19/03/14

Her - Spike Jonze


Spike Jonze leva-nos a uma sociedade onde a tecnologia assume um papel omnipresente na vida dos seus intervenientes. Existindo uma clara devoção a uma plataforma tecnológica que apoia e sustenta (quase) todas as vertentes do indivíduo. É como se a religião fosse aqui substituída por uma entidade também invisível mas capaz de dar soluções a necessidades primárias como a solidão. Temos assim a relação de dependência entre homem-tecnologia aprofundada.
A solidão, os problemas de comunicação entre o casal provoca nas nossas personagens um sentido de fuga do meio humano através do recurso a um sistema operativo promovido como uma figura digital capaz de preencher o espaço do outro. A relação que se constrói é de experimentação a um novo espaço para ambas as partes. Do lado do homem, o confronto com um meio não físico mas que o faz sentir preenchido em termos sentimentais embora experienciando um claro travo de expectativa para a exploração do plano físico que surge como uma contradição inerente à própria natureza da relação. A outra parte, aparentemente mais um sistema operativo como tantos outros, parece querer ganhar vida própria ao procurar ressonância dos laivos emocionais do seu parceiro. Revelando assim um lado orgânico que o diferencia de outros programas meramente estanques nas suas funções.
Existe aqui um lado fantasioso que não saberemos se poderá passar para o lado real. Trata-se da capacidade de um programa de computador conseguir atender à solidão dos sentimentos e dar-lhes o devido feedback de forma constante. Mas a ilusão de um preenchimento físico não passa disso mesmo. Parece que Spike Jonze posiciona a sua visão no sentido de uma tecnologia com um papel pedagógico enquanto etapa de reflexão e de (re)construção do difícil puzzle dos sentimentos, necessidades, medos, frustrações... Características só ao alcance da condição humana. 3/5

Sem comentários: