23/05/10

Não consegui disfarçar um sorriso quando ontem assisti à vitória de José Mourinho na Liga dos Campeões Europeus. Não que ligue muito ao futebol. Mas continuo um adepto do treinador português. Talvez porque vou um pouco para além da imagem contruída pelos media de arrogante e petulante. Uma vez ultrapassada essa fronteira encontro uma pessoa inteligente com a qual tenho aprendido alguma coisa.

Eu Sou o Amor - Luca Guadagnino

Finalmente um filme capaz de ombrear com Um Homem Singular de Tom Ford. Temos aqui o cinema explorado nas suas vertentes mais primárias, leia-se narrativa e estética. Qual o público alvo? A geração nascida nos anos 40/50. A única capaz de ter sensabilidade suficiente para assimilar o que está à sua frente. Eu Sou o Amor está fora do seu tempo. Assim faz todo o sentido estar em exibição apenas numa sala em Lisboa. Não há lugar para esta obra italiana nos tempos que correm.
Tudo se passa em Milão, com uma breve passagem por Sanremo e Londres, numa família aristocrática que após a morte do seu patriarca entra em decadência. As dinastias que ficam quebram os laços familiares tradicionais através da traição e da descoberta de orientações sexuais avessas ao valores católicos. O que impressiona em toda a acção é a atenção ao detalhe dos objectos e das personagens. Todos os seus movimentos, mesmo os que são aparentemente insignificantes, são colocados com uma lentidão como que a sublinhar a sua importância vital para o desenrolar dos acontecimentos. Percebesse eu de cinema e daria nota máxima.