"O carácter é como uma árvore e a reputação como a sua sombra. A sombra é aquilo que nós pensamos do carácter de alguém e a árvore é a coisa mesmo, the real thing".
19/10/13
Don Jon - Joseph Gordon-Levitt
Existem duas maneiras de abordar uma distorção em relação à vida sexual de um indivíduo. Tudo depende do grau de seriedade que se pretende incutir em relação ao tema. A via da palermice é aquela que garante receitas imediatas. Não acrescenta nada de novo, mas entretem o espectador com um momento de pura imbecilidade. Depois existem aqueles realizadores que pretendem a via da construção com a finalidade de expor um problema e experimentar formas possíveis de o resolver. E é nesta categoria que se insere a estreia de Joseph Gordon-Levitt enquanto realizador. Podemos dizer que Don Jon se insere numa linha de um Shame (2011) embora longe da capacidade dramática deste.
Jon, interpretado pelo próprio realizador, é um jovem na casa dos 30 que tem uma vida orientada para o ginásio, igreja, pornografia e sexo real. A sua dependência, embora não reconhecida, pela pornografia reside na insatisfação que vive na cama com os momentos fugazes que partilha com desconhecidas. A mulher, aqui enquanto mero acessório para preencher necessidades sexuais, não satisfaz a realidade vendida nos sites pornográficos. Perante esta quadro de frustração, Jon pensa no amor e encontra-o numa das suas saídas. Aqui experimenta o domínio feminino na sua esfera pessoal e percebe que em termos de cama nada se altera. E terá que esperar por Esther, uma mulher já madura, para lhe mostrar o outro lado da realidade sexual.
Em termos de realização é notória a inexperiência de Joseph Gordon-Levitt. Tudo está devidamente esquematizado. A igreja representa a dimensão moral da personagem. O ginásio o local para o narcisismo. Os jantares com a família funcionam como centro de pressão para a sua vida amorosa. Estes elementos deveriam ser inseridos na narrativa de forma mais natural. Em todo o caso estamos perante um filme que trata uma história algo delicada com inteligência e maturidade. Se Virgens Suicidas (1999) de Sofia Coppola era um filme mais direccionado a um público feminino, aqui, temos claramente um momento para a parte masculina. 3/5
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