17/03/07

Portugal ainda tem poucos centros comerciais. Dizem os que sabem. Por isso toca a construir mais um punhado destes polos de consumo. Uns quinze, depois vemos se chega. Estou em crer que a necessidade não é apenas meramente comercial. Passa também por criar espaços onde o conceito família possa passear e justificar a sua razão de ser, de existir. Criar uma família e consumir é provalvelmente o destino do homem do século XX/XXI. Num centro comercial é possível conhecer alguém e consumir ao mesmo tempo. A solidão é inexistente. A individualidade é dissolvida num aglomerado de seres que procuram o mesmo. A sintonia está garantida. Deixa de existir tempo para a tristeza, o tempo é preenchido pelo binómio família - consumo. E não se pensa.

PS: hoje deu - me para isto. Criar um conjunto de palavras que depois de lidas resultam num excelente exercício de filosofia barata. Em saldo.


Steven Soderbergh pegou na obra de Joseph Kanon e realizou um filme deveras interessante. O enredo apela a uma concentração constante para não perder o fio condutor da história. E mesmo assim não é fácil chegar a todo o lado. Os cenários nada mais são do que imagens reais da Alemanha pós - guerra onde as potencias vencedoras negoceiam o quinhão a que tem direito. A preocupação em termos de realização incidiu acima de tudo nas personagens e na forma como estas conseguiam moldar a narrativa. Aspectos como os planos, a montagem foram relegados para 2º plano.
O problema com o mundo é que os estúpidos são excessivamente confiantes, e os inteligentes são cheios de dúvidas.

Bertrand Russell