30/07/07

Shanghai Masters 06/08 - 12/08


Bug - William Friedkin

Tal como O Exorcista (1973), o novo filme de William Friedkin não justifica o rótulo de filme de terror. Bug fala sobre o encontro de duas personagens que acaba por desaguar numa relação conturbadora. Um ex – militar que aparentemente sofre de uma psicose, mais concretamente um estado de paranóia, encontra uma mulher que vive sozinha num quarto de hotel. O comportamento desta é orientado para o consumo de álcool e de drogas, numa tentativa de atenuar a dor de ter visto o seu único filho desaparecer. A relação entre estas duas personagens faz com que entremos num universo de delírio permanente onde o desfecho acaba por ser incerto.
William Friedkin construiu Bug a partir de um argumento pensado para uma peça de teatro. Logo, não será de estranhar que grande parte da acção esteja confinada a um quarto de hotel. O que interessa é aflorar a intensidade de duas personagens que vivem num universo mental conturbado. De destacar o recurso a efeitos sonoros para transmitir o sentimento de medo/delírio proveniente do interior dos dois actores.
Numa entrevista de apresentação do seu filme, W. Friedkin admite que a história é uma metáfora para ilustrar o estado de paranóia e de medo que vive actualmente a sociedade norte – americana. Creio que existem nestas palavras alguma timidez. Depois de visto, Bug soa a um microcosmo de todas as sociedades ocidentais. O efeito de claustrofobia social causado pelo medo e pela paranóia ultrapassa largamente a fronteira dos Estados Unidos.