17/11/12

Com a crise cada vez mais impregne nos bolsos do consumidor, será interessante perceber se vamos ter um momento de pausa e ter a tradicional corrida à prendas da época natalícia. Convenhamos que a realidade veiculada pela nossa comunicação social não encontra sustentação nos centros comercias, onde se almoça como se a crise não existisse, nos concertos sempre a abarrotar e por aí adiante. Creio que será interessante no final fazer um balanço.  

1984?

Esta fotografia retirada do site da Time leva-nos claramente para as narrativas utópicas de Orson Wells e de Eric e Christiane Von Khnelt Leddihn. Narrativas que perspectivam um futuro onde a liberdade do indivíduo é limitada por um governo cada vez mais controlador. A imagem aborda o tema da repressão da liberdade mas adaptada aos nossos tempos. A figura do tirano foi substituída pelos poder das câmaras. Digamos que se trata de modernizar o controlo das massas. A essência mantém-se, o método esse é diferente.  
A lógica comercial dos media parece ter uma propriedade de contágio atingindo até a imprensa dita de referência. A manchete do Expresso assim o comprova. O título principal apenas serve para alimentar a pseudo-polémica da manifestação do dia 14 deste mês onde a polícia reagiu através do único meio que tinha à sua diposição num espaço de violência criada por facções mais radicais de manifestantes. A polícia aqui é tratada como um braço do governo para calar as vozes discordantes da sua política. É falso. Falamos de uma franja de manifestantes que fazem da violência uma acção gratuíta sem nenhum móbil ideológico. Lamentável termos uma semanário com um histórico considerável optar pela notícia fácil, pelo superficial que apena serve para encher imagens. E mais uma vez cito Orson Welles: a importância de uma notícia depende do tamanho das letras.