"O carácter é como uma árvore e a reputação como a sua sombra. A sombra é aquilo que nós pensamos do carácter de alguém e a árvore é a coisa mesmo, the real thing".
16/03/12
Margin Call - J.C. Chandor
Vivemos aqui as horas que antecederam a crise do subprime em 2008. O interessante no filme de J.C. Chandor é vivermos a crise do lado da oferta, neste caso de um fundo de gestão de risco que quando se apercebe do peso excessivo dos seus activos tóxicos, e da possibilidade destes ficarem na sua carteira e assim comprometerem o futuro da empresa, decide vendê-los apenas num só dia. Tal facto gerou instabilidade e despoltou a referida crise que ainda hoje tem repercusões em todo o mundo. De salientar a possibilidade de rever Kevin Space, que desempanha aqui o papel de um senior manager descrente com o ramo em que trabalha e preocupado acima de tudo com o seu cão que está a falecer.Em Margin Call percebemos um pouco a cultura do facilitismo e do descontrolo nas transacções financeiras. A cegueira do lucro, dos prémios chorudos gera uma matriz de funcionamento de curto prazo ignorando a incerteza do futuro. O objectivo é injectar liquidez para uma economia sedenta de consumo em que a origem do dinheiro é desprezada. Os activos são sobrevalorizados criando uma disparidade entre o seu valor real e o valor do mercado. Numa sociedade em que as taxas de poupança são medíocres, interessa acima de tudo sustentar a ilusão sem olhar a meios. 3/5
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