não me interessa. E muito menos as polémicas geradas pelas suas opiniões que sempre careceram de contexto. Ficam duas obras: O Envagelho Segundo Jesus Cristo e Ensaio sobre a Cegueira. Na calha: O Ano da Morte de Ricardo Reis e O Memorial do Convento. Que descanse em paz.
O lume aceso, árduo, desta paixão
Adormeceu em mim o canto
Os puros exercícios da razão,
Levando para longe o encanto,
Sombra e mágoa, de um rosto amado...

Como se faz noite dentro de mim!
O vento uivando nas catedrais...
O ar rarefeito de punhais
São presságios de uma dor sem fim
Na cor poente de um céu inlamado

Mão Morta in Oub'Lá

24 City - Jia Zhangke

Jia Zhangke continua a utilizar a linguagem cinematográfica para celebrar a história social da china no último meio século. Neste caso opta por um cruzamento entre ficção e documentário para abordar a história de uma fábrica de peças aeronáuticas que encerra passado praticamente 50 anos de existência. Através de várias entrevistas com ex-trabalhadores vamos percebendo a estrutura organizacional ditada pelo socialismo que constroi uma hierarquia laboral bastante pesada, mas ao mesmo tempo promove uma relação familiar com os trabalhadores. E as lágrimas vertidas por alguns dos intervenientes, lágrimas de saudade, são reveladoras de algum bem estar vivido na fábrica. Desconstruíndo assim um pouco aquela ideia de trabalhadores escravizados enterrados na infelicidade. Uma visão ocidental da China promovida a todo o instante. Zhangke utiliza o desmantelamento da fábrica como a transição para o progresso social chinês. A prova está na construção de um hotel e de apartamentos de luxo no lugar da fábrica. Evidente que nem todos beneficiarão na mesma proporção. Mas é um facto que o progresso de uma sociedade acaba por atingir de forma positiva todas as classes. E acaba por ser esta a ideia central de 24 City.

18/06/10

Os chefes são canalhas poderosos; os súbitos são canalhas em potência.

Jacques Vergès

15/06/10

Fonte: The Times

12/06/10

Fonte: Time

11/06/10

Quando observo fenómenos como Lady Gaga, sou obrigado a concluir que a cultura pop tem um carácter mais derivativo do que criativo. Se tivermos como exigência um único elemento diferenciador do resto que compõe a herança da era MTV, saimos largamente desiludidos. As fórmulas apresentadas estão gastas. E não há ninguém que consiga dar a volta a esta questão.
Porque o arrependimento, como o desejo, não procura analisar-se, mas sim satisfazer-se.

Marcel Proust

10/06/10

Fonte: Timesonline

Wendy and Lucy - Kelly Reichardt

Tal como a imagem ilustra, a história assenta no vínculo de amizade entre uma jovem e a sua cadela que a acompanha numa jornada até ao Alaska. Por um lado uma fuga rumo a uma vida melhor, por outro a ligação inquebrável entre dois seres de espécies diferentes. Wendy (a jovem) surge meia perdida numa viagem com poucos recursos. Consigo traz apenas Lucy (o animal), um carro quase em final de vida e poucos dólares. Porém, tudo parece correr menos mal até que é apanhada a fazer compras sem pagar. O tempo que passa na esquadra é o suficiente para perder Lucy que estava à porta do supermercado à sua espera.
O Triunfo da Morte - Pieter Bruegel (1562)

Os mortos na encosta a tocar os sinos decrépitos e toscos que dobram pelos pecados do mundo.

Don DeLillo in Submundo

28/06

Afinal o projecto de revisitar a obra dos Pink Floyd The Dark Side of the Moon vai conhecer edição comercial. Inicialmente saiu só em versão limitada. Os Flaming Lips, e alguns convidados, decidiram dar a conhecer a todo o mundo a sua versão do emblemático e histórico álbum da banda de Roger Waters e Syd Barret.

Fonte: DD

O preço da evolução continua a ser pago pelos mais fracos. Não critico a postura da BP pelo facto de extrair petróleo em alto mar. Apenas considero que as normas de segurança não foram devidamente cumpridas. E assim assistimos de uma forma impotente à destruição da natureza.

07/06/10

No horizonte parace surgir algo de estimulante. O regresso já garantido dos Arcade Fire aos discos originais pode criar uma certa curiosidade sonora. E se vierem a Portugal em nome próprio então garanto um lugarzinho.

Foto: Pitchfork
São séries como Mad Men, cada vez mais raras diga-se, que nos fazem acreditar que o conceito ainda pode surpreender pela positiva. E neste caso concreto exceder as expectativas. A 3ª temporada chegou ao fim. Não nos façam esperar muito pela 4ª a não ser que nada mais haja para contar.

05/06/10

A melancolia das letras com arranjos voluptuosos marca Curtains (1997). Nem sempre mantém uma consistência desejável. Mas é um trabalho sem prazo de validade. A todo o momento voltamos a ele para ficarmos entorpecidos do mundo.

Filmes da década (4)

Disponível para Amar (2000) de Wong Kar-Wai, aborda o desejo versus a impossibilidade entre dois seres do sexo oposto. A tensão emocional que marca toda a acção é travada pelo vínculo contratual que ambos assinaram com os seus parceiros. E é aqui que reside toda a sua beleza. Os valores, as promessas subjacentes ao casamento superam todo e qualquer desejo. A tristeza estampada no rosto das personagens principais ficará para a história do cinema.
Queen Kelly

Fonte: Time
Nunca senti qualquer fascínio pelas designadas ONGs. E os que lhes prestam vassalagem apenas o fazem porque usam uns óculos românticos. Foi recentemente provado que alguns especialistas da Organização Mundial de Saúde, independentes e insuspeitos, que aconselharam os estados a comprar vacinas para o vírus H1N1, receberam contrapartidas financeiras de grupos farmacêuticos. Não sendo uma novidade para os pragmáticos, fica assim mais uma vez reforçada a promiscuidade entre a OMS e as farmacêuticas. Em suma, a OMS estimula o mercado e os fabricantes de remédios abastacem-no.

Para ninguém

É nesta cena que Emma (Tilda Swinton) percebe a sua insignificância no seu seio familiar. Quando o seu marido lhe diz de uma forma crua: - Tu não existes! Mas este não existir é transversal ao filme em si. Houve um crítico que descreveu na perfeição Eu Sou o Amor: "um filme direccionado para um paradigma morto". Sim, concordo. É uma obra para as salas vazias.
Fonte: Time

04/06/10


03/06/10

Quando damos por nós a cair na armadilha de rever o passado através de determinadas séries percebemos que chegámos ao fim. Revisitar Alf é a expressão máxima do declínio humano.

02/06/10

Em leitura