"O carácter é como uma árvore e a reputação como a sua sombra. A sombra é aquilo que nós pensamos do carácter de alguém e a árvore é a coisa mesmo, the real thing".
29/12/13
Personalidade do ano
Nada me confere legitimidade moral para criticar Lance Armstrong. Escrevo enquanto apreciador e defensor de um mundo desportivo onde valores como transparência, honestidade sejam respeitados. Uma visão naife dirão alguns. Como pode o desporto estar blindado a um mundo cada vez mais dominado por interesses financeiros? Resultados comprados, doping e outras situações já não são surpresas. Aliás, já entraram na banalidade. No entanto, acredito que em modalidades menos massificadas seja possível um maior rigor por parte das autoridades competentes.
No caso do ciclista norte-americano, vem à tona a frase "o problema da mentira é que não pode ser desfeita". Neste caso foram sete. Mas a mentira não pode ser esgotada na figura de Armstrong. Existiu claramente uma máquina muito bem oleada que permitiu sustentar uma ilusão da vitória numa das modalidades desportivas mais exigentes no mundo. Não quero com isto minimizar o papel de Armstrong que claramente foi o protagonista principal. Mas no banco dos réus deveriam ter passado mais elementos certamente. Importa aqui colocar perguntas: a) Como é possível saborear vitórias ilusórias? b) Qual o sentimento em viver numa realidade sustentada pela mentira? c) Qual a imagem, o legado que a família vai carregar? Muita outras questões podem ser levantadas. Enquanto isso fica para a história uma das maiores farsas que o desporto já assistiu.
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