
"O carácter é como uma árvore e a reputação como a sua sombra. A sombra é aquilo que nós pensamos do carácter de alguém e a árvore é a coisa mesmo, the real thing".
20/03/10
Fonte: TimeO designado Quarteto para o Médio Oriente estabeleceu como meta a criação de um Estado palestiniano em 2012. Não deixa de ser curioso que ao mesmo tempo Israel anuncia a construção de mais colonatos em Jerusalém e a inauguração de uma sinagoga perto de uma mesquita. Vem nos livros que a negociação só arranca quando existe uma base de entendimento.
17/03/10
15/03/10
14/03/10
13/03/10
Em leitura
08/03/10
07/03/10
06/03/10
Os Óscares são o combustível para os filmes vencedores renderem mais alguns milhões nas bilheteiras. Embora de quando em quando até se atribui o prémio pela qualidade da obra. A única curiosidade para este ano é saber o que Hollywood vai fazer em relação ao filme de Tarantino. Se for um ano diferente, ênfase na qualidade, será que Inglourious Basterds vai vergar a linha dos júris mais conservadores?Foto: wired.com
O Mensageiro - Oren Moverman
A guerra no Iraque, era Bush filho, continua a ser alvo de atenções por parte da indústria cinematográfica. E neste capítulo voltamos a ter um filme que não questiona a guerra. Tal como em Estado de Guerra, não interessa analisar os factores motivadores do conflito. Mas sim os seus efeitos. E é aqui precisamente que entram as nossas duas personagens. A sua missão passa por informar os familiares da morte do seu ente querido. E, para acompanhar o nível da crueza da realidade, têm que ser céleres e fazer chegar a informação primeiro que as cadeias de notícias, mails e afins. A reacção dos visados não é uniforme como seria de esperar. Uma missão quase tão dura em termos emocionais como estar no campo de batalha.
Um Homem Singular de Tom Ford é demasiado bom. Situação essa irrefutável. George (Colin Firth) é uma personagem fortíssima capaz de ombrear com Daniel Plainview em termos de simbolismo. Mais concretamente, a condensação de valores e de personalidade em si. O que representa George? Qual a sua realidade? George representa a complexidade do ser humano despido de uma realidade de afecto e de erotismo. Outrora essa realidade existia através do seu companheiro que faleceu num trágico acidente. E a partir desse momento vive o presente e projecta o seu futuro com base no passado. A indiferença passa a ser o seu dogma. A inexistência de descarga emocional acelera o processo de deterioração psicológica. E acima de tuda a sua incapacidade de desidealizar um passado irrecuperável. A prisão face à nostalogia confere um cenário pessimista.No fundo, uma personagem que merece ser estudada e discutida. Mas numa era das 3 dimensões e da comédia fácil, George será ignorado.
05/03/10
28/02/10
27/02/10
Shutter Island - Martin Scorsese
Shutter Island tem o peso da responsabilidade de recuperar rapidamente o investimento feito pelo estúdio. E para isso tem orientação mainstream. Mas observem o nome do realizador: Martim Scorsese. O que significa? Scorsese tem o toque de Midas. A aparente adversidade e responsabilidade de rentabilizar um peça mais comercial do que cultural, não o coibe de incutir o seu cunho enquanto nome respeitado da cena da sétima arte. E assim temos uma obra acima do mediano. De sublinhar a maneira como o espectador é fortemente enganado por duas vezes. Quando pensa que a realidade enquanto real está do lado do agente Teddy Daniels e, na recta final, quando recupera novamente essa noção. Mas a dúvida em saber onde mora a realidade de facto permanece. Assinado: Martim Scorsese.Mad Men 3ª Temporada - Fox Next
Não foi afinal preciso esperar muito pela terceira temporada de Mad Men. Todas as quartas-feiras às 21h30 podemos desfrutar daquela que é a melhor série do momento. Apesar dos esforços da Fox Next na promoção desta nova temporada, não acredito num sucesso comercial. A sensibilidade está cada vez mais desligada de uma sociedade incapaz de entrar nas personagens.20/02/10
Um Homem Singular - Tom Ford
Pela apresentação parece um filme direccionado descaradamente para os óscares. As imagens apenas captam os poucos momentos de alegria vividos pelas personagens. E para os óscares haja alegria. Mas nada disso. Estava capaz de escrever que é já uma das pérolas de 2010. Muito bom. Mesmo muito bom. A forma como Tom Ford consegue extrair a melancolia/ansiedade de Colin Firth é avassalador.Um professor de inglês de meia idade perde o seu companheiro num trágico acidente de viação. Na sequência dessa perda apaga-se o seu desejo de viver. Tudo passa por um sacrifício e os traços de se transformar num suicida em potência ganham contornos cada vez maiores. A sua mente está no passado. Tudo são recordações de um tempo balizado no amor. Entretanto um aluno seu demonstra um interesse crescente na sua pessoa. E uma luz parece começar a brilhar.
Um Homem Sério - Ethan e Joel Coen
Temos novamente os irmãos Coen a explorarem a comédia negra onde a ironia surge como que um acessório capaz de criar o conflito necessário para desenvolver a acção. Nada de novo, portanto. E parece ser uma obra mediana onde as expectativas são devidamente cumpridas. O que temos aqui em termos de mensagem é que seguir um conjunto de valores expectáveis pela sociedade não é sinónimo de ser recompensado. Uma lição nem sempre dada nos bancos da escola. Larry Gopnik vive numa comunidade judaica e desempanha ao limite aquilo que são os padrões comportamentais esperados pelos outros membros. A uma dada altura o seu mundo é fortemente abalado. Desde do pedido de divórcio da sua esposa à tentativa de suborno por parte de um aluno seu que chumbou no semestre. É o colapso integral de uma conduta que previa precisamente o contrário. Para conseguir ultrapassar, e também, encontrar respostas ao que lhe está a suceder, recorre à religião cujas respostas mudam de acordo com as realidades apresentadas. Ao que parece o absurdo tem sempre uma racionalidade subjacente.
19/02/10
1991-2010

Querida Kika,
Não me despedi de ti. Pensei que seria como das outras vezes. O veterinário fazer-te uns exames e mandar-te para casa. Mesmo quando soube que irias ficar internada acreditei que hoje te iriamos buscar. Mesmo sabendo que o teu fim estava próximo. E desde que existem telemóveis que recebi a mensagem mais triste da minha vida: "Já acabou. A Kika faleceu às 8h00". Custa-me que tivesses passado a tua última noite sem nós que sempre te quisemos durante estes anos todos. Num sítio desconhecido com ruídos estranhos. Custa-me acreditar que o meu pressentimento de teres passado a noite acordada esteja certo. Custa-me saber que sofreste nos teus últimos minutos. Sempre adorei as tuas características singulares. Mas nunca concordei com a ideia de partilharmos o mesmo copo de água. Gostava da companhia que me fazias quando ficava até tarde a ver um torneio de snooker ou ténis. Mesmo quando por tua causa não me podia deitar no sofá. Quando cheguei a casa pude finalmente chorar. Como choro agora enquanto me despeço de ti. Nem acredito que te foste embora. A sério. Sempre serás a minha gatinha.
16/02/10
O feriado começa com uma notícia inesperada para os apreciadores de cinema. Ao que parece Martin Scorsese tenciona fazer um remake do seu filme Taxi Driver para 2011. Voltará a contar com Robert Del Niro mas o realizador será... Lars Von Trier. Se tal projecto for para a frente nasce a pergunta: qual a liberdade artística que Scorsese vai dar a Von Trier? Fonte: elpaís.es
15/02/10
The End
E o frio matou-me. Lá se vai a exposição na Gulbenkian, os filmes planeados (nunca se deve planear nada) e não cheguei a terminar o livro de António L. Antunes. Morri devido ao frio. E creio que ainda tinha tanto para fazer. Experimentar sensações, acima de tudo isso. Morri assim congelado como um homem das cavernas. Adeus mundo.
14/02/10
May I invite you to the opera with me, Fräulein Eva?
A primeira biografia académica sobre Eva Braun acabou de ser lançada. Segundo os responsáveis pela obra, o principal objectivo passa por apagar a ideia de que Eva nada mais era do que um elemento decorativo de Hitler. Antes pelo contrário. Simpatizava com a ideologia nazi e foi um poderoso suporte psicológico do seu companheiro.Fonte: guardian.co.uk
13/02/10
Exposição na Gulbenkian (12-02/02-05)
Tem por título A Perspectiva das Coisas: a Natureza-morta na Europa, séculos XVII a XX e é uma exposição destinada a todos os que apreciam este género de pintura. São vários os pintores aqui representados: Courbet, Manet, Dalí... E o espírito deste estilo poderá ser resumido através de um provébio holandês do século XVII: tão depressa belo, tão depressa podre.Fonte: Público edição de 12/02/2010
12/02/10
10/02/10
Canal 2 - 22h43m
06/02/10
The Men Who Stare at Goats - Grant Heslov
Um grupo de alucinados cria uma divisão de Ordem Jedi no exército norte-americano. A ideia nasce na era pós-Vietname como uma reacção à violência brutal cometida pelos soldados. A partir de agora a força estava na mente. A principal arma assentava na manipulação psicológica. E é este paradigma que um jornalista procura validar durante a última guerra do Iraque. Algumas peripécias fazem esboçar um sorriso. O resto é irrelevante.
A morte do Google em território chinês coloca a questão da liberdade de imprensa num país que se diz inserido na globalização. O Google simboliza liberdade de aprendizagem, alimenta a curiosidade e contribui para uma população mais bem informada. As autoridades chinesas fazem uma leitura diferente. Será que a morte é definitiva? Foto: Time
05/02/10
Público - 20 livros que marcam o mundo
A partir do dia 11/02 o Público vai disponibilizar por mais €1,95 um livro que teve impacto junto do mundo académico. Por isso, as quintas-feiras serão marcadas por uma ida à banca para comprar o jornal. Aqui ficam os títulos escolhidos:- A Origem das Espécies - 11/02
- A república - 18/02
- Confissões - 25/02
- Hamlet - 04/03
- Utopia - 11/03
- Discurso do Método - 18/03
- Apologia de Sócrates e Banquete - 25/03
- O Contrato Social - 1/04
- O Príncipe - 08/04
- Odisseia - 15/04
- Manifesto do Partido Comunista... - 22/04
- Os Lusíadas - 29/04
- Divina Comédia - 06/05
- Bíblia Sagrada - 13/05
- Elogio da Loucura - 20/05
- Alcorão - 27/05
- Fausto - 03/06
- A Ética Protestante e o Espírito Capitalista - 10/06
- Bhagavad-Gita - 17/06
- Os Discursos que Mudaram o Mundo - 24/06
01/02/10
Anticristo - Lars Von Trier
O que é o luto senão uma forma de restruturar uma realidade em que deixa de existir um ente querido? É esta a temática escolhida por Lars Von Trier depois de ter ultrapassado uma depressão profunda. São-nos oferecidas duas vias para o luto. A via emocional, representada pelo ser feminino. Aqui todo o comportamento é manifestamente sentimental. Tristeza, dúvidas e, por fim, o explanar da raiva de quem se sente culpado pela morte do seu filho. A via cerebral, interpretada pelo lado masculino. Tudo tem uma explicação. E o lado racional procura analisar o momento despido de qualquer emocionalidade. Permitindo ultrapassar rapidamente o momento gerador do luto. A auto-mutilação, e aquela que é infligida, dos orgão sexuais é, quanto a mim, o ponto da discórdia. A violência do acto é gélido. Fazendo lembrar aqueles filmes que nos oferecem cenas violentas grátis. Mas outra interpretação pode surgir. Como por exemplo, para quê ocultar os actos físicos quando estes são uma consequência directa de um mau estar mental? A arte não tem que reunir consenso. O objecto pode criar um efeito de beleza ou de desprezo perante o espectador. Fica ao critério de cada um.31/01/10
Ao contrário do que é anunciado na sinopse, About Schmidt não é apenas a história de um recém reformado que tenta impedir o casamento da sua filha. É muito mais do que isso. É o retrato de um homem de 67 anos que depois da reforma e da perda inesperada da mulher, falamos de um casamento de 42 anos, se vê confrontado com uma nova realidade. Um espaço sem apoios fisícos e emocionais. A partir daí procura fazer um resumo daquilo que foi a sua vida tendo em vista que irá durar mais alguns anos. Percebe que nada resta e que o significado principal da sua vida assenta na ajuda que presta a um orfão originário de um país subdesenvolvido.30/01/10
Invictus - Clint Eastwood
Não é um filme de Clint Eastwood. É antes um registo dinâmico de um pedaço da história da África do Sul. Permite-nos conhecer um pouco daquilo que foi o primeiro ano de Mandela enquanto Presidente. Nesta óptica, agrada a qualquer humano interessado pela história além fronteiras.1994, Nelson Mandela toma posse dos destinos de um país dividido por tensões raciais. A estas se deve uma sociedade desequilibrada em termos de distribuição de riqueza e de recursos. Mandela procura unir o seu país através do Râguebi, um desporto dos brancos que representavam o apartheid. E é através de uma liderança pelo exemplo que o capitão da selecção de Râguebi consegue com que uma equipa completamente desacreditada ganhe o campeonato do mundo em 2005. Uma vitória de um país.
28/01/10
25/01/10
24/01/10
23/01/10
Nas Nuvens - Jason Reitman
Depois da agradável surpresa com Juno, Jason Reitman parece aqui tremer com a expectativa gerada. Procura abordar as necessidades mais primitivas do homem e os factores que coarctam a sua realização. Mas não consegue escapar à previsibilidade e aos tradicionais clichés próprios do tema. Uma armadilha nem sempre fácil de escapar. E Clooney poderia muito bem ser substítuido pelo especialista nesta matéria Richard Gere.Ryan Bingham, o suposto Richard Gere, trabalha para uma empresa que tem como core business rescindir contratos com funcionários dispensáveis. Isso obriga-o a estar constamente em viagens. Experimentando quase diaramente estados de solidão. Disfarçados por mecanismos de defesa sustentados por um descrédito face ao casamento. Entretanto tem uma nova colega encarregue de o acompanhar enquanto estagiária para aprender os ossos do ofício. E pelo meio uma mulher com um estilo de vida aparente que faz abanar a sua estrutura defensiva.
Já lá vão uns anos largos desde da minha última visita a uma sala de Teatro. E o regresso não poderia ter corrido melhor. A temática é deveras apaixonante: a relação intelectual/amorosa de dois grandes pensadores do século XX que será sempre alvo de múltiplas interpretações. E por falar de interpretações, agora no sentido artístico, adorei o desempenho de Ana Padrão. Que soube sempre transmitir a devida emocionalidade à sua personagem. E com um brilho nos olhos viveu as dúvidas, tristezas, afirmações de Hannah Arent. De destacar também a tentativa de cruzar o Teatro, enquanto acto de espectáculo que remonta à idade média, com a linguagem televisiva. Resultou visto que não retirou o espírito da peça. E houve momentos que foi necessário ocultar determinados pormenores. Mais uma vez um excelente regresso ao teatro.
22/01/10
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