O primeiro filme de animação de origem israelita tem um forte cariz político. Inclusive, para que não restassem dúvidas, foi premiado no festival de Cannes no 60º aniversário da criação do Estado de Israel. Foram necessários cerca de cinco anos para que Ari folman desse por concluída esta obra que procura recuperar memórias da guerra que colocou frente a frente Israel e o Líbano em 1982. Mais concretamente os massacres ocorridos nos campos de refugiados palestinianos de Sabra e Chatila perpetrados por milícias apoiadas por Israel.O filme, ou talvez, o documentário de animação, arranca com a imagem de 26 cães enraivecidos que percorrem uma cidade em jeito de perseguição. Uma metáfora que pode ser lida como a ocupação do exército de Israel ou a forma como os falangistas espalhavam o terror nas aldeias do Líbano. A partir daqui a nossa personagem procura explicações desse sonho que o vem atormentando. Para isso parte em busca dos seus companheiros de guerra. E em curtas entrevistas vai conseguindo construir um conjunto de memórias que não visam julgar os soldados israelitas, mas dar a conhecer o que se passou apontando um pouco o dedo àqueles que tinham o poder para travar certos acontecimentos e não o fizeram. No final a animação passa abruptamente para imagens reais. Como que uma chamada de atenção que não estávamos a falar de ficção. Não fosse o espectador ficar perdido em imagens animadas e perder a noção do que estava a ser tratado.


