"O carácter é como uma árvore e a reputação como a sua sombra. A sombra é aquilo que nós pensamos do carácter de alguém e a árvore é a coisa mesmo, the real thing".
14/06/14
Debaixo da Pele - Jonathan Glazer
Scarlett Johansson faz aqui mais um desvio das luzes de Hollywood para se juntar a uma obra secundária mas muito interessante. Funciona para as duas partes. Para a actriz, é uma oportunidade de experimentar um papel sem a pressão e a interferência dos grandes estúdios; o realizador, encontra aqui a oportunidade de chamar um grande talento para um projecto de low budget e ter, assim, também alguma visibilidade nos circuitos comerciais.
Debaixo da Pele é um filme de ficção científica muito rudimentar não por falta de domínio na técnica mas porque o propósito parece ser outro. Ou seja, a ideia central não é de uma tradicional uma "invasão" alienígena e a sua vitória ou derrota. Jonatha Glazer procura antes narrar a história de um alienígena, no papel de S. Johansson, que aos poucos vai interiorizando algumas características da natureza humana. A sua postura de máquina com uma missão bem definida vai aos poucos sendo desconstruída à medida que a caça às suas vítimas se vai avolumando. E é a partir desse momento que o seu objectivo começa a ser seriamente comprometido.
O filme não vive de Scarlett. É sem dúvida um elemento nuclear devido a uma interpretação onde se destaca o sentido evolutivo da sua personagem de forma gradual. Mas temos outros elementos importantes como a história que apresenta alguma originalidade e, também, os cenários escolhidos que conseguem incutir uma sinistralidade e mistério à narrativa. Em suma, um punhado de elementos que partilham uma funcionalidade cujo o resultado é um filme imerecedor de ser apresentado apenas numa sala em Lisboa. 3/5
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