07/11/11

Fonte: Reuters

Nos Idos de Março - George Clooney

Foi em "Boa Noite, e Boa Sorte" (2005), filme que retrata os efeitos do Macartismo na década de cinquenta, que Clooney mostrou a sua veia política. E a um ano das eleições norte-americanas decidiu utilizar o cinema como um porta-estandarte das suas ideias "verdes" e pacifistas para a América. O candidato à presidência interpretado pelo próprio extravassa os ideais de Clooney enquanto cidadão.
Mas há mais que isso. Os bastidores são-nos apresentados como um palco vazio de regras e sem escrúpulos onde a meta a atingir, a vitória permite literalmente tudo. Desde da venda de cargos políticos para conseguir delegados até à deslealdade com os mais próximos. É Clooney como que a comunicar a sua descrença na estrutura política, a sublinhar o niilismo ocultado pelas máscaras daqueles que representam o povo. Um momento de critica que convida à reflexão. É este o George Clooney que eu gosto.

A Dangerous Method - David Cronenberg

David Cronenberg decidiu voltar a uma temática mais cerebral depois de explorar o confronto físico com a ajuda de Viggo Mortensen em "Uma História de Violência" (2005) e "Promessas Perigosas" (2007). Optou por ir à génese da psicanálise e retratar a relação entre Freud e Jung. Nomes dissociáveis do novo paradigma que estava a ser alicerçado em Viena. Mas o que desilude aqui é a inexistência de uma acção onde se possa enquadrar o nascimento do movimento referenciado. Os diálogos são meras trocas de ideias de termos técnicos que viriam a ser depois amadurecidos pelas correntes pro-freudianas. Cronenberg já tinha abordado os efeitos de uma psicose na sua obra, mais concretamente em"Spider" (2002) quando conta a história de um ezquizofrénico. Mas aí fê-lo com recurso a uma narrativa com uma acção bem definida. Agora virou-se para o lado da neurose, mas opta por uma filmagem algo amorfa onde por vezes parece que o tema tem cariz de básico.