Não percebo porque se critica a masturbação, afinal é fazer sexo com a pessoa de que mais gostamos na vida.
Woody Allen
"O carácter é como uma árvore e a reputação como a sua sombra. A sombra é aquilo que nós pensamos do carácter de alguém e a árvore é a coisa mesmo, the real thing".
24/07/10
Não é novidade para ninguém que o cinema está em crise desde da década de oitenta quando explodiram os clubes de vídeo. E desde daí que tem existido uma tentativa de implementar novas tecnologias que justifiquem a ida ao cinema. Vivêssemos nós numa sociedade marcada pela cultura e o único pretexto para ir a uma sala de cinema seria pelo puro prazer de ver um filme num écran de grandes dimensões e sentir a magia criada pelo irmãos Lumière. Mas isso seria num mundo perfeito. Recentemente foi recuperado o cinema 3D. E aparentamente parecia uma moda em forma de atractivo para viabilizar economicamente as salas de cinema. Parece que se está a revelar uma tendência. Embora o custo da tecnologia seja um entrave para as pequenas produções. Uma boa notícia para os puristas do cinema. Onde eu me incluo.O que está aqui a criar confusão, é que sempre que estreava um filme com tecnologia 3D existia possiblidade de escolha. Os amantes do cinema, enquanto objecto cultural despretensioso, optavam pela fórmula tradicional. Os progressistas iam direitinhos colocar os óculos para depois dizeram que era o futuro do cinema. Coabitação, portanto. Agora essa coabitação desapareceu com a estreia de Shreck Para Sempre. Não consegui encontrar uma única sala para os puristas. Isso deixa-me triste e desapontado. Já que a obrigatoriedade de seguir o que está in colide com a liberdade de escolha.
A Origem - Christopher Nolan
Não considero A Origem como um blockbuster por falta de enquadramento. Entende-se por este tipo de filmes meros exercícios de imagem com diálogos de banda desenhada. Nada disso existe no novo filme de Christopher Nolan. Apesar de estar montado para ser rentabilizado, não deixa de ser verdade que existe aqui um equilíbrio entre aquilo que a técnica consegue fazer em termos visuais e uma história muito interessante que nos cola à cadeira até ao fim. Leonardo Di Caprio interpreta o papel de um ladrão de sonhos. Consegue invadir o sonho do seu alvo e extrair um conjunto de informações valiosas. O seu desafio chega quando um empresário pretende que seja implantada uma ideia através de um sonho. O processo adverso que domina toda a acção. Tal como sucedia em Matrix, temos aqui um convite à reflexão daquilo que representa o sonho. Mais concretamente o poder do subconsciente em recriar ou deformar medos, memórias, desejos que são condensados por vezes numa única representação.
Nem sempre é o gosto musical o factor determinante para o consumo de um álbum. Neste caso seduziu-me o processo de produção. Annie Clark (St. Vicent) compôs este trabalho ao computador e procurou captar a essência do cinema. Baptizado de Actor (2009), termo que faz a ligação à sua raíz criativa, é tido como cerebral.
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