22/06/13



Fonte: guardian.co.uk

The Great Gatsby - Baz Luhmann


O romance de F. Scott Fitzgerald tira uma fotografia a uma América mergulhada no mundo do faz de conta. A década de vinte é a época do dinheiro fácil em que o factor trabalho dá lugar a um festim frenético e constante. Gatsby encarna de feição esse momento. A sua fortuna é questionável mas ninguém parece muito preocupado já que as suas festas encaixam na perfeição com o espírito do momento. Passar do papel para o grande écran perde-se muita da essência da escrita de Fitzgeald que nos consegue envolver do enredo até ao fim da obra. No grande écran vive-se de planos rápidos e de uma banda sonora que, pasmo total, raramente é fiel à época. Damos por nós a ouvir um rap ou um tema ainda mais modernaço. A fórmula esgota-se rapidamente e saímos com a sensação de "filme para Verão". Destaque para as roupas e acessórios que transcrevem o momento de luxo vivido. 2/5

20/06/13

1962-2013



Um choque quando li a notícia da morte de James Gandolfini. Ficará recordado para sempre pela prestação soberba na série Os Sopranos. Apesar da sua carreira ter tido mais etapas. Em todo o caso foi nesta série que conseguiu chegar a mais lares. Na pele de Tony Soprano, um chefe da mafia, introduziu um elemento diferenciador ao mostrar vários ângulos de uma personalidade que neste tipo de enredo geralmente apenas demonstra o lado mais frio. A sua performance era de tal forma natural e convincente que logo no arranque da série conseguiu imprimir fiabilidade à sua personagem.  

18/06/13

Em escuta


Shine on Pink Floyd


Os Pink Floyd já habitam no spotify. É uma oportunidade única para (re)descobrir uma banda que marcou a sua época. E aqui o ênfase vai para a etapa até The Wall (1979), já que a partir daí tivemos Roger Waters de saída e longas batalhas em tribunais pelos direitos das músicas. Com David Gilmour nos comandos da banda tivemos apenas álbuns para justificar grandes digressões.

Em leitura


Ferrugem e Ossos - Jacques Audiard


Jacques Audiard oferece-nos aqui um filme onde assistimos ao cruzamento de duas personagens na casa dos 30 anos que procuram redefinir as suas vidas após confrontados com um forte revés. Alan tem perante si a responsabilidade em criar um filho sozinho. Enquanto se muda para a casa da irmã vai procurando empregos provisórios que lhe garantam o sustento. Emocionalmente inconstante, procura sexo como momento de mero prazer sem pensar no amanhã. Stéphanie trabalha num aquário de orcas até ao dia em que é atirada para uma cama de um hospital após um acidente. Com as duas pernas amputadas mergulha numa tristeza qua a conduz até à solidão.
Todo o filme gira assim no crescimento da relação entre Alan e Stéphanie. E tudo é convincente. Não estamos perante um filme fácil, sendo notório que Audiard faz questão de dificultar a vida do casal que experimenta assim no amor, na compreensão um sentimento de esperança e de alegria. 3/5    

10/06/13

Em escuta


08/06/13

To The Wonder - Terrence Malick

Terrence Malick é conhecido pelos longos hiatos entre os seus filmes. Foi com alguma admiração que recebemos a notícia que desta vez não iríamos esperar tanto tempo para o sucessor do belíssimo Árvore da Vida (2011). E depois de visualizarmos To The Wonder ficamos ilucidados o porquê desta quebra de tradição já que falamos de uma obra que nada mais é do que o refugo do seu predecessor.
Malick tenta aqui arquitetar um filme com as ideias já exploradas na obra que lhe deu a Palma de Ouro em Cannes. Sucede que tudo soa a repetição esbatento por completo a possibilidade do original. As personagens estão presas a um conflito interior marcado pelo lado mais primário de um sentimento. O amor é-nos servido como se fosse um momento incapaz de sobreviver às contradições do real. Tudo é esplendor quando começa mas depois esmurece pela incapacidade de amadurecimento. É esta a falha, mais precisamente a discórdia de qualquer espectador mais exigente. Na óptica do realizador, quando confrontado com o factor tempo, o amor morre como se não passasse de um mero momento fugaz onde as expectativas individuais não pudessem ser moldadas para perpetuar o momento. Caso fosse um filme direcionado para uma faixa etária até aos 18 anos funcionaria. Mas Malick sabe que serve outra audiência.
Em suma, se em Árvore da Vida tivemos uma narrativa tratada de forma invulgar, um trabalho de montagem cativante, uma fotografia soberba, um argumento trabalhado de forma crescente, aqui é tudo o oposto. 1/5

03/06/13


Fonte: guardian.co.uk

02/06/13

Cuca em Portugal


A conhecida marca de cerveja angolana Cuca vai ser exportada e Portugal será um dos países alvo. Será interessante perceber onde se vai posicionar em termos de mercado e, talvez o mais importante, se vai beneficiar de algum acordo aduaneiro preferencial para conseguir entrar com um preço competitivo. O tempo o dirá. Em todo o caso a concorrência é sempre salutar para o consumidor.

O cinema como propaganda

Os primórdios da vida de Hillary Clinton, entenda-se primórdios como os seus primeiros passos na política, vão ser retratados no cinema. A preocupação neste momento é a escolha da actriz e a forma como a sua imagem vai ser construída no grande écran. Apesar de faltar algum tempo para as próximas eleições norte-americanas (2016), existe a preocupação do filme criar um clima de negatividade em redor de Hillary. Mais uma vez percebemos aqui o impacto que o ficcional pode ter no real. É como se uma facção pró-Hillary esteja já a fazer lobby para que o filme sirva de propaganda, canal promocional da ex-secretária de Estado para depois sim passar à campanha eleitoral.

01/06/13

Master, We Perish


Nunca me considerei adepto do metal nem das suas múltiplas variações. E vou ao ponto de por vezes confundir o metal com o industrial. Mas por vezes abro umas excepções. The Body tem rodado com uma insistência anormal para um não fã deste género. Destaco a intensidade sonora, o poder avassalador da bateria e da guitarra que criam um universo de caos e violência. As vozes secundárias e os sintonizadores ajudam a tornar o som menos rudimentar. No aspecto vocal, o esperado. Isto é, um discurso imperceptível que roça um registo de quase sofrimento. O novo trabalho resume-se a um EP. Master, We Perish  é composto por três temas que parecem confirmar que o primeiro álbum não foi um mero momento de inspiração.

Os "87" anos de Marlin Monroe


Como Mark Twain (mas diferente)

Pois é, contra todas as expectativas apresentei-me a 11/05/13 no Porto de Barcelona para tentar uma aproximação à magnífica obra de Mark Twain "A Viagem dos Inocentes", mas com um navio mais moderno. Nem nos meus melhores sonhos pensei em fazer um dia um cruzeiro pelo Mediterrêneo. Durante sete dias estive em alto mar. As noites para dormir souberam melhor com o balanço do mar. Assim que o dia nascia, e depois de um pequeno almoço em estilo abrutalhado, descia do navio rumo a uma cidade algures por França ou Itália. E a vontade de repetir nova aventura fervilha de forma intensa!