31/03/12

Em leitura



Fonte: Times

In the Land of Blood and Honey

É já na próxima semana que estreia o primeiro filme de Angelina Jolie enquanto realizadora. Apesar de ter sido arrasado pela crítica, não deixará de valer a pena marcar presença numa sala de cinema nem que seja pelo factor curiosidade. Curiosidade porque Angelina Jolie não se limitou ao papel de realizadora, também escreveu a história e foi co-produtora; curiosidade ao nível da temática, já que será uma oportunidade para revivermos o conflito dos balcãs no início da década de noventa. Entenda-se que esse reviver será numa óptica de uma relação amorosa.

30/03/12

Fonte: guardian.co.uk

O jornal I tem construido um histórico que nada abona a seu favor. Desde de há meses que tem promovido uma postura de diário de "quintal". As notícias que habitam na sua manchete são exclusivamente nacionais. Quando se pede um equílibrio entre a vertente nacional e a vertente internacional, temos aqui a promoção de uma mentalidade provinciana. Apetece perguntar onde se posiciona o I em termos de mercado. Se numa fase inicial parecia ter uma inclinação para um público mais sofisticado e culto, agora parece que o seu campeonato é o mesmo do Correio da Manhã.

29/03/12

Fonte: Reuters

25/03/12



Oh my love for the first time in my life
My eyes are wide open
Oh my love for the first time in my life
My eyes can see

I see the wind
Oh, I see the trees
Everything is clear in my heart
I see the clouds
Oh, I see the sky
Everything is clear in our world

Oh my love for the first time in my life
My mind is wide open
Oh my lover for the first time in my life
My mind can feel

I feel the sorrow
Oh, I feel dreams
Everything is clear in my heart
I feel life
Oh, I feel love
Everything is clear in our world

John Lennon in Oh My Love
Fonte: Times

Albert Nobbs - Rodrigo García

Glenn Close interpreta aqui o papel que serviu para a posicionar na corrida ao óscar de melhor actriz. Não que não se saia bem, mas acaba por ser vítima de um filme fraco em que a sua própria personagem sai a perder já que a exigência do papel é "apenas" ao nível da linguagem corporal. Numa perspectiva comportalmental, entenda-se a forma como a personagem procura alcançar o seu desejo de colmatar a sua vida pessoal, temos uma postura hirta sustentada por uma visão de régua e esquadro das relações amorosas. Falta espontaneidade e, acima de tudo, bom senso para perceber o ambiente que a rodeia. Outra falha de Albert Nobbs passa por alguns "buracos" na narrativa. Não se entende, por exemplo o que a levou a optar por viver sob o disfarçe de um homem. A explicação que nos é oferecida está muito longe de ser convicente. 2/5

05/04


17/03/12

13/03

Para ti que sabes do que se trata.
Para mim que sei do que se trata.
Para nós os dois que sabemos do que se trata.

16/03/12


Margin Call - J.C. Chandor

Vivemos aqui as horas que antecederam a crise do subprime em 2008. O interessante no filme de J.C. Chandor é vivermos a crise do lado da oferta, neste caso de um fundo de gestão de risco que quando se apercebe do peso excessivo dos seus activos tóxicos, e da possibilidade destes ficarem na sua carteira e assim comprometerem o futuro da empresa, decide vendê-los apenas num só dia. Tal facto gerou instabilidade e despoltou a referida crise que ainda hoje tem repercusões em todo o mundo. De salientar a possibilidade de rever Kevin Space, que desempanha aqui o papel de um senior manager descrente com o ramo em que trabalha e preocupado acima de tudo com o seu cão que está a falecer.
Em Margin Call percebemos um pouco a cultura do facilitismo e do descontrolo nas transacções financeiras. A cegueira do lucro, dos prémios chorudos gera uma matriz de funcionamento de curto prazo ignorando a incerteza do futuro. O objectivo é injectar liquidez para uma economia sedenta de consumo em que a origem do dinheiro é desprezada. Os activos são sobrevalorizados criando uma disparidade entre o seu valor real e o valor do mercado. Numa sociedade em que as taxas de poupança são medíocres, interessa acima de tudo sustentar a ilusão sem olhar a meios. 3/5

11/03/12


Em leitura



A maior parte dos livros são escritos para o público; este é um livro para leitores.


António Lobo Antunes

10/03/12

Fonte: Reuters

07/03/12

Por Shame

A actuação da irmã de Brandon é um dos momentos mais instrospectivos do magnífico Shame. Durante a sua actuação, conseguimos perceber como a voz de Sissy abre o interior do seu irmão até à lágrima. É a prova que o seu estado emocional está feito num caos perante uma realidade que há muito deixou de controlar. Brandon vive isolado da família e a entrada de Sissy na sua vida vai funcionar como um elemento invasor para o seu dia a dia. A suposta estabilidade emocional da família não entra nestas contas.

03/03/12

08/03



Fonte: nrp.org

Shame - Steve McQueen


Steve McQueen mostra em Shame que é um realizador rigoroso nos temas que aborda. Os tiques de comédia, as distorções que marcam a série Californication não moram aqui. Estamos perante a realidade triste e solitária de um homem viciado em sexo. No final do filme ninguém quer viver no mundo de Brandon. McQueen põe-nos a sofrer com ele. Daí Shame ser minimalista. Não há tabus. A nudez, as cenas de sexo fluem porque é esse o dia a dia da nossa personagem. Mas não é pornografia. É sim a relação de um viciado com a realidade que construiu. Como construiu? Quais os factores que determinaram o hoje? Não sabemos. Questões genéticas, ambientais... Fica por explorar.
Brandon sofre de uma adição do foro sexual. A sua vida assenta em duas esferas assimétricas. O seu interior é dominado por um core believe que lhe incute a premissa que não pode sobreviver sem sexo. Sendo este a sua principal e única preocupação. Tudo é sexualizado e o sentimo de controlo é crucial para manter a sua vida. Em cada relação sexual existe mais sofrimento do que prazer porque o sentimento de culpa está lá. Culpa por não conseguir parar uma vida que parece cada vez mais fora de controlo. Mas também medo de não conseguir continuar a saciar a sua necessidade nuclear. Na sua relação com o exterior, mantém uma máscara de "normalidade". Embora não desperdice nenhuma oportunidade para satisfazer os seus impulsos sexuais. Aqui também impera o medo. O medo de ser desmascarado já que as duas vidas estão totalmente desconectadas. E se a máscara cair, sente que ninguém irá aceitar a sua vida paralela. Aqui temos mais um dos core believe habituais neste tipo de adição.
Pelo rigor, pela crueza, pela coragem de não forçar um happy ending, temos aqui já um dos melhores momentos cinematográficos do ano. Uma resposta à altura de Hunger (2008), primeiro filme dirigido por McQueen. 4/5